SUPRIMENTOS O grupo de empresas e instituições preocupadas em criar um sistema de fornecedores nacionais para a cadeia produtiva do petróleo (ver QD de fevereiro) acaba de dar mais um passo em favor de tal objetivo. Em 10 de abril último foi firmada uma parceria denominada “Projeto Estruturante da Cadeia Produtiva do Petróleo, Gás e Energia”. Para este ano, o investimento é de R$ 790 mil, no Rio Grande do Sul. A aplicação dos recursos irá resultar em programas de capacitação de um novo time de fornecedores para a refinaria Alberto Pasqualini (a quinta maior refinaria do País) e na unidade termoelétrica (UTE) Sepé Tiaraju, também sediada no site da unidade de refino em Canoas. O convênio assinado envolve o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio Grande do Sul (Sebrae/RS), a Petrobrás, a Rede Petro/RS (programa da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado), a Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), a Innova, a Refap, a Petroquímica Triunfo e a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). O projeto da cadeia produtiva do petróleo, gás e energia é uma das 14 iniciativas desenvolvidas em 11 Estados por meio do Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo (Prominp), um convênio nacional de aprimoramento do setor, capitaneado pelo Ministério de Minas e Energia. As ações englobam a realização de um diagnóstico de impacto ambiental em empresas fornecedoras do setor. Mais de 20 instituições são parceiras no desenvolvimento do Projeto Estruturante da Cadeia Produtiva do Petróleo, Gás e Energia, que contempla diretamente 66 micro e pequenas empresas fornecedoras para o setor no Estado. Indiretamente, são mais de 250 estabelecimentos beneficiados. O Projeto se concentra nas áreas de gestão, mercado, tecnologia e certificação nas questões ambientais e sociais associadas à atividade da cadeia produtiva. O diagnóstico de impacto ambiental também será viabilizado pelo investimento do acordo entre os parceiros e incluirá a elaboração de um plano para a redução da emissão de poluentes. Segundo o presidente da Refap, engenheiro Hildo Francisco Henz, a necessidade de criar uma rede de fornecedores nacionais foi detectada durante as obras de ampliação da unidade, finalizadas no fim do ano passado. “As dificuldades ocorriam principalmente quanto à qualificação da mão-de-obra”, acusou Henz. Com isso, justificou Henz, a Refap era obrigada a importar boa parte dos serviços e dos equipamentos. “A nossa indústria é de precisão e seu alicerce é a qualidade e a segurança. O Projeto Estruturante irá mostrar ao empresário as modificações necessárias dentro do seu empreendimento para se consolidar como fornecedor na cadeia do petróleo e se tornar um exportador de uma ramo da economia 100% globalizado”, analisa Henz. Fernando José Cunha, gerente-executivo de operações da Petrobras, assinalou que a empresa é considerada um grupo estatal. No entanto, lembrou que é uma empresa particular, com milhares de acionistas, que tem no governo federal seu controlador majoritário com 32% do capital votante. “A Petrobrás é fiscalizada muito de perto por seus minoritários e eles querem uma empresa lucrativa. A possibilidade de nacionalizar serviços e produtos é uma alternativa fundamental nesse aspecto”, reforçou o executivo. Na óptica da Petrobrás, a importância de ações de capacitação que beneficiem micro e pequenas empresas fornecedoras do setor é comprometer as micro e pequenas empresas com a qualidade dos serviços prestados de forma permanente ao longo de toda a cadeia. O raciocínio é que no caso de uma determinada obra, como a manutenção de uma plataforma, se um dos elos falhar, pode comprometer todas as outras firmas relacionadas com a prestação do serviço. O diretor-superintendente do Sebrae-RS, a instituição escolhida para pilotar os cursos, auditorias e capacitação das empresas, Derly Fialho, considera imprescindível um programa aos moldes do Projeto Estruturante. Conforme ele, 98% das empresas brasileiras são micro ou pequenos empreendimentos, os quais para prosperarem como fornecedores de uma indústria altamente exigente como a do petróleo precisam enfrentar enormes desafios. “O papel do Sebrae é ensinar o pequeno a fazer aquilo que ele não consegue fazer sozinho”, opina Fialho. Fernando C. de Castro |
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