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Emulsões e lipossomas – A utilização de partículas nanométricas pela indústria de cosméticos não é recente. Ao contrário, ocorre há um bom tempo. O que diferencia os cosméticos surgidos na década de 90, contendo essas partículas, daqueles obtidos no passado é o domínio que o homem passou a ter no desenvolvimento das fórmulas. Para explicar o fenômeno, Merenna divide os produtos dotados com nanopartículas entre os obtidos com base em dois processos distintos. O mais antigo permite o desenvolvimento de produtos com características físico-químicas de dimensões nanométricas. Nos laboratórios, esse método se baseia na adição de óleos dos princípios ativos e substâncias emulsionantes em água, seguida de homogeneização feita de forma mecânica. A etapa de homogeneização é que garante o aparecimento de gotículas com dimensões minúsculas. Nas linhas de produção industrial, nas quais são exigidas largas escalas, a obtenção de produtos por esse processo é feita de forma similar à dos laboratórios. “O método já é utilizado há milhares de anos”, diz o executivo. A maior novidade nos últimos tempos é a utilização de equipamentos homogeneizadores cada vez mais sofisticados. O outro processo representa o novo e grande desafio para as empresas do ramo. Ele é baseado na fabricação de produtos com fórmulas enriquecidas por nanocápsulas chamadas de lipossomas. Esses nanoativos são produzidos com materiais similares aos encontrados na pele. A presença dos lipossomas nas composições dos cosméticos melhora seus desempenhos de forma significativa, especialmente quando eles se encontram incorporados às nanoemulsões. “Os lipossomas são arredondados, parecem minúsculas ‘cebolas’ formadas por camadas de fosfolipídios e princípios ativos”, exemplifica Merenna. Os diâmetros de tais partículas, em média, variam de cem nanômetros a três microns. “Caso o lipossoma tivesse o tamanho de uma ervilha, uma célula da pele seria do tamanho de um melão”, compara. No âmbito dos laboratórios, a produção dos lipossomas é feita com base em uma técnica bastante conhecida. Em um recipiente arredondado, são feitas misturas que contam com a presença de fosfolipídios e de um solvente, que pode ser clorofórmio ou acetona. A mistura é submetida ao vácuo. O solvente evapora e, nas paredes do recipiente, é formado um filme pelos fosfolipídios. Segue-se a adição de extratos com os princípios ativos desejados para o produto. Esses extratos e a camada de fosfolipídios presente nas paredes se sedimentam no fundo do recipiente em camadas horizontais alternadas, de forma similar à de uma lasanha. Essa “lasanha”, então, é colocada em um aparelho de ultra-som. Por meio do bombardeamento de ondas sonoras no material surgem as nanocápsulas. Se no laboratório o processo não é segredo para ninguém, em escala industrial o método de produção é guardado em sigilo pelas poucas empresas detentoras da tecnologia. “No mundo, existem no máximo dez empresas que conseguem fabricá-los. A Bio-Médicin é a única empresa da América Latina”, orgulha-se Merenna. Os nanoativos da empresa têm a marca Biosome. Essas nanocápsulas também encontram grande mercado na indústria farmacêutica.
Trata-se da insulina, indicada aos diabéticos. Ela já pode ser comprada em versão que permite aos pacientes sua inalação. |
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