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A situação também preocupa com a outra resina importante para o mercado de adesivos para couro e calçados, o poliuretano. Embora aí o preço não tenha dobrado, segundo Masselli o valor dos insumos mesmo assim decolou, com aumentos superiores a 55% em euros.
Logo após, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou a norma 346, que exige mudanças nas embalagens, para fornecer mais informações sobre a toxicidade das colas, usadas como entorpecentes, bem como um maior controle nos pontos-de-venda. A mesma norma exigiu que até o fim do ano os produtores apresentem uma substância desnaturante (que torna o odor da cola repugnante para evitar seu uso como droga) para determinar sua obrigatoriedade nas formulações. Por fim, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), por meio de resolução, passou a exigir a homologação das embalagens de produtos químicos, para maior controle e segurança no transporte de cargas perigosas. Epóxi também – A análise crítica da Assintecal – entidade que reúne 384 associados, sendo 20 fabricantes de adesivos com produção total de 21 mil t/ano voltada para o mercado de calçados (aproximadamente 40% do mercado total de adesivos base solvente do Brasil) – é reforçada por um associado importante, a Brascola, empresa nacional com linha diversificada de adesivos, atuante em quase todos os segmentos. Isso porque, além de ratificar a escassez e a alta no preço do policloropreno e do poliuretano, a Brascola também nota problemas com outras resinas, em específico a de epóxi. De acordo com o presidente da Brascola, Gunther Faltin, a queda na oferta mundial do epóxi elevou o preço da resina em 15% em 2006 e, já neste ano, mais 20%. “Além de estar mais caro, o que se deve a dificuldades dos produtores em obter intermediários importantes na produção, como o cloro, o epóxi também está em falta”, explica. Por sorte, continua Faltin, a Brascola conta com garantias de fornecimento para os próximos anos por ser a distribuidora exclusiva no Brasil da linha Araldite, da Huntsman, que assegurou os volumes necessários para a atuação comercial regular da empresa. No caso das borrachas de policloropreno, Faltin acrescenta a informação de que a escassez advinda dos grandes produtores europeus e norte-americanos já provocou a entrada no Brasil de similares chineses. “Há produtores nacionais recorrendo a essa alternativa, que apesar de ter o mesmo preço da européia conta com qualidade inferior”, diz. E as perspectivas, para ele, nesse caso não são nada animadoras, tendo em vista que as únicas ampliações internacionais previstas estariam em planejamento na Ásia, que tende a consumi-las cativamente. No Brasil, a possibilidade aventada recentemente de a fabricante local Petroflex ampliar sua produção pode ser deixada de lado com a notícia de que a alemã Lanxess estaria estudando sua compra. E não custa acrescentar que, realmente em se concretizando esta negociação, o foco da Lanxess com o policloropreno deve continuar a ser o mercado de artefatos de borracha. Responsável por 15% do faturamento da Brascola, o mercado calçadista é objeto de negociação comercial. O presidente da empresa informa que os repasses de preços devem ficar na casa dos 10%, em respeito principalmente à situação mais crítica dos produtores gaúchos, dependentes de exportação.
Embora operando com margens menores de lucro, em razão da alta das matérias-primas, os efeitos sobre a Brascola são menores por causa da sua atuação diversificada. Cerca de 60% das vendas de seus mais de 300 itens são concentradas no mercado de consumo de varejo. Mais 20% se volta para a indústria, entra elas a de calçados, e o restante segue para o mercado de private label, de adesivos com marcas de terceiros (o principal cliente é a Tigre). Dentro de todos esses negócios, porém, o maior impulsionador do faturamento total de R$ 100 milhões tem sido o de construção civil, representado pelas vendas de consumo direto e pelo private label. |
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