A grande quantidade
de líquido dificulta o manuseio e encarece o transporte do resíduo até o
seu destino final.
Vários especialistas apontam a secagem térmica como a alternativa tecnologicamente mais avançada para realizar esta operação. Capaz de reduzir a quantidade de água no lodo para taxas que variam de 5% a 20%, dependendo da solução adotada, com a tecnologia o volume de resíduo é reduzido para 1/5 do total original. O processo realiza ainda a adequação sanitária do material, eliminando os patógenos. No Brasil, pelo menos quatro empresas oferecem a solução, Vomm, Pieralisi, Albrecht e Andritz. A tecnologia oferecida pela Pieralisi, relata o engenheiro José Maria Silva, tem como princípio a evaporação da água por meio de uma troca de calor convectiva, alimentada por chama direta. O lodo resultante chega a 95% de sólidos secos. O custo do equipamento varia entre 350 mil e 800 mil euros, de acordo com a sua capacidade de evaporação, que pode variar entre 2.000 kg/h, 6.000 kg/h e 12.000 kg/h. O processo gera gases particulados, o que exige o uso de um ou dois ciclones para a lavagem de gases, cuja eficiência, diz Silva, é de 92%. O secador pode ser alimentado energeticamente por gás natural, GLP, óleo combustível, biomassa ou biogás. Com gás natural, o custo do processamento por tonelada de lodo varia entre R$ 80,00 e R$ 90,00. Mas, para as ETEs, a alternativa recomendada pela Pieralisi é a utilização de biogás gerado na própria estação. Neste caso, informa o engenheiro Silva, o custo do processamento da tonelada de lodo é de R$ 11,66. “É um sistema que deve ser usado alinhado aos digestores de lodo ou reatores anaeróbicos tipo UASB para ter viabilidade econômica”, diz Estela Testa, diretora-comercial da empresa. “Por isso, nós fornecemos o processo completo na forma de turn-key”, informa. A tecnologia de secagem térmica da Vomm, o Turbo Dryer Ecologist, opera por dupla troca térmica (condução e convecção) e produz uma torta de lodo com 10% a 20% de água. O material final tem a forma de grânulo esférico. Segundo o diretor Enrico Vezzani, uma das principais características do equipamento é sua eficiência térmica, uma vez que o consumo energético varia entre 750 e 900 kcal por litro de água evaporada. Outra característica do equipamento da Vomm é realizar a secagem térmica em circuito fechado, eliminando a emissão de voláteis geradores de odores. O custo do lodo processado varia de acordo com a matriz energética adotada. Podendo custar entre R$ 70,00 a tonelada, quando se utiliza biomassa, a R$ 120,00 com gás. “É um custo competitivo, equivalente ao da disposição em aterros”, diz Vezzani. Essa equivalência de custos fez Vezzani desenvolver uma proposta comercial inovadora. A Vomm está propondo aos potenciais clientes instalar seu equipamento na ETE sem que seja necessária a realização de investimento na compra da máquina. “A ETE paga à Vomm o custo de disposição do lodo em aterro. A Vomm realiza a secagem térmica em troca do lodo”, explica Vezzani. Pelo sistema de comercialização tradicional, o Turbo Dryer Ecologist tem preço variável, de acordo com sua capacidade de processamento. Segundo Vezzani, os preços iniciam em R$ 200 mil. Em uma ETE com produção diária de 60 toneladas de lodo, por exemplo, o equipamento custa por volta de R$ 1,5 milhão.
Já a Andritz apresenta soluções de secagem térmica por três diferentes sistemas, o secador rotativo, a secagem por esteira e o secador por leito fluidizado. Segundo informa o diretor-comercial da divisão de secagem térmica, Sérgio Costa, os equipamentos operam em circuitos fechados com gases inertes para não haver risco de explosão. |
|||||||||||
| <<< Anterior | |||||||||||