COMÉRCIO QUÍMICO

Em tempos de lucros reduzidos, a concentração  dos fornecedores
e clientes pressiona distribuidores  a ganhar escala por meio de fusões e
aquisições

Texto de Marcelo Fairbanks e fotos de Cuca Jorge

O ano principiou fraco em vendas e cheio de movimentos de consolidação de atividades no comércio de produtos químicos. A onda de fusões e aquisições começou no ano passado, com a compra da Bandeirante Química pelo grupo Formitex (Brazmo), que já absorvera a mineira R. Fonseca. Os movimentos colocaram o grupo entre as cinco maiores distribuidoras do País.

A líder Ipiranga Comercial Química (ICQ), com faturamento de R$ 605 milhões em 2006, mudou de mãos dentro da venda do grupo homônimo para o trio Ultrapar, Braskem e Petrobrás. O acordo inicial prevê que a distribuidora ficará com a Braskem que, por sua vez, confirmou a permanência do superintendente Fernando Rafael Abrantes. Embora a expectativa atual seja de continuidade dos negócios, com possível mudança na razão social – a marca Ipiranga pertencerá exclusivamente ao grupo Ultra –, especula-se no mercado sobre possíveis movimentos de venda para terceiros. O porte da empresa exigiria desembolso considerável, compatível com grandes players internacionais ainda não estabelecidos no País. A única hipótese de comprador nacional aventada no festival de elocubrações setoriais seria a Petrobrás, cuja distribuidora própria (a BR) mostra interesse em ampliar seus negócios, hoje limitados aos solventes hidrocarbonetos adicionados com o recente acordo para comercialização exclusiva de toda a produção de derivados acéticos da Cloroetil.

No exterior, a gigante Univar, com sede em Roterdã e vendas líquidas de US$ 6,6 bilhões em 2006, pagou US$ 650 milhões em moeda sonante para assumir a norte-americana ChemCentral, detentora de desempenho “modesto” de vendas da ordem de US$ 1,4 bilhões. O negócio foi concluído no dia 19 de abril, quando a compradora aceitou aumentar sua oferta inicial (US$ 600 milhões), que fora batida por lance da arqui-rival Brenntag.

Por sua vez, a Brenntag, pertencente a fundos de investimento, dispondo de caixa gordo, alimentado por vendas líquidas de US$ 7,6 bilhões (2006), comprou a Ulrich Chemical, de Indiana (EUA), de vendas de US$ 82 milhões, reforçando sua posição no Meio-Oeste americano. “Temos tradição em comprar empresas de médio porte focadas em mercados e produtos específicos”, explicou Luciano Foresti, diretor-comercial da Brenntag Química Brasil Ltda. Somando ao negócio a compra de uma distribuidora canadense, a multinacional deve perfazer faturamento total de US$ 8 bilhões, semelhante ao da rival.

Foresti acredita que a corrida entre ambas deve se intensificar na América Latina, continente no qual a Brenntag está em vantagem, principalmente depois de ter comprado a Alquímica, B. Herzog (ambas pertenciam à HCI) e Fenilquímica, todas brasileiras. A empresa já tinha fortes posições em países da região andina, nos quais fatura mais que no Brasil. O subcontinente latino é observado com atenção pelos distribuidores mundiais por se tratar de mercado em crescimento e com fundamentos políticos e econômicos interessantes.

O Oriente Distante, leia-se China, apresenta um enorme mercado, mas incertezas proporcionais. Além disso, há barreiras naturais, como distância geográfica, diferenças de idioma, rotinas comerciais etc. “ Por enquanto, só temos lá operações de procurement, ou seja, de compra para suprir outros mercados”, afirmou. No caso brasileiro, a empresa está mais propensa a crescer por seus próprios meios, mas não descarta a possibilidade de promover aquisições de caráter complementar.

Cuca Jorge

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 “Caixa para isso nós temos”, disse. Entre as metas estratégicas da Brenntag, Foresti cita o fortalecimento das operações no Brasil, México e Argentina, ainda consideradas pequenas.

Fusões e aquisições – O atual ambiente de negócios no Brasil favorece as fusões e aquisições no segmento comercial. “Estão acontecendo movimentos de concentração econômica por parte dos nossos fornecedores e dos nossos clientes, e isso nos deixa sob pressão cada vez mais forte”, considerou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores Químicos (Associquim/Sincoquim) e também presidente da Makeni Chemicals.

 
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