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Texto e fotos de Fernando C. Castro Os projetos industriais de biodiesel começam a pipocar no Rio Grande do Sul. Em 2007, entram em operação três grandes unidades processadoras com produto dentro das especificações da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Juntas terão capacidade inicial para 340 milhões de litros por ano, volume suficiente para abastecer os três Estados da Região Sul durante a primeira etapa, denominada B2, na qual o produto substituirá 2% do produto diesel derivado de petróleo ao qual será misturado. Nessa fase, a demanda nacional ficará em 840 milhões de litros/ano. Quando atingir a etapa B5 (5% de biocombustível na mistura), nos próximos anos, a demanda ficará em torno de 2,4 bilhões de litros. A primeira empresa a entrar em operação com selo provisório de fornecedora da Petrobrás (o definitivo sai após a entrega da carga inicial) foi a BS Bios, com planta industrial em Passo Fundo-RS, para fornecer de 110 milhões de litros. A soja será o carro-chefe entre as oleaginosas utilizadas como matéria-prima. No leilão do governo federal, realizado no ano passado, a BS Bios se comprometeu a fornecer 66 milhões de litros em 2007. Irá ofertar ainda 12 mil e 800 toneladas de glicerina. O presidente do grupo BS Bios, Antonio Roso, ressaltou o posicionamento geográfico estratégico da planta como forma de atender às necessidades logísticas. Ao lado da fábrica está localizado um dos três centros distribuidores de combustíveis do Estado, com tanques da Ipiranga/Ultra, Texaco e Shell, além de um ramal ferroviário de aproximadamente 350 quilômetros com final de linha ao sul na Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, próximo a Porto Alegre. O sistema de vendas é denominado FOB, ou seja, a Petrobrás mandará caminhões para buscar a carga na usina. Aliás, esse é o esquema padronizado de venda do biodiesel. A montagem da BS Bios demandou investimentos de R$ 40 milhões. A outra planta de biodiesel gaúcha, em fase de operação, é a Oleoplan. Irineu Boff, um dos sócios-diretores, lembra que tem o compromisso de fornecer 10 milhões de litros, vendidos nos leilões do ano passado. A Oleoplan dividiu sua entrada na era do biodiesel em duas etapas. Como pertence ao ramo de fabricação de óleo de soja, os proprietários aproveitaram a experiência e montaram inicialmente uma planta-piloto. Nessa primeira fase eram obtidos 60 litros por hora. A unidade de escala da Oleoplan irá processar 13.750 litros por hora, ou 100 milhões por ano, tendo a soja como principal matéria-prima. Boff ressalta que essa será a usina mais próxima do principal centro de distribuição de combustíveis do sul do País, ao lado da Refinaria Alberto Pasqualini. Por isso, a produção escoará por caminhões, que percorrerão 160 quilômetros para descarregar o biocombustível. O grupo de Veranópolis volta os olhos também na direção do comércio exterior, pois o biodiesel gaúcho contará com volume excedente. “O mercado ainda não começou a andar entre os países. Os europeus terão de começar a comprar, porque a capacidade de produção deles está se esgotando”, aposta Boff. De acordo com o empresário, esse também é o caso do Japão, mas ele opina que o fluxo de negócios do biodiesel no cenário internacional é incipiente. A terceira unidade a entrar em operação é a Brasil Ecodiesel, a maior empresa nacional do ramo, com unidades espalhadas em diversas regiões. Trata-se de uma grande fábrica para 130 milhões de litros anuais em Rosário do Sul, norte do Estado. Pela localização, essa usina se beneficiará do centro distribuidor de combustíveis de Uruguaiana, onde há uma excelente integração entre a rodovia e a ferrovia, com acesso à malha de trilhos da Argentina. A unidade deverá entrar em operação no segundo semestre de 2007. |
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