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A Rohm and Haas tem por estratégia adaptar a tecnologia disponível às
condições do mercado local, definindo o portfólio mais adequado; otimizar
processos para atuar sempre na condição mais econômica, sem prejuízo de
qualidade e segurança; e aproveitar as sinergias internas da companhia
multinacional, com gerenciamento da cadeia de suprimentos dos ingredientes
ativos.
Considerando que o formol e seus liberadores estão na berlinda em âmbito
mundial – devem ser banidos dos produtos domissanitários brasileiros no
fim de junho deste ano – é preciso preparar a sua substituição. “Estamos
procurando produtos sinérgicos a CMIT/MIT que possam substituí-los nas
formulações”, comentou Junho.
| “Há duas alternativas com
custos próximos ao das isotiazolinonas já preparadas para entrar no
mercado.” Barrar o formol causaria alguns transtornos, mas poderia
permitir aos fornecedores de biocidas uma oportunidade para inovar e,
talvez, recuperar rentabilidade. O formol é tecnicamente útil, por ter
ação rápida e permitir trabalhar com dosagens relativamente baixas de
CMIT/MIT. A diretriz européia tende a impor o limite de 15 ppm dessa
mistura nas tintas para que as latas não recebam a frase de risco R43,
que identifica produtos prejudiciais à vida aquática. A aposição de
códigos de risco nas embalagens acarreta o efeito colateral de
afugentar eventuais consumidores. |
Marcelo Fairbanks |
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| Rohr: dosagem dos liberadores de formol é menor que limite
europeu |
“Os liberadores de formol ainda não foram banidos na Europa, mas houve
uma fase de registro, encerrada com a solicitação de testes de
mutagenicidade e toxicologia para avaliação posterior”, explicou Otto Rohr,
diretor-presidente da Miracema-Nuodex. Os testes solicitados são caros
(custam cerca de um milhão de euros por produto) e demoram para ser
concluídos. Enquanto isso, o mercado se mantém em expectativa. A Miracema,
que exporta alguns intermediários para liberadores de formol teme perder
esse negócio, caso as decisões oficiais sejam mais restritivas.
“Os próprios europeus começam a admitir que há exageros na nova
regulamentação, tanto no caso de produtos existentes quanto nos novos
desenvolvimentos”, disse Rohr. Os frutos mais recentes das pesquisas
precisam passar por testes e análises de custo extravagante, inibindo a
atuação de cientistas independentes e pequenos laboratórios que sempre se
destacaram pela criatividade. Muitas das novidades em elaboração são
claramente menos tóxicas e agressivas ao ambiente que os produtos a
substituir, mas devem ficar nas prateleiras aguardando o momento certo de
entrar no mercado.
Quanto aos liberadores de formol, Rohr considera que as alternativas hoje
disponíveis são mais caras e menos eficientes no controle microbiológico.
Para ele, os liberadores são seguros e atendem às exigências de manter o
ambiente de trabalho com teor máximo inferior a 0,5 ppm no ar. “Todos os
testes feitos com paredes recém-pintadas em ambientes fechados nunca
apresentaram teores de formol no ar superiores a 0,3 ppm”, comentou.
Introdutor do conceito de formulação de biocidas no Brasil, em 1981,
motivo que lhe garantiu a liderança do segmento por vários anos, Rohr
considera ser necessário investir em novos diferenciais em relação aos
