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INTERMEDIÁRIOS
Demanda nacional por fenol incentiva
produção e importação
A Rhodia vai ampliar em 25% sua capacidade produtiva de fenol e acetona no
Brasil por meio de investimento de 30 milhões de euros, a ser concluído
até o fim de 2008. Com isso, a unidade de Paulínia-SP passará das atuais
195 mil t/ano de fenol e 117 t/ano de acetona para 245 mil e 147 mil
t/ano, respectivamente, atendendo à expansão anual esperada de 5% a 6% no
mercado nacional desses insumos.
| Coincidentemente, extingue-se em outubro próximo o benefício antidumping
concedido pelo governo brasileiro à Rhodia contra importações de fenol,
que vigora desde 2002. Até meados de maio, a empresa ainda não havia
solicitado a manutenção da medida protetiva. “O investimento em curso não
tem nada a ver com isso, mas com a dinâmica do mercado consumidor nacional
e internacional”, explicou Mário Lindenhayn, vice-presidente da Rhodia
Intermediários e Solventes. |
Cuca Jorge |
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| Lindenhayn: produção nacional de fenol favorece cadeia
produtiva |
Os principais motivos para o investimento são
a ampliação do consumo de produtos elaborados com base no fenol, como
resinas de fundição, abrasivos e resinas para madeiras, além da
alimentação de downstreams da própria Rhodia, entre os quais a fabricação
de bisfenol e de intermediários para poliamida localizada principalmente
na Ásia. Nesse caso, trata-se do ciclohexanol, cuja produção em Paulínia
deverá ser ampliada em 43% a partir do novo suprimento de fenol. Somados
esses incrementos de demanda, a capacidade de produção ampliada faz
sentido.
Ao mesmo tempo, a acetona adicional será direcionada para a fabricação de
solventes para os mercados interno e externo, entre eles a diacetona
álcool (DAA) e os cetônicos (MIBK, por exemplo), para a obtenção de
metacrilato de metila, além do desenvolvimento de novos produtos. A
produção de solventes da Rhodia no Brasil chegará a 220 mil t em 2007, dos
quais 45% têm por destino a exportação. O real valorizado tira um pouco da
rentabilidade da operação, mas ela é mantida por ser embasada em contratos
de longo prazo.
Em 2004, a Rhodia fez uma grande ampliação na linha de fenol/acetona,
alcançando a capacidade de 165 mil t/ano de fenol. No ano seguinte, a
empresa verificou que poderia chegar a 195 mil t/ano com pequenas
alterações no processo, alcançando em pouco tempo esse patamar. No
entanto, essa produção só foi conseguida mediante a importação de cota
adicional de propeno, pois a Unipar Química, única produtora nacional, não
ampliou sua produção. “Estamos em negociação com a Unipar e esperamos que
a ampliação em curso na PqU permita aumentar a disponibilidade de propeno
e benzeno para isso”, comentou Lindenhayn. Caso isso não aconteça de
imediato, ele afirma contar com suprimento contratado de cumeno no
exterior em quantidade suficiente, tanto que não sofreu restrições, apesar
do recente aperto no mercado internacional, mantendo os clientes do Brasil
e da América Latina abastecidos.
O vice-presidente comentou que a importação de fenol antes da aplicação do
antidumping chegou a representar 20% do mercado nacional, com preços que a
investigação oficial verificou como predatórios. “A presença de um
fabricante local apóia e fortalece toda a cadeia produtiva”, afirmou.
Desde a ampliação de 2004, a Rhodia apoiou as iniciativas exportadoras de
seus clientes. Quanto a um possível pedido de prorrogação de direitos de
proteção, ele deixa a resposta para o prazo final, mas assegura a
competitividade da operação brasileira e não teme a concorrência, desde
que leal.
