Tendência de crescimento – O Brasil possui um parque fabril e um mercado consumidor que absorve, tradicionalmente, cerca de 6% da demanda mundial por diversos insumos industriais. É um número que se expressa em diversas indústrias.

Desse modo, em comparação a outros pigmentos de utilização em menor escala, como orgânicos, os perolados representam um segmento que não é mais um nicho, e que não pode ter um volume considerado pequeno, mesmo que os chutes apontando o volume do mercado brasileiro entre 5 e 10 mil t/ano sejam corretos. E a demanda é crescente. A Fors­cher, uma importadora de pigmentos chineses nova nesse mercado, com apenas seis meses de briga, entrou no segmento justamente pelo aumento das consultas sobre a disponibilidade do produto perolado.

Heise vê espaço para crescimento: " perolado veio para ficar"

 “Há muitas embalagens para cosméticos produzidas com pigmentos perolados”, diz Harry Heise, diretor da empresa e antigo funcionário da multinacional alemã Basf com vasta experiência no mercado de cor. Só nas aplicações em plásticos, o diretor acredita em um potencial de demanda de 50 toneladas/mês, levando em conta apenas os grandes consumidores. As tintas para automóveis, na opinião dele, são o outro grande mercado, as aplicações em tintas gráfica têm tido crescimento importante.

A Forscher fornece especialidades ao mercado de pigmentos desde 2004, mas a procura por um fornecedor chinês sem flutuações expressivas de qualidade retardou a oferta de um pigmento perolado. Concluída a fase de testes, a empresa se integrou à concorrência e vai realizar importar os primeiros dois contêineres de pérolas chinesas para aplicação em plásticos. O produto pode ser utilizado também no mercado gráfico, mas ainda precisa de ajustes para se adequar ao setor automotivo, os quais Heise espera que sejam realizados até 2008.

Mas, nas embalagens plásticas, o pigmento perolado chinês já veio para ficar. O argumento da baixa qualidade se esvaiu no momento em que os importadores nacionais desenvolveram parceiros confiáveis. A classificação dos pigmentos, uma das antigas fraquezas propaladas pelos concorrentes dos produtores chineses, é uma das etapas de processo à qual os asiáticos se detiveram com maior esmero. Sem muita atenção à dispersão da granulometria dos pigmentos, os lotes chineses apresentavam oscilações enormes de qualidade e desempenho, pois produtos com a mesma especificação poderiam ter predomínio de partículas com diâmetro médio diferentes, afetando o poder de cobertura do revestimento na aplicação final. “Os pigmentos chineses eram chamados de exóticos, hoje são não-tradicionais e vão virar referência”, aposta Heise.

A Forscher, assim como outros competidores que passaram a oferecer pigmentos importados no Brasil, se beneficia de uma estrutura ágil e de menor porte e custo, comparada aos líderes do mercado. Além disso, conta com a expertise de Heise e um suporte técnico mais pessoal. O conhecimento adquirido por Heise em mais de duas décadas na área técnica da Basf também permite à Forscher opinar em assuntos de aditivação de resinas, o que pode ser um fator importante na conquista de uma conta. Esse know-how possibilita uma alternativa interessante à venda de aditivos, que é a oferta do pigmento aditivado. De modo geral, os pigmentos podem alterar significativamente as propriedades de resinas plásticas, a ponto de torná-las quebradiças e afetar sua elasticidade. Mas, misturados em concentrações menores que 1%, alguns aditivos podem reduzir drasticamente as modificações das propriedades mecânicas dos plásticos. A Forscher está analisando aspectos dessa idéia no âmbito dos pigmentos perolados, acredita na possibilidade de sucesso na solução de uma série de problemas.

 

 
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