ADESIVOS
Construção e automobilística
puxam as vendas, mas há
escassez de alguns insumos

Marcelo Furtado

 

 

 

Divulgação/Henkel

Aplicação de adesivos em laminação

Uma conjunção de fatores macroeconômicos deve tornar 2007 um ano bom para o setor de adesivos. A despeito de sua complexidade, o que significa cenários um pouco diferentes dependendo dos segmentos de atuação, o aumento real na renda da população, suas conseqüentes melhoras no consumo interno, e a valorização da moeda, favorável para a importação de matérias-primas essenciais, criam o ambiente positivo a quase todos os principais atores do mercado brasileiro, que segundo estimativas oscila por volta de US$ 500 milhões.

A leitura otimista reflete a opinião do presidente da principal empresa do ramo, a alemã Henkel, Julio Muñoz Kampff, também coordenador da comissão de colas e adesivos da Abiquim. Para ele, o desempenho do primeiro trimestre de indústrias com grande consumo de adesivos, em comparação com o mesmo período do ano passado, explica a situação. Para começar, o setor automotivo cresceu 4% nesses três meses e já anunciou mais aumentos na produção e a contratação de nova mão-de-obra até o fim do semestre.  O mercado de embalagens, em específico o de papel ondulado, incrementou o volume de produção em 3,3% e o de tintas imobiliárias, entre 3,5% e 4,5%. Por fim, a construção civil, que conta com expectativas revigoradas pelo famigerado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), movimentou 5,78% a mais do que o registrado em igual período de 2006.

Segundo Kampff, a impressão é de que principalmente a construção e a indústria automobilística continuarão a beneficiar as vendas de adesivos em 2007, tanto por causa dos grandes volumes comercializados como por empregarem produtos de maior valor agregado. Sua expectativa envolve um crescimento consistente com o do resto da cadeia química, ou seja, de até 4% em 2007.

Além disso, o bom desempenho do mercado interno deve compensar os efeitos cambiais já sentidos sobre as exportações de adesivos. Apesar de no primeiro trimestre as exportações nacionais terem sido 8,7% maiores do que as do mesmo período de 2006, as importações saltaram 17,5%, aumentando o déficit da balança comercial do setor. O impacto sobre as exportações, de acordo com o presidente da Henkel, só não foi maior porque o Brasil começou a vender no mercado externo adesivos mais sofisticados. Basicamente tendo como parceiros no exterior os países da América Latina, isso significa que as negociações com produtos caros, sobretudo os chamados adesivos reativos e estruturais, ou os de laminação para embalagens flexíveis, aplacaram a queda ocorrida nos produtos mais baratos.

Cuca Jorge
Kampff: primeiro trimestre indica um ano de crescimento

 Além da questão cambial, o preço por tonelada de produto exportado aumentou 4,7% em virtude do custo das matérias-primas, sobretudo as petroquímicas, em curva ascendente desde as altas do petróleo.

O desempenho da Henkel, aliás, reflete a conjuntura favorável. Com atuação em todos os segmentos do mercado de adesivos, com portfólio que vai desde o mercado de colas de PVA (Tenaz, Pritt) até os mais sofisticados adesivos de engenharia e reativos, a empresa tem acumulado taxas de crescimento no mundo (de  6,2% no primeiro quadrimestre) e, de maneira destacada, no Brasil e na América Latina. Segundo Kampff, o desempenho local fez a região ultrapassar em ritmo de crescimento os negócios do grupo alemão na Ásia e no Pacífico. Nos quatro primeiros meses, sobre igual período de 2006, a América Latina cresceu 15,3%, contra 10,2% da região asiática. “Essa era uma meta nossa, que foi puxada pelo Brasil e o México principalmente”, comemora o executivo.
 

 
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