Atuali dades

TINTAS
Europa estimula pintura ecológica

Até bem pouco tempo, a imagem da indústria de tintas e vernizes imobiliários estava, invariavelmente, associada a produtos tóxicos. Com a escassez das matérias-primas obtidas de fontes não-renováveis, além das crescentes pressões em favor da proteção ao meio ambiente, o setor passou a desenvolver técnicas de produção alternativas, começando com a substituição de solventes orgânicos por compostos à base de água.
Na Europa, o incentivo às indústrias de transformação que fabricam produtos de baixo impacto ambiental se traduziu na criação de uma marca comunitária de qualidade ecológica chamada Eco-Label.
 
 O selo, introduzido para alertar o consumidor, incorporou produtos de 23 setores diversos, que vão desde aqueles destinados à jardinagem ou limpeza até lubrificantes e tintas. A certificação de conformidade é emitida por órgãos independentes administrados pelo European Union Eco-Labelling Board (EUEB).  A iniciativa envolveu os 27 países membros da União Européia e alguns deles já estão demonstrando um forte empenho no desenvolvimento de produtos ecocompatíveis.

Divulgação

Ingredientes de origem natural ajudam a obter o Eco-Label

 No setor de tintas e vernizes, a Itália deu um passo à frente de seus vizinhos. A fabricação de tintas ecológicas nesse país cresce a uma velocidade espantosa e conquista cada vez mais os adeptos da chamada “bioarquitetura”, um ramo da construção civil especializado no projeto e reforma de imóveis utilizando, exclusivamente, produtos naturais.
Na prática, isso significa produzir tintas, vernizes e argamassas sem nenhuma substância de síntese química derivada do petróleo, mas formuladas com matérias-primas provenientes da agricultura, como o leite, ovos, laranjas, cera de abelhas, própolis, óleos vegetais, amido, resinas ou terras vegetais naturais.

É o caso da Spring Color, uma empresa italiana fundada em 1958 que, inicialmente, tinha como objetivo a fabricação de tintas tradicionais e desde os anos 90 se dedica unicamente à produção de pigmentos naturais. A decisão de investir em um novo mercado surgiu depois que alguns membros da família do proprietário da empresa, Roberto Mosca, adoeceram por causa da inalação de resinas e solventes tóxicos. Hoje o sucesso é tanto que a Spring Color possui uma linha de mais de 50 produtos e os fornece a mais de 60 mil canteiros de obras .

Todos os produtos da empresa, desde aqueles destinados à pintura técnica de têmperas e velaturas até a tinta a cal e estuques venezianos, são inteiramente naturais. Além disso, podem ser utilizados em superfícies de madeira, ferro, terracota, tijolos e argila.

Francesco Mosca, diretor da empresa, explica que, na produção de pigmentos, a Spring Color emprega terras naturais, o azul do cobre e do cobalto, o branco do zinco, o negro do carvão vegetal, óxidos de ferro e titanatos, além de ingredientes como a parte lenhosa da planta herbácea Cannabis sativa misturada à cal envelhecida. Os pigmentos vegetais são extraídos com o auxílio de uma tecnologia mecânica a frio e misturados a colantes orgânicos derivados do leite, como a caseína ou outros ingredientes como claras e gemas de ovos, amido de cereal de trigo e cera de abelhas. Outros coadjuvantes do processo industrial da Spring Color são os sais marinhos, boratos e cargas minerais como carbonato de cálcio amorfo e cristalino, talco, mica, alabastro e areias silícias.
Para a formulação de tintas antimofo e anticupim, a Spring Color também utiliza a tecnologia denominada nanosilver ou nanoargento, comumente utilizada pela indústria do setor de cosméticos como agente antimicrobiano. Com o emprego de prata puríssima, não-iônica ou tratada com metais, a empresa garante reflexos extraordinários aos seus colorantes, estabilizando-os perfeitamente.

Tudo isso foi possível somente graças aos investimentos da indústria italiana em pesquisas científicas. “Cerca de 20% do orgânico da nossa empresa se dedica a este setor”, afirma Francesco. Ele também acredita no grande potencial de desenvolvimento da área da bioarquitetura na Europa. “Inicialmente, o típico consumidor de nossa linha de produtos era o ecologista convicto. Hoje, no entanto, existem diversas categorias de pessoas que adquirem tintas ecológicas e grandes indústrias estão convertendo suas produções em favor das exigências deste novo nicho de mercado”, revela o diretor.
 
Sobre as inúmeras aplicações das tintas ecológicas, Francesco faz questão de sublinhar que, além da construção civil, por serem realizados com ingredientes similares àqueles empregados na antiguidade, os produtos Spring Color também são ideais para utilização na restauração de monumentos e edifícios históricos. Diversos pontos turísticos famosos como a “Villa d’Este”, em Tivoli, nos arredores de Roma, e o “Palazzo Barberini”, na capital italiana, já utilizaram os produtos da empresa.

Divulgação

Linha natural tem grande uso nos trabalhos de restauração

Economicamente, o custo de produção da tinta ecológica é moderadamente superior ao das tintas convencionais, mas o impacto dos produtos sobre a qualidade do ar doméstico, garantem os produtores, é substancialmente menor. Analisando os dados da União Européia sobre o consumo de mercadorias com a marca Eco-Label parece que os habitantes do velho continente estão dispostos a pagar mais para melhorar a própria qualidade de vida. Entre 2003 e 2005, a comercialização dos produtos com o selo Eco-Label cresceu 200%, principalmente na Itália, França e Espanha.                                                      Anelise Sanchez, de Roma
 

 
  <<< Anterior