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CLORO-SODA

Produção alagoana comemora 30 anos

A Braskem comemorou os 30 anos da sua unidade de cloro-soda, localizada em Maceió-AL (antiga Salgema Indústrias Químicas) no dia 20 de abril. O evento homenageou os funcionários mais antigos da planta e contou com a presença de autoridades locais, como o secretário do governo do Estado de Alagoas, Álvaro Antônio Machado. Na ocasião, a empresa anunciou projetos para a construção de uma nova planta de cloro-soda e ratificou a implantação da Cadeia Produtiva Químico e Plástico, projeto destinado à formação de um pólo focado em todos os elos da cadeia do policloreto de vinila (PVC), tendo a petroquímica como empresa âncora.

A história recente do mercado de cloro-soda nacional não instiga muitos motivos para celebrar, pois opera no limite de sua capacidade instalada há alguns anos. Mas esse enredo começa a mudar. O vice-presidente executivo da Unidade Vinílicos da Braskem, Luis Felli, revelou a intenção de construir uma planta de cloro-soda, na Bahia. “Estamos em processo de avaliação e decisão”, comenta. Esse investimento embute a confiança da petroquímica na ascensão do consumo de PVC. Para o executivo, o Brasil vai passar por um momento de grande crescimento em infra-estrutura, sobretudo na área do saneamento básico. Vale lembrar que a maior parte dessa resina (cerca de 60%) se destina para a construção civil.

Por conta dessa expectativa, a Braskem planeja o desgargalamento de 90 mil toneladas do PVC na sua planta de Alagoas. No ano passado, fez o desgargalamento de 50 mil t. “A idéia é utilizar o dicloroetano (EDC) que a gente produz na unidade de cloro-soda e hoje exporta”, explica Felli.

Em curto prazo (estimativa de quatro anos), há cloro suficiente para suprir esse aumento da produção. No entanto, após esse período, o abastecimento passaria a contar também com a nova unidade baiana.

Cuca Jorge

A partir da direita, Feli, Coldote e Butze falam em expansão

As estatísticas do PVC sustentam o investimento. O consumo aparente da resina cresceu 7,3% em 2006, em relação a 2005, segundo dados do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp). A produção acompanhou esse avanço, pois, no mesmo período, subiu de quase 640 mil toneladas para cerca de 675 mil toneladas. Para Felli, em 2007, o mercado do PVC deverá crescer entre 8% e 10%.

Cloro e PVC – Os investimentos em novas plantas de cloro-soda estão atrelados ao destino do cloro. Felli argumenta que o grande desafio do setor é ter uma residência para esse insumo. “A demanda para soda é grande, o que precisamos é uma aplicação para o cloro”, diz. É nesse ponto que o PVC entra. Na opinião do diretor-industrial da Unidade de Vinílicos da Braskem, Helcio Deni Colodete, o cloro acaba sendo o grande elo da cadeia na produção do PVC. “A destinação do cloro para essa resina, no mercado brasileiro, é superior a 80%”, argumenta.

Por tudo isso, a Cadeia Produtiva Químico e Plástico, em Alagoas, parece que começa a se configurar com mais força. Detentora de toda a cadeia vinílica, a Braskem se coloca como empresa âncora do pólo, na medida em que produz a matéria-prima e os insumos. Em conjunto com o governo do Estado, a petroquímica tem buscado atrair o transformador do PVC para a região e assim completar o pólo.

Mas as possibilidades são amplas. Segundo o diretor-comercial de cloro-soda da unidade de vinílicos da Braskem, Fernando Butze, o foco do programa é alavancar a cadeia de PVC. No entanto, ele vislumbra também atrair clientes da soda. “O pólo pode e irá gerar também negócios com a soda. Os negócios são concomitantes”, afirma Butze. O pólo já angariou a participação de algumas empresas do ramo químico e de higiene e limpeza. Diversificadas, as aplicações da soda contemplam a produção de sabões e detergentes e alumina, além das indústrias da celulose e química, entre outras.

