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Somando-se algebricamente a equação pelas duas diferentes energias se
obtém a energia potencial eletrostática total para um sistema constituído
de duas partículas. Isso equivale a somar graficamente ponto após ponto
para a formação de duas curvas obtendo a curva resultante DPBA (em negro).
Para compreender o significado da teoria DLVO – aplicável quando as forças
repulsivas são pequenas em intensidade e confrontáveis com as de Van der
Waals – é necessário fixar a atenção exclusivamente na curva resultante,
mais do que considerar as energias atrativa e repulsiva.
No diagrama, consideramos duas partículas idênticas com uma pequena carga,
igualmente dispersas em um líquido no qual são insolúveis. Essas
partículas colidem entre si por causa do movimento Browniano, ocorrendo
floculação e sedimentação.
Em particular, quando duas partículas se aproximam uma da outra, ocorre
uma atração eletrostática resultante da atração das forças de Van der
Waals.
Se essas partículas não tiverem a dupla
camada elétrica, ocorrerá a união entre essas partículas.
Em contrapartida, se houver a dupla camada, essas partículas irão se
repelir – em grandes distâncias de separação –, pois quando elas se
aproximam, a distância entre as cargas iguais (na média), é menor do que a
distância entre as cargas diferentes. Essa repulsão impede uma proximidade
maior das partículas e estabiliza o sistema.
No diagrama temos a curva de atração eletrostática em azul (de Van der
Waals), e a curva de repulsão eletrostática em vermelho. Entre as duas
está a curva combinada de ambas, em preto. |
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Estabilidade de suspensões – Dispersões concentradas sólido/líquido
(suspensões) ocorrem em diversas aplicações industriais, como tintas (de
todos os tipos), cerâmicas, cosméticas, farmacêuticas e agroquímicas.
Essas suspensões podem ser aquosas ou não-aquosas e a fase dispersa pode
ser orgânica ou inorgânica. Ocorrem também em uma larga escala de tamanho
de partícula, desde nanopartículas até macropartículas.
O controle dessas propriedades de suspensão é crucial nas suas preparações
e subseqüentes aplicações. Por isso, requer o controle não só das forças
de interação entre as partículas como também o controle das
características de fluxo (reologia do sistema). A formação de estrutura de
três dimensões nesses sistemas é também governada pela interação das
forças entre as partículas. Em suspensões concentradas, as partículas
interagem com muitas colisões entre as mesmas e o movimento translacional
é restrito. Esses sistemas mostram dependência das correlações espacial e
temporal e geralmente são viscoelásticos.
| Diversos estados podem ser alcançados, como os representados na Fig.7.
Os primeiros três estados representam casos de sistemas que são
estáveis no sentido coloidal. O estado A representa uma suspensão com
partículas suficientemente pequenas, tanto que o movimento Browniano
supera qualquer sedimentação gravitacional. Quando as partículas são
grosseiras e uniformes no tamanho, podem alcançar a condição
representada por B e, neste caso se forma uma sedimentação compacta (dilatante), deixando um
sobrenadante claro. |
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Figura 7 - Estados de Supensões |
Se a suspensão tem uma distribuição de tamanho de partícula, as partículas
maiores podem sedimentar rapidamente, deixando muitas partículas pequenas
suspensas na camada superior do meio contínuo, como na situação C. Os
estados D a F representam suspensões coaguladas devido às fortes atrações
que ocorrem entre as partículas. O estado D mostra cargas agregadas, que
podem ser produzidas em uma suspensão relativamente diluída à temperatura
constante e ausência de agitação. Se a suspensão é agitada durante a
floculação, geralmente são obtidos mais agregados compactados, como
ilustrado na fig. E. Em uma fração de volume, o processo de suspensão de agregação produz
cargas e cargas entrelaçadas, que podem se estender por toda a suspensão
(geralmente chamado como estrutura floc), ilustrada na fig. F. O estado
representado na fig. G é o de uma estrutura fraca floculada, por exemplo,
floculação mínima secundária. Desde que a energia de atração, neste caso,
seja relativamente fraca (usualmente menor que 5 kT), a estrutura pode ser
destruída por agitação, resultando em um estado disperso. Essas partículas
que se submetem à floculação fraca dão forma a uma rede de gel. Esse
processo sol-gel, somado à tixotropia, nos dá aplicações interessantes em
muitos sistemas, como por exemplo, nas tintas.