Concorrência espera – Maior produtora mundial de fenol, a Ineos
Phenol aguarda a extinção dos direitos antidumping para ampliar sua
participação no mercado brasileiro. “Mesmo com as sobretaxas protetivas
que chegam a 55% no fenol trazido de nossa fábrica dos EUA e de 92% do
nosso produto europeu, ainda mantivemos vendas locais entre 13 mil e 15
mil t/ano”, afirmou Guilherme Geraldes, diretor-superintendente para a
América Latina da Ineos Phenol. A empresa atendia os seus clientes, alguns
mantidos por força de contratos internacionais, a partir de unidades na
Ásia, sobre as quais não foram impostas sanções, embora fossem agravadas
pelos custos de transporte.
| Para ele, a medida prejudicou os produtores de resinas para madeira, cujos
produtos se destinam em grande parte para exportação. “No Brasil, o
antidumping é aplicado mesmo nas operações de draw back”, informou. O pico
do mercado nacional de fenol, segundo ele, foi alcançado em 2004, com
a absorção de 110 mil t. Em 2007, espera-se o consumo de 100 mil t. A queda
é atribuída ao câmbio desfavorável às exportações, à imposição de cotas
para ingresso no mercado dos EUA e à forte elevação das cotações
internacionais de insumos também usados para a produção de algumas
resinas, a exemplo do metanol. |
Cuca Jorge |
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| Geraldes: extinção de privilégio permitirá opção de suprimento |
Geraldes também prevê a escassez no mercado mundial de cumeno,
especialmente depois de grandes investimentos realizados na Ásia e
concluídos em 2005, que deveriam ter equilibrado o mercado de fenol.
“Esperávamos um excedente de fenol no mundo, mas ele foi totalmente
consumido no Oriente, que ainda está absorvendo mais produto, sustentando
as cotações”, disse. As razões para a pouca oferta do cumeno estão ligadas
ao consumo de benzeno na produção de estireno e nas formulações de
gasolina, e ao direcionamento do propeno de refinaria para polimerização
em polipropileno.
Com o fim do antidumping, a Ineos pretende recuperar a intenção original
de abastecer as Américas a partir de sua fábrica em Mobile (Alabama, EUA),
com 540 mil t/ano de capacidade produtiva de fenol. Para Geraldes, o
processo de antidumping investigou a situação de mercado nos dois anos
anteriores ao pedido, abrangendo uma fase atípica do mercado global,
quando havia excesso de produto. “De lá para cá, a situação mudou
completamente, e a oferta supera a demanda”, explicou. Ele estima o
mercado mundial do produto em 8 milhões de t/ano, com taxas de crescimento
anual de 3,5% a 4%. A Ásia apresenta maior apetite pelo fenol, direcionado
para a crescente produção de policarbonato.
A Ineos produz 1,7 milhão de t/ano de fenol e está expandindo sua unidade
de Antuérpia de 500 mil para 650 mil t/ano, para entrar em marcha no fim
de 2007. Está sendo construída uma unidade produtiva na China para 400 mil
t/ano, em Jiangsu, que representa investimento de 185 milhões de euros.
“Essa fábrica abastecerá apenas o mercado chinês, enquanto os países
vizinhos, que já têm tancagem adequada, continuarão a receber fenol da
Europa ou dos Estados Unidos”, disse.
Até 2004, a empresa não atuava na produção de cumeno. Nesse ano comprou
uma fábrica no Texas, mas ainda compra adicionais do insumo para abastecer
a planta de Mobile. Na Alemanha, ela comprou uma produtora de cumeno que
fora construída pela Veba Oel e depois adquirida pela British Petroleum.
Por sua vez, a unidade de Antuérpia conta com suprimento da sua vizinha
Dow.
Há tentativas de encontrar outro caminho para a obtenção do fenol que não
seja pelo cumeno, evitando aumentar a oferta da acetona. Segundo Geraldes,
caso se consiga produzir metacrilato de metila sem acetona, haverá um
desequilíbrio na economicidade dessa forma de produzir o fenol,
incentivando sua substituição. “Até o momento, a maneira mais viável ainda
é a do cumeno”, afirmou.
M. Fairbanks
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