Outra palavra-chave do couro ecologicamente correto é o “bioleather”, livre de diversas substâncias restritas, como fenóis e formaldeído, e apontado como couro com melhor potencial de aceitação no mercado, principalmente por cumprir os requisitos da indústria automotiva e os vinculados às normas legais mais recentes da União Européia, por exemplo, o ELV (End of Life Vehicle).

No contexto do ELV, nos próximos anos o comércio de veículos usados, o qual já entrou em declínio, será extinto no velho continente. As montadoras européias absorverão as unidades velhas na troca por novos. As peças usadas irão passar por reciclagem e serão devolvidas ao mercado na forma de manufaturados de outras indústrias ou incorporados ao conjunto de autopeças dos automóveis zero-quilômetro.

Carmen: curtumes chegam a limpar as águas dos rios

Componentes confeccionados em couro, como assentos, volantes, laterais de porta e descansos de braço, ficam ainda mais fáceis de reciclar quando produzidos dentro da linha de sistemas de curtimento metal free e outras substâncias de uso restrito. De tal modo que na lavagem inicial, umectação e igualização do couro pré-curtido se utiliza o Bioten MK 40-R, um tensoativo 100% biodegradável isento de nonilfenoletoxilado.

Na neutralização, os produtos utilizados devem ficar livres de componentes voláteis para impedir a interferência no fogging test ou na flamabilidade. Por isso é empregado o produto denominado Branderme MK ATN, à base de polifosfatos, os quais neutralizam de forma homogênea e não interferem no fogging test nem na flamabilidade do couro.

O fogging test é um ensaio utilizado para medir o efeito dos materiais condensáveis do couro, no interior de veículos, principalmente no vidro pára-brisa.


Rejane 100% da química deve ficar no couro

Como forma de cumprir outros requisitos do bioleather, a MK desenvolveu uma série de formulações com foco no pré-curtimento e recurtimento, como um polímero especial, o Renolik MK CP, e um composto de base fenólica condensada, o Renotan MK MF, os quais atuam no recurtimento da pele. As formulações contêm grupos específicos e reagem com a pele, fazendo um “pré-curtimento” e possibilitando a operação de rebaixe. Esse é o principal efeito procurado nesta etapa: proporcionar uma boa operação mecânica, onde a pele possa ser rebaixada na velocidade normal da máquina, sem queimar ou ficar pegajosa.

O presidente da Rhodia do Brasil, Marcos De Marchi, recorda a chegada da empresa no Brasil em 1919 ao explicar a aposta no setor coureiro-calçadista. “Temos bem claro que não há como se comportar de maneira competitiva no mercado sem olhar o todo, o ambiente, a questão social como a saúde dos empregados e dos consumidores.”
Com isso, complementa De Marchi, uma das decisões da Rhodia foi ingressar como fornecedora de insumos químicos para curtumes e para a indústria de calçados utilizando substitutos diretos dos solventes aromáticos por oxigenados, empregados na composição dos adesivos. “Dentro da escala de solventes podemos considerar um produto verde. Não é água, mas é muito menos nocivo do que um tolueno”, compara o presidente da Rhodia.

 
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