Enquanto isso, a PAM, que conta com o apoio da Petrobrás em seus desenvolvimentos, está preparando o pacote de fornecimento para a indústria, ou seja, não só a venda do equipamento, mas a solução completa, que começa com o projeto básico e o executivo, o fornecimento das membranas, a supervisão de montagem e finaliza com o comissionamento, a partida e a operação assistida. “A indústria está interessada no produto final, a água tratada, e não como você vai chegar lá”, diz. O foco, principalmente quando se fala em MBR, é estreitar o relacionamento com o mercado paulista, onde o custo da água a R$ 18,00 o metro cúbico leva os industriais a pensar no reúso de modo sério.

As pesquisas da Coppe (onde há protótipos de MBR montados) e da PAM levam a empresa a poder optar pelos dois modos consagrados de sistemas: o de membranas submersas, onde os elementos ficam mergulhados no biorreator, e os projetados com um circuito de membranas externo ao tanque biológico. O primeiro caso consome menos energia, pois a pressão para fazer o efluente circular na membrana no mesmo tanque é bem menor. Já a configuração com as membranas em um tanque externo demanda mais pressão para a sucção do efluente. Esta configuração, porém, tem mostrado vantagens, como a de filtrar com as membranas um efluente mais bem tratado pelo biorreator, com concentração de sólidos menor (+/- 2%), podendo assim operar com maiores vazões. O módulo submerso trabalha com uma concentração mais elevada de biomassa (10%), o que limita a vazão de operação.

Uma outra opção adaptada de MBR, e divulgada comercialmente pela PAM, é usar os skids de microfiltração para polir tratamentos biológicos existentes. Neste caso, a biomassa passa pelas membranas para tratamento e, após a separação de fase, o concentrado pode retornar ao biorreator para subir a concentração de sólidos, melhorando a etapa biológica. É bom acrescentar que o fato de as membranas da PAM serem de microfiltração não torna o sistema menos eficiente do que os de ultrafiltração. Segundo Ronaldo Nóbrega, isso porque é provado cientificamente que, após um curto período de operação, os poros dessas membranas diminuem, tornando a retenção na faixa similar à da ultrafiltração. 

Petrobrás compra – A existência das duas competidoras nacionais é relevante para criar uma opção de uso de tecnologia de ponta em médias e pequenas aplicações de reúso, no curto prazo, e para tornar este ambiente de negócios, no longo prazo, mais competitivo e menos dependente de tecnologias estrangeiras. Mas a verdade é que, pelo menos por enquanto, as duas brasileiras ainda não têm condições de participar dos grandes fornecimentos e concorrências de MBR, por não contarem com sistemas suficientemente amadurecidos.

O mesmo não ocorre com os fornecedores internacionais, todos eles com uma boa lista de instalações no mundo e know-how consolidado para as principais aplicações. Não é por menos que são estas empresas que participam das primeiras concorrências locais especificadas para MBR. Além disso, as poucas unidades instaladas ou as em processo de instalação são operadas com as tecnologias estrangeiras (com exceção das duas citadas da Biosistemas).     

Fonte: Scheider e Tsutiya, 2001

Dentre os fornecedores, a tecnologia Zenon, da GE Water Technology, é a detentora do maior número de unidades, instalando sistemas com a tecnologia ZeeWeed de membranas tipo espaguete de fibra oca submersas em reatores biológicos sob alimentação a vácuo. Em operação desde 2000, contam com a tecnologia da Zenon módulos de MBR na Natura, em Cajamar-SP, no parque temático Hopi Hari, em Vinhedo-SP, e se encontram em instalação sistemas na fábrica de PVC da Braskem, em São Paulo, e em um terminal de sucos da Citrosuco, no Porto de Santos-SP (ver QD-455, pág. 28). Outra fornecedora com obras instaladas é a japonesa Kubota, por meio da empresa de engenharia licenciada

Centroprojekt, de São Paulo, que forneceu dois pequenos sistemas de membranas em placas planas para uma grande indústria alimentícia de origem suíça, onde prepara uma terceira estação.
 

Cuca Jorge

Nóbrega aposta nas membranas de microfiltração ( ao lado) para fazer sua versão da tecnologia

 Mas há uma forte tendência de esse pequeno número de instalações crescer no Brasil em breve, levando em conta os planos não só dessas empresas com unidades vendidas, mas também dos demais competidores e, principalmente, por causa da demanda em formação em alguns clientes importantes.
 

 
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