O estado H representa floculação por ponte, que pode ser produzida por
materiais de alto peso molecular sob condições de incompleta cobertura das
partículas.No estado I, temos um caso de floculação fraca, que pode ser
produzida pela adição de um polímero “livre” (não adsorbante). Em uma
concentração crítica desse polímero “livre”, a floculação da suspensão
pode ocorrer como um resultado do gotejamento de cargas para a zona entre
as partículas.O solvente que está na zona entre as partículas é,
entretanto, mais alto que o volume das cargas poliméricas. Essa diferença
entre potencial químico (ou pressão osmótica) resulta em uma fraca atração
entre as partículas, um fenômeno que é conhecido como floculação por
gotejamento.
O papel dos dispersantes – Atualmente definimos dispersante como um tensoativo que mantém uma dispersão de partículas estável em um meio em
que as partículas não são solúveis (a solubilidade dessas partículas no
meio tem que ser menor que 100 m).
No início de séc. XX, os primeiros dispersantes utilizados foram os
sabões. Nos anos 50, a chegada dos tensoativos etoxilados iniciou a
utilização de nonilfenol etoxilado e álcoois graxos etoxilados. Foram
introduzidos nos anos 60 os polímeros de bloco EO/PO (óxidos de etileno e
propileno). No início da década de 80, passamos a usar o noneno vinil
maleato de sódio e também os poliacrilatos de sódio de diversos pesos
moleculares. No começo dos anos 90, foram desenvolvidos os dispersantes
poliméricos que são os mais aplicados atualmente.
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Devido à forma como são construídas as moléculas dos dispersantes
poliméricos, consegue-se um balanço da parte hidrofílica e da parte lipofílica.
| Dessa forma, temos uma atuação muito mais
efetiva que os dispersantes mais antigos. Na Fig. 8 temos
alguns exemplos destes dispersantes poliméricos em apresentação
estilizada.Os dispersantes poliméricos são muito superiores em relação aos demais
dispersantes. A Fig. 9 ilustra como eles atuam, com sua parte hidrofóbica
da cadeia envolvendo a partícula em suspensão, evitando que ela seja
atraída eletronicamente por outra. |
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Portanto, podemos destacar as seguintes vantagens dos
dispersantes poliméricos: formam pouca quantidade de espuma; incrementam a
estabilidade da dispersão; são estáveis em sistemas altamente iônicos;
aplicáveis em sistemas aquosos e não-aquosos; normalmente de baixíssima
toxicidade e/ou irritabilidade e biodegradáveis; permitem trabalhar com
sistemas de alta concentração de sólidos; alta eficiência, sendo
necessárias pequenas concentrações na maioria dos casos de suspensões;
oferecem custo/benefício vantajoso.
De qualquer forma, a cada ano são desenhadas novas estruturas e moléculas
de dispersantes. Acreditamos que em um futuro breve os produtos com os
quais trabalhamos estarão obsoletos. Fabricantes de dispersantes que
investem em pesquisas deverão ter destaque em um futuro próximo.
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O Autor |
Cuca Jorge |
| Claudinei Luiz Quaglio,
atual gerente de mercado da Carbono Química Ltda., de São Bernardo do
Campo-SP, é formado em Química pelas Faculdades Osvaldo Cruz. Em sua
vida profissional, trabalhou no laboratório de desenvolvimento da
divisão agroquímica da Basf, no laboratório de aplicação técnica para
o mercado agro da Oxiteno e também na área de assistência técnica da
Fenilquímica. |
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BIBLIOGRAFIA
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BUENO, WILLIE
ALVES, Ligação de Hidrogênio. Editora da Universidade de São
Paulo/Editora Mcgraw-Hill do Brasil Ltda.
SHAW, DUNCAN J., Introdução à Química dos Colóides. Editora Edgard
Blucher Ltda./Editora da Universidade de São Paulo
HARTZ, DEBORAH ORTEGA, Artigo: Colóides, Universidade Estadual do Rio
Grande do Sul
Site http://www.galenotech.org/teoriaDLVO.htm
JUNIOR, MIGUEL JAFELICCI e VARANDA,LAUDEMIR CARLOS, O Mundo dos
Colóides. Revista Química Nova na Escola número 9, maio de 1999.
Treinamento na Huntsman Corporation – março/2005 |
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