Juntos, Braskem e governo, estabeleceram como meta a propagação do PVC para a fabricação de casas pré-moldadas, cuja tecnologia abrange sistemas construtivos em PVC e concreto. Segundo Machado, o projeto coroa o compromisso do governo do Estado de reduzir o déficit habitacional da região. “A utilização do PVC concretiza o nosso objetivo de dar moradia aos alagoanos mais pobres”, diz o secretário. O programa também irá contemplar, em um segundo momento, obras sociais, como unidades de saúde e escolas.

“Queremos que a cadeia se feche”, comenta Colodete. O cloro e a soda cáustica são produzidos simultaneamente pela eletrólise do sal obtido das minas de sal-gema.

Ao reagir com o eteno, o cloro produz o dicloroetano, intermediário do monômero cloreto de vinila (MVC) para posterior polimerização que resulta no PVC, resina a ser transformada

R. Pachione

Machado: entorno tem proteção ambiental

Melhorias na planta - O negócio de vinílicos da Braskem (em Alagoas há a planta de Maceió e a de Marechal Deodoro, de PVC), além de sua importância para a configuração do pólo, tem contribuído com aperfeiçoamentos no mercado cloro-soda. Um exemplo prático se deu na unidade de Maceió, onde, no ano passado, conseguiu-se economizar 20 metros cúbicos de água por hora. “O consumo foi reduzido em cerca de 25%”, orgulha-se Colodete. De atividade eletrointensiva, o setor está às voltas com projetos de automação e modernização tecnológica dos processos. Os resultados têm sido positivos. O caso da Braskem não poderia ser diferente: melhorias nas células fizeram com que, em comparação há cinco anos, o consumo energético na sua planta caísse em 5%. A saber: a unidade de cloro-soda responde por um terço da energia gasta em Alagoas.

Outra maneira de reduzir o consumo energético é a troca dos processos comerciais de eletrólise. No entanto, esse feito é descartado pela Braskem, na unidade de Alagoas, pois a relação custo-benefício não se justificaria. “Só se construirmos uma planta, será com nova tecnologia”, argumenta Colodete. São três os processos eletrolíticos empregados em unidades de cloro-soda: o amálgama de mercúrio (o tipo mais antigo e menos eficiente), diafragma e as membranas poliméricas. Em Maceió, a Braskem opera com células de diafragma de amianto. “Não há nenhuma restrição sob o ponto de vista de negócio ou legislação, pois é uma tecnologia segura e mundialmente aceita”, afirma Colodete. Esse é o processo mais empregado no País, apesar de não ser o mais moderno, o que fica a cargo do processo de membrana.

Pioneira - Considerada hoje a maior produtora de cloro-soda da América Latina, a antiga Salgema foi um marco da industrialização brasileira. A trajetória da planta teve início em 1941, quando na busca pelo petróleo se encontraram as minas de sal-gema. Após 25 anos dessa descoberta, se perfurou o primeiro posto de sal e, em 1977, a Salgema Indústrias Químicas se instalou na Restinga do Pontal da Barra, Maceió.

Nesses 30 anos de operação, a unidade também passou pelo comando da Trikem e desde meados de 2002 é de responsabilidade da Braskem. “Essa indústria é símbolo de progresso e desenvolvimento”, afirma Machado. Na avaliação de Butze, o negócio tomou impulso quando deixou de ser Salgema, ou seja, com a Odebrecht à frente da unidade.

Considerada a maior produtora de cloro-soda da América Latina, a unidade de Maceió responde, de acordo com Butze, por 60% do negócio de vinílicos da Braskem. A planta produz 450 mil toneladas/ano de soda (400 mil t/ano de cloro) e 600 mil t de EDC. De acordo com Felli, a planta de cloro-soda absorve investimentos anuais da Braskem da ordem de 100 mil reais e gera 800 empregos diretos. A unidade tem outros dados importantes para a economia local: consome 80% do gás natural do Estado.

 O entorno das suas instalações também tem relevância. Por isso, durante o evento, Machado destacou o Cinturão Verde, área de preservação ambiental ao redor da unidade, que hoje é reconhecida por sua eficiência na plantação de mudas e manutenção de animais.              

Renata Pachione
 

 
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