Hoje o cosmético vai além de sua definição clássica. Os fabricantes consideram que os produtos embutem a conotação de bem-estar. A questão é subjetiva. Em muitos casos, são apresentados ao consumidor como fontes de auto-estima. “Faz o papel transformador que permite a cada pessoa realçar o seu melhor”, diz Grynbaum.
 
O conceito também passa pela idéia de oferecer ao consumidor mais qualidade de vida. “Essa nova visão do que representa o cosmético é boa para o setor”, avalia a presidente da Sina Cosmética, Amália Sina. Discussões teóricas à parte, uma coisa é certa: em meio a tantas definições, sobram mais oportunidades para a indústria. Um exemplo é o aumento da oferta de produtos com objetivos terapêuticos, os chamados cosmecêuticos (união das palavras cosmético e farmacêutico). A idéia é agregar os benefícios da beleza aos da saúde em um único produto, sem a necessidade de prescrição médica para sua aquisição. “As vitaminas são bons exemplos”, informa Amália. A Basf, por meio de sua divisão de Química Fina Humana, aposta nessa tendência. No ano passado, apresentou ao mercado global uma série de produtos e soluções de novos ingredientes, com base nesse princípio.

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Grynbaum: nanotecnologia ajuda a melhorar a proteção da pele

Campeão de vendas - No Brasil, os produtos de maior demanda se destinam ao cuidado capilar, configurando o segmento de maior volume e faturamento, de acordo com o relatório “Cosmetics and Toiletries 2006 – Brazil”, realizado pela Factor de Solução/Kline Group. “Essa categoria está cada vez mais focada nos múltiplos benefícios e texturas dos cabelos”, aponta Rose Ghachache, consultora associada da Factor de Solução/Kline Group. O mercado brasileiro possui hoje mais de 500 marcas de produtos para tratamento capilar. Uma característica do segmento também incrementa as vendas desses itens. Cada vez mais, são lançados produtos conjugados, com o mote de que melhoram o desempenho se utilizados combinados. “Essa postura força o consumidor a comprar toda a linha”, argumenta Amália.

O Brasil encerrou 2006 entre os maiores do ramo. No segmento de produtos para os cabelos e perfumaria, o País está no terceiro lugar no consumo global. Também detém a segunda colocação nas categorias de desodorantes e produtos infantis.
No caso de formulações para os cuidados da pele, ainda há muito a evoluir, apesar do aumento da demanda nos últimos anos. Segundo informa O Boticário, 78% das francesas usam cremes para o rosto e o aplicam onze vezes por semana, enquanto 23% das mulheres brasileiras utilizam cremes para o rosto e uma só vez ao dia. Conforme explica Rose, grande parte da população tem rosto com pele mista ou oleosa e este é um fator determinante para os hábitos de consumo. Outro aspecto positivo é a grande oferta de produtos multifuncionais. Eles exercem a função de hidratar, nutrir e prevenir rugas e ainda melhoram a aparência cansada do rosto e servem como protetor solar.
 
Nota-se ainda que a crescente valorização da juventude se destaca entre um dos principais apelos da indústria brasileira de cosméticos. Os produtos para retardar os efeitos da idade têm crescido em vendas e inovações. “Com as melhorias tecnológicas e as descobertas de novos ingredientes, os produtos para o rosto apresentaram resultados surpreendentes”, afirma Rose. O segmento ganhou o reforço da nanotecnologia. Um exemplo é o caso de O Boticário. A empresa lançou com ineditismo um produto com nanotecnologia aplicada em sua fórmula, o Nanoserum. “A nanotecnologia traz enormes benefícios, especialmente nos produtos de cuidados para a pele”, ratifica Grynbaum.  Entre todas as tendências anunciadas, a ABC considera as nanoemulsões uma das mais expressivas.

Cuca Jorge

Kurebayashi: compras em
conjunto reduzem custos

Para Kurebayashi, novos ativos poderão ser veiculados por meio delas, melhorando a eficácia e a segurança dos cosméticos.
 
 Ele também cita os ativos orgânicos, como produtos em ascensão. “Ainda falta legislação específica, mas existem constantes seminários, a fim de definir estas diretrizes”, aponta. Uma das preocupações dos profissionais recai na preservação da natureza. É consenso: só vale a pena investir em ativos naturais, mediante o extrativismo não-predatório.
O uso de ativos naturais obtidos na biodiversidade brasileira também abre as portas de companhias nacionais ao mercado externo, ampliando seu caráter internacional. Segundo Natália, no último congresso “In Cosmetics”, realizado no ano passado em Barcelona, na Espanha, as empresas que exploram os ingredientes naturais brasileiros tiveram destaque. “O consumidor de mercados internacionais valoriza bastante tais apelos”, conta Natália.

Cuca Jorge

Natália: ingredientes naturais atraem consumidor estrangeiro

Em evidência – Há algum tempo a indústria despertou para novos públicos consumidores, além do feminino. Os homens, como já é sabido, têm engordado as vendas de cosméticos. “Não se trata de uma explosão de consumo de uma hora para a outra, mas de um crescimento consistente ano a ano”, constata Grynbaum. Grandes empresas internacionais como Lancôme, Biotherm, L´Oréal, Shiseido e Clinique já possuem linhas masculinas de cuidados com a pele no mercado brasileiro, há alguns anos, segundo observa Rose. O “Cosmetics and Toiletries 2006 – Brazil” também diagnosticou outras tendências, como uma nova geração de cosméticos, os “tweens”, para crianças a partir de oito anos, e os produtos para a terceira idade.

O desenvolvimento específico de linhas cosméticas direcionadas para etnias já se sobressaiu muito no passado. Acomodada, essa tendência abre novas frentes de atuação. Para Pedro, muitas linhas não buscam mais a conotação étnica e sim contemplam necessidades variadas. “A tendência dos produtos étnicos está desaparecendo. O Brasil é uma mistura de raças”, diz. O mercado de produtos afro-étnicos teve início no País há mais de dez anos. Os primeiros desenvolvimentos se destinaram ao tratamento dos cabelos, sobretudo do público da raça negra. Com o passar do tempo, constatou-se o interesse de consumidores de outras etnias em produtos para cabelos crespos, obrigando a indústria a ampliar o apelo das linhas para um caráter universal e não mais restrito a mulheres negras. Outra mudança ocorrida se deve ao tipo de produto. Os cabelos deixaram de ser os únicos contemplados com essas linhas específicas. Surgiram itens para corpo, desodorantes e sabonetes, entre outros.
 

 
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