“Temos de estar
prontos para atender às exigências dos mercados mais sofisticados”
explica.
Aproveitar a nanotecnologia para o desenvolvimento de tecidos com propriedades diferenciadas é o desdobramento de uma política adotada pela companhia no início do século. “A partir de 1995, nos distanciamos um pouco das indústrias químicas. No ano 2000 resolvemos nos aproximar de novo dos fornecedores. Para isso, criamos um centro de pesquisa e desenvolvimento”, conta o gerente de inovação Manoel Areias. Hoje, o CPD conta com 39 profissionais, quase todos com nível superior. “Em breve, vamos contratar um doutor em tecidos para integrar a equipe. O processo de seleção é difícil, o Brasil não conta com muitos profissionais com essa qualificação”, conta Areias. A inauguração do CPD marcou o início de uma série de atividades voltadas para a pesquisa. Em 2002, a empresa promoveu um seminário internacional dirigido ao público interno. O evento contou com a presença de cientistas de sete países. Em 2003, fechou parcerias com institutos especializados da Alemanha. Em 2005, inaugurou a Universidade Santista, unidade interna voltada para a formação de pessoal e também para transmitir conhecimentos para clientes, confecções e lavanderias. Por enquanto, as pesquisas resultantes do acordo estão direcionadas para o desenvolvimento de nanopartículas de prata e quitosana – material retirado das cascas dos crustáceos. “A prata é um material com uso consagrado como antimicrobial em todo o mundo pela indústria têxtil. Ela evita a proliferação de bactérias que provocam odores e outros inconvenientes. A quitosana apresenta efeitos próximos ao da prata e tem custo muito menor. Ela é mais indicada para roupas de bebês, pois é antialérgica e protege contra assaduras”, explica. Caso consiga desenvolver os materiais, a empresa dará apoio aos interessados em produzi-los. “A própria universidade possui estrutura para incubar empresas”, acrescenta. No ano passado, a Santista investiu 0,5% de seu faturamento líquido, algo em torno de R$ 4,5 milhões, em projetos de pesquisa e desenvolvimento. Também em 2005, 27,4% da sua receita proveio de produtos com maior valor agregado. Novas marcas - Quatro são as marcas que chegam ao mercado sob o guarda-chuva do selo NanoComfort: Technopolo Light, Technopolo Fit, Image e Image Giz. “Eles representam apenas o começo de uma série de novos tecidos funcionais que esperamos lançar em breve”, antecipa Areias. Um quinto produto do gênero é prometido para curto prazo. Trata-se da marca Lótus Effekt, que tem como principal característica ser autolimpante. “O tecido já está desenvolvido, mas ainda estamos estudando o nicho do mercado mais adequado”, revela o executivo. A Santista mantém em segredo o fornecedor e os tipos de partículas utilizadas nos lançamentos. Os dois produtos com nome de Technopolo são indicados para a confecção de camisas utilizadas em uniformes para funcionários de empresas do varejo, administrativas ou de restaurantes, entre outras. A Technopolo Light é um tecido 100% algodão. Já o Fit é composto por 62% de algodão, 35% de poliéster e 3% de elastano. Os dois tecidos apresentam capacidade de absorção e secagem rápida da umidade corporal e têm propriedades antimicrobiais, que eliminam os odores da transpiração. As marcas Image (100% poliéster) e Image Giz (98,5% poliéster e 1,5% de algodão) concorrem com tecidos 100% de lã. São indicadas para a confecção de ternos e conjuntos vestidos por trabalhadores de companhias aéreas, hotéis e de outros segmentos. A Image Giz tem como diferencial o padrão risca-de-giz.
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