A principal linha de produtos da Rhodia direcionada ao setor coureiro-calçadista está vinculada à marca comercial Rhodiaeco. Trata-se de uma gama variada de produtos para tratamento de couros desde a ribeira até o acabamento, com destaque para o Rhodiaeco SD e líquido LQ. Permitem a desencalagem com redução importante da presença de nitrogênio, o que é parâmetro importante dos organismos ambientais.

O curtimento também foi alvo de novos conceitos em termos de processo. Quem usa a linha Rhodiaeco queima a etapa do píquel, a qual rebaixa o pH para 2. Neste caso, a empresa oferece um produto condicionador para manter o pH do couro em 5, graduação considerada ideal. O condicionador da Rhodia retira o ácido sulfúrico do processo. “Se você controla o pH, o couro ganha em qualidade”, enfatiza De Marchi. Já o Rhodiaeco WB é um auxiliar de aumento da fixação dos demais produtos. “A linha Rhodiaeco deriva de polímeros com impacto ambiental mais brando e com características provenientes da química inorgânica”, afirma De Marchi. 

De acordo com Juarez Alexandre Lacroix, da Killing, tradicional empresa gaúcha com ramificações na área de tintas e de insumos químicos para couro, o desenvolvimento de produtos ocorre para diminuir a quantidade de substâncias e queimar etapas de processos. Não gerar resíduos é sempre o desejável. As formulações saem dos laboratórios cada vez mais sob medida e adequadas às necessidades de cada cliente.

A Killing fabrica um tipo de top acrílico totalmente livre de metais. Os adesivos hot-melt e base água são a tendência para o futuro. “Os solventes aromáticos, principalmente o tolueno, muito empregado em formulações, serão banidos da indústria coureiro-calçadista”, acredita Lacroix. “É uma questão de tempo”, prevê.

Em sua opinião, a indústria irá substituir os solventes por resinas acrílicas e utilizará cada vez mais acabamentos poliuretânicos, stucos e lacas em base aquosa para acabamento de couros. Lacroix cita ainda o surgimento de ceras especiais em polímeros, sem metais e fenóis. Conforme o técnico da Killing, a indústria química atua com o objetivo de facilitar a inserção dos curtumes no mercado mundial.

Canibalizar produtos – Sérgio de Paula, da Cognis Brasil, vislumbra um quadro realista ao apontar que toda atividade química traz progresso e causa impacto ambiental. “Há um certo paradoxo nisso, mas é possível buscar sempre a atividade mais limpa possível.”

Uma das alternativas está relacionada com a busca de produtos biodegradáveis. Diminuir o uso de produtos com formol, penta cloro fenol e fenóis em geral é o recomendável. Hoje, o centro nevrálgico de uma indústria química, argumenta de Paula, é o departamento de desenvolvimento. Atualmente, já é possível obter formulações sintéticas originárias de fontes renováveis. A uréia e o formol deram lugar a resinas acrílicas e poliuretânicas.

De Marchi: Rhodia usa polímeros "verdes"`

Maior empresa do mundo em transformação de óleos e gorduras com sede nacional em Jacareí, em São Paulo, escritórios em Novo Hamburgo e Recife, e com a atividade mundial centralizada na Alemanha, a Cognis passou a realizar palestras sobre tecnologias limpas, principalmente nos Estados da Região Nordeste, como forma de conscientizar os donos de curtumes sobre a substituição de produtos e melhoria de processos.

Como fabrica 92 formulações, desde a limpeza do couro pós-abate até o acabamento, a Cognis adotou a política de canibalizar as fórmulas, o que significa reduzir ao máximo a fabricação dos produtos até que não tenha mais como atender a determinadas encomendas. De acordo com de Paula, alguns compostos só existem nos estoques e estão descontinuados: resinas fenólicas e formóis deram lugar a fungicidas e bactericidas aprovados pelo Federal Drugs and Aliments, o rigoroso organismo norte-americano responsável pela aprovação de alimentos e medicamentos.

 “É isso mesmo, estamos tratando o couro com produtos padrão FDA para não deixar margem a dúvidas”, revela de Paula.
Sandra e Sergio: Cognis visa biodegradáveis

Nessa linha, a Cognis lançou oito produtos entre neutralizantes, resinas curtentes, dispersantes, engraxantes recurtentes, engraxantes sintéticos aditivados e misturas de ceras especiais com base em polímeros, sem qualquer produto restrito. Sandra Aparecida de Oliveira, analista de planejamento e operações da Cognis reforça: “Nossos cuidados começam na compra de matérias-primas. Não adquirimos formulações das quais desconfiamos em relação à qualidade e segurança.”

“Há vários anos os produtos em contradição com as normas ambientais foram banidos da área de desenvolvimento. Se não acompanha nossa proposta de implantar tecnologia mais limpa em curtumes nós abortamos a pesquisa”, anuncia o gerente-técnico da Lanxess, Gustavo Fink.
 

 
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