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Essas propriedades também podem ser obtidas com outros recursos tecnológicos. “Com as nanopartículas, no entanto, os resultados são muito superiores aos apresentados por outras técnicas. Devido ao tamanho minúsculo que elas apresentam, se integram aos tecidos de forma eficiente do que outros insumos”, explica Frits Herbold, consultor que presta serviços para as indústrias têxteis do Brasil e da América Latina e representante no Brasil do instituto alemão Hohenstein, especializado em testes de qualidade, certificação e homologação de produtos têxteis. Prova da diferença de desempenho se encontra na resistência às lavagens. “Um tecido normal com propriedades antimicrobiais, por exemplo, mantém sua característica somente durante as primeiras lavagens. O enriquecido com nanopartículas suporta um número muito maior, as propriedades são mantidas praticamente durante toda a vida útil da roupa”, explica Herbold. A disputa por esse mercado envolve várias gigantes do setor químico. Também não são poucas as pequenas empresas especializadas que estão se espalhando pelo mundo. Com a aquisição das nanopartículas oferecidas pelas especialistas em química, essas empresas investem na criação de tecidos com propriedades diferenciadas e, por conseqüência, grande valor agregado. Um exemplo de empresa especializada é a Nano-Tex, instalada na cidade de Emeryville, na Califórnia. Fundada há oito anos, ela não é fornecedora de tecidos.
Pesquisa nacional – O Brasil não faz feio quando o assunto é nanotecnologia. Desde o início do século, o governo federal tem apoiado a pesquisa e o desenvolvimento dessa ciência. O projeto começou a ganhar força em 2001, ano em que foram criadas quatro redes de pesquisas com o objetivo de trocar informações sobre estudos realizados por inúmeros institutos especializados e universidades. Cada uma dessas redes era responsável pelo desenvolvimento de estudos em assuntos específicos. Em 2003, foi criado o Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia. O número de redes de pesquisa foi ampliado para dez no ano passado. Também foram feitos investimentos para desenvolver laboratórios de apoio à pesquisa, como o Laboratório Nacional de Luz Sincrotron, um dos mais bem aparelhados do Hemisfério Sul. As verbas federais destinadas à pesquisa e desenvolvimento relativos ao tema evoluíram de R$ 54 milhões, aplicados no período de 2001 a 2004, para R$ 71 milhões previstos para o biênio 2005 e 2006. “A nanociência é pesquisada em 77 instituições nacionais, que abrigam mais de mil pesquisadores. Até o ano passado já haviam sido publicados mais de mil artigos e desenvolvidas 97 patentes”, revela Alfredo de Souza Mendes, coordenador-geral de micro e nanotecnologias do MCT. As pesquisas realizadas no Brasil têm se orientado mais para a nanobiotecnologia, o desenvolvimento de sensores e de variados materiais com propriedades diferenciadas. No campo da indústria têxtil, no entanto, os estudos ainda se encontram em patamar muito restrito. “As empresas do setor têxtil não têm o hábito de contar com profissionais especializados. Tanto que, às vezes, os dirigentes das empresas nos procuram e não conseguimos sequer conversar, eles não entendem o que fazemos e não sabem como aproveitar o que podemos oferecer”, dispara Edison Bittencourt, professor titular da Faculdade de Engenharia Química da Universidade de Campinas (Unicamp/USP). O acadêmico lamenta essa postura. “Os pesquisadores brasileiros já provaram que são muito capazes de colaborar com o aperfeiçoamento dos produtos, desde que recebam apoio para trabalhar. Provas disso ocorrem nos setores sucroalcooleiro e no agronegócio”, resume. A falta de investimentos em tecnologia preocupa as lideranças do setor. Uma iniciativa para alterar esse quadro está sendo tomada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), que promete criar ainda esse ano um comitê especializado em nanotecnologia. O papel desse comitê será o de disseminar entre os associados a importância da adoção dessa ciência como forma de agregar valor aos tecidos nacionais. A idéia é não perder o bonde da história e sofrer com a futura falta de competitividade dos produtos nacionais. Um outro aspecto que deve merecer a atenção do comitê a ser criado pela Abit diz respeito à criação de um selo voltado para certificar os produtos nacionais dotados com nanotecnologia. “Ao comprar um tecido, não se tem certeza se ele conta mesmo com nanopartículas. A certificação é a melhor maneira de proteger os consumidores e valorizar o produto nacional”, explica Jefferson Zomignan, presidente do Comitê de Química Têxtil da Abit e diretor-comercial da Boheme Pan América. “No Brasil não existem institutos dotados com aparelhos para tal certificação. A saída é utilizar institutos internacionais”, emenda. A entidade já havia dado um primeiro passo para alertar as empresas do setor sobre a necessidade de valorizar a pesquisa e o desenvolvimento. Isso ocorreu no início de 2006, com a criação do comitê hoje presidido por Zomignan. “Um dos nossos objetivos é explicar aos associados a importância de investir na capacitação de profissionais especializados em química”, defende. Para ele, essa despreocupação faz com que o setor perca oportunidades de negócios no campo dos tecidos dotados com tecnologia de ponta.
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