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Consumidores aproveitam benefícios gerados por partículas minúsculas
Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento voltados para a busca de produtos eficazes se tornaram fundamentais para a sobrevivência dos fabricantes de cosméticos. A explicação dessa afirmação é simples. Há trinta anos, o comprador desses produtos era desinformado. Acreditava com inocência na publicidade, que anunciava com estardalhaço os “milagres” realizados pelas fórmulas comercializadas pelas empresas do ramo. Hoje, os consumidores são bem mais exigentes e cobram dos fabricantes o desempenho prometido pela propaganda. Nesse cenário, o avanço dos estudos da nanotecnologia surge como uma grande oportunidade de negócios para o setor. O investimento na descoberta das fórmulas dotadas de partículas com dimensão nanométrica, que começaram a chegar aos mercados dos países desenvolvidos nos anos 90, resulta no surgimento de produtos bem mais eficientes. No Brasil, começam a pipocar lançamentos do gênero, feitos por tradicionais indústrias do ramo. “O uso da nanotecnologia pela indústria cosmética vai evoluir de forma irreversível”, resume Giuseppe Merenna, diretor da Bio-Médicin, empresa nacional criada em 1994 e que desde o seu nascimento se dedica com exclusividade aos produtos enriquecidos com componentes nanotecnológicos, da ordem dos bilionésimos do metro. Hoje, a técnica está presente no nicho de produtos dirigidos ao público de maior poder aquisitivo. No futuro, esse quadro deverá ser alterado. “O uso de nanopartículas é muito abrangente e será agregado a produtos populares”, acredita Andréa Costa, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Natura, que acaba de lançar no Brasil o Brumas de Leite, primeiro item da empresa com nanopartículas. Israel Henrique Feferman, diretor de pesquisa e inovação de O Boticário, empresa que em meados do ano passado lançou o Nanoserum, seu primeiro produto do gênero, fala sobre as vantagens das emulsões, como cremes e xampus, que têm massas homogêneas e são formadas por partículas nanométricas de tamanho uniforme. “Elas permitem fazer com que um produto seja dotado de diferentes princípios ativos e que cada um deles atinja diferentes camadas da pele por períodos mais prolongados, o que potencializa de forma significativa os efeitos desejados. Por apresentar diâmetros menores, também possibilitam o aumento da área superficial da pele atingida”, explica. As novas formulações trazem outras vantagens. Uma delas é a obtenção de produtos que proporcionam conforto aos usuários na hora a aplicação. Hoje, cremes hidratantes com embalagens aerossóis já estão disponíveis no mercado. A tecnologia também possibilita a redução dos volumes dos princípios ativos utilizados nas fórmulas, com economia das matérias-primas mais caras das linhas de produção do setor.Vale lembrar que a nanotecnologia ganhou grande impulso a partir da década de 90, quando surgiram no mercado potentes microscópios que permitiram a visualização e a manipulação de partículas na escala nano. O diâmetro unitário dessas partículas está para o diâmetro de uma bola de futebol, assim como o diâmetro da bola está para o do planeta Terra. Quando se encontram nessa dimensão, as substâncias apresentam propriedades diferenciadas, que proporcionam características valiosas em produtos dos mais diversos segmentos industriais. |
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