Pigmentos perolados

Aplicações de pigmentos perolados crescem


Oferta no mercado nacionalcresce amparada em produção chinesa e preços diminuem

Texto de Márcia Azevedo e fotos de Cuca Jorge

A demanda brasileira por pigmentos perolados é crescente. Responsáveis por um efeito estético que imita o brilho das pérolas naturais, eles sempre estiveram mais ligados a aplicações de maior valor agregado, em que o cliente busca a diferenciação. Por isso mesmo, não eram muito acessíveis aos produtos com menor faixa de preço. Mas o panorama está se modificando, principalmente devido à presença de novos competidores no mercado nacional, ao aumento da oferta e à conseqüente redução de preços.

A maior parte dos pigmentos perolados é produzida com base em partículas de mica (denominação comum a uma variedade de minerais do grupo dos filossilicatos) recobertas com óxidos metálicos, como dióxido de titânio (TiO2) e óxido férrico (Fe2O3). Além da característica que mais os distingue, o brilho, decorrente de sua estrutura superficial, alto índice de refração e transparência, os pigmentos perolados possuem boas propriedades de resistência química, térmica e mecânica, e são fisiologicamente inofensivos, podendo ser utilizados em embalagens em contato com alimentos e brinquedos para crianças. Ácidos diluídos e álcalis não os destroem, são praticamente insolúveis em água, não são combustíveis e não conduzem eletricidade. Por esse conjunto de aspectos, podem ser utilizados em diversas aplicações, como tintas automotivas, mobiliárias, de impressão e tintas reativas, como sistemas de cura por radiação, além de plásticos e cosméticos. Sua estrutura química permite excelente dispersão, e embora sejam mais utilizados em formulações base solvente, também são apropriados para revestimentos com base d’água.

No Brasil, não há produção local desse tipo de pigmento, e a demanda é suprida por importações. Os fornecedores mais poderosos do mercado brasileiro sempre foram Merck, Ciba e Engelhard (recentemente adquirida pela Basf), o que explicava um nível de preços praticados no País atraente para esses competidores, mas que tornava o produto pouco acessível à maior parte do mercado. Também por ser um pigmento de maior valor agregado, havia uma certa resistência à entrada de sucedâneos chineses, que, à primeira vista, e em qualquer segmento de tecnologia, provocavam desconfiança nos clientes.

Mas, desde meados de 2000, a penetração dos produtos asiáticos aumentou, tanto pelas mãos de revendedores e distribuidores nacionais, que aumentaram as importações, quanto pelas vendas dos próprios grandes do mercado, que sucumbiram à competitividade chinesa e passaram a produzir na Ásia, como a Ciba.

Uma das pioneiras na importação de pigmentos manufaturados na China foi a Minérios Ouro Branco, que atesta a expansão de sua utilização no Brasil e a força que seu apelo de marketing ganhou. 

No caso da empresa paulistana, os principais segmentos consumidores são os de plásticos e de tintas (automotiva e de impressão), mas o couro sintético aparece como um setor cuja importância também tem crescido, segundo José Carlos Bartholi, diretor-comercial da Minérios Ouro Branco, que iniciou a importação de perolados em meados de 2000. “Houve um fator de preço que contribuiu para o aumento do mercado: o pigmento se tornou mais barato e ficou mais acessível”, diz Bartholi, um dos artífices desse aumento da concorrência. Além da ampliação da oferta, os preços no mercado interno sempre foram cotados em dólares, e a valorização do real também ofereceu uma contribuição importante para tornar o pigmento mais competitivo.

No entanto, a penetração de pigmentos chineses no mercado nacional, após o vencimento das primeiras barreiras, abriu o mercado para uma série de concorrentes querendo repartir os lucros, por esse motivo, Bartholi já está pensando em alternativas de maior valor agregado para conquistar mais uma vez uma posição privilegiada.
Bartholi aposta em novas cores para sacudir mercado interno

 A empresa está prestes a lançar uma nova linha de cores, “para sair da mesmice”, voltada aos plásticos e tintas automotivas. Este segundo mercado em particular, não possui volumes tão grandes quanto os de resinas, mas o preço unitário que o produto pode alcançar é muito atrativo. Não por acaso: o pigmento perolado usado em automóveis demanda tecnologia superior de fabricação, capaz de dotar o produto de grande resistência a intempéries, e resistência a raios ultravioleta maior que a dos pigmentos usados em plásticos, devido à exposição freqüente à luz solar.

O ímpeto para oferecer alternativas àquilo que o mercado brasileiro dispõe vem do reconhecimento de nichos inexplorados. E, no caso de pigmentos mais sofisticados para a indústria de veículos automotivos, como os que apresentam efeitos de interferência e cores múltiplas, um concorrente raramente consegue atingir o mesmo efeito que outro pigmento proporciona. O fornecedor que ganha uma aplicação “casa” com o cliente, tamanho é o trabalho necessário para desenvolver o acerto com um novo insumo. Esse detalhe é menos intenso nas commodities, nas quais é mais fácil atingir a reprodutibilidade, e se está mais sujeito às investidas de outros fornecedores presentes no mercado. “É muito difícil contratipar um pigmento de efeito, principalmente na indústria automotiva”, diz Bartholi. Por isso, para emplacar o pigmento de efeito em uma aplicação automobilística, é preciso participar do início do desenvolvimento da aplicação, e para tal é necessário ter alguma novidade para mostrar. Nos perolados tradicionais, a briga para tomar o lugar de um fornecedor tradicional é ingrata, e fadada ao insucesso. Mas, caso os pigmentos chineses também consigam reverter a imagem negativa no mercado automotivo, uma nova queda de preços também poderá ser experimentada nesse setor.

 
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