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A tendência apontada por Medrano é a mesma divulgada pelo consultor internacional Marc Fermont no Encontro Brasileiro da Distribuição Química (EBDQuim) de 2006: as commodities tendem a ser trabalhadas por empresas comerciais de grande porte, capazes de alcançar benefícios de escala elevados e de conquistar grande poder de barganha com fornecedores, compondo portfólios com especialidades. Os pequenos comerciantes se concentrarão em nichos de mercado ou de produtos, com grande interação com seus clientes (vide QD-447). O problema dessa tendência é o destino das empresas de médio porte, freqüentes no País. “As fusões e aquisições são inevitáveis, resta saber se elas serão feitas como estratégia de mercado ou como alternativa à falência”, disse Medrano. O segundo caso é pior, com mínima remuneração aos empreendedores. Essa situação de fragilidade não é exatamente nova para o setor. Ela se assemelha muito à crise do início dos anos 90, quando o mercado brasileiro foi escancarado para a entrada de produtos importados. O dirigente setorial salienta diferenças cruciais: “O comércio químico investiu em capacidade operacional e qualidade, criou o Programa de Distribuição Responsável e tem melhores condições de se adaptar às mudanças necessárias.” No entanto, como a economia nacional insiste em permanecer em ponto morto, o desenvolvimento do setor ficou aquém do projetado nos últimos anos. “Temos quase 30% de capacidade ociosa de armazenagem qualificada, quase toda ela de construção recente”, afirmou. A relação cambial com o real fortalecido (por volta de R$ 2,00 por dólar) agrava a situação dos distribuidores. Embora o valor estável da moeda seja objeto de comemorações, a moeda local forte diminuiu o faturamento e a margem de lucro operacional das empresas. Fácil explicar: o mercado químico usa a moeda americana como parâmetro de preços e, por isso, há pressão para reduzir valores de transação em reais, exigindo vender mais volume para faturar valores idênticos aos de anos anteriores. Além disso, a maior parte dos custos – aluguel, frete, salários e seguros – é expressa em reais e não sofreu redução. “A margem líquida setorial caiu de 3% para 1,8% a 2%”, confirmou Medrano. O Relatório Tendências, elaborado pelo departamento de economia da Associquim com base em informações prestadas por associados, registrou queda de faturamento dolarizado de 4,8% na comparação entre o primeiro trimestre de 2007 com o de 2006.
“O mercado comprador está com baixa atividade”, comentou Medrano. Ele salienta que a importação de matérias-primas químicas não representa perigo evidente para a economia nacional, mas ajuda a agregar valor à produção local e a disputar mercados no exterior. No entanto, a entrada de produtos finais deprime as cadeias produtivas, provocando desemprego e redução da arrecadação tributária. Um fator a considerar é a migração de atividades fabris para fora da região metropolitana de São Paulo, justificada pela elevação do valor dos terrenos, impostos e dificuldades com o transporte de mercadorias. Ao mesmo tempo, vários Estados apresentaram às indústrias paulistas propostas de vantagens tributárias para transferência de unidades produtivas, alargando o êxodo. Cabe ao comércio químico estabelecer operações logísticas e de marketing para atender esses clientes, com ou sem a abertura de filiais. “Essas operações precisam ser bem estudadas, senão há o risco de criar um turismo químico de baixa eficiência que não se sustentará quando acabarem os incentivos”, avaliou o presidente da Associquim. Na área logística, a falta de investimentos oficiais agrava a situação. Nos portos, a tancagem de uso possível por produtos químicos está sendo ocupada pelo álcool etílico a caminho do exterior. Estradas de rodagem, o principal meio de transporte interno, continuam precárias, representando risco para os comerciantes, sem falar na insegurança em relação a roubo de carga. Paradoxalmente, a oferta de crédito para operações comerciais é crescente, embora a juros elevados. Interessados em crescer rapidamente podem se socorrer de linhas específicas para ter capital de giro suficiente para ampliar instalações e volumes de produtos. “O problema é o mercado consumidor pouco interessado em comprar”, afirmou Medrano. Com dados da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, da qual é diretor, ele aponta para o endividamento da população brasileira, muito próximo do limite, um risco para desenvolvimento de negócios. A própria Makeni Chemicals reprogramou seu cronograma de investimentos na ampliação da capacidade de armazenagem em terreno recentemente adquirido. “Vamos esperar para ver o comportamento do mercado para depois acelerar os desembolsos, feitos sempre com recursos próprios”, explicou Medrano. A empresa está abrindo filial na Argentina, com o nome de Inkema Chemical, anagrama da matriz. “A idéia consiste em aproveitar a integração regional”, explicou Medrano. O portfólio inicial será formado com base nas distribuições operadas no Brasil, com ênfase nos setores têxtil, couros, automotivo e de agroquímicos. Os trabalhos logísticos devem ser realizados por terceiros contratados. Líder atinge meta – A Ipiranga Comercial Química (ICQ) alcançou faturamento de R$ 605 milhões em 2006. O valor significou o atendimento da meta estabelecida há cinco anos, que previa duplicar o volume de vendas da companhia. “Todas as metas daquele planejamento qüinqüenal foram atendidas, como a montagem do centro de distribuição, abertura de bases de apoio regional, entrada em novos segmentos de mercado e outras”, comemorou o superintendente da ICQ, Fernando Rafael Abrantes. O resultado é uma distribuidora com porte empresarial, estrutura física e pessoal qualificado para agregar novas linhas de produtos e serviços sem comprometer a qualidade.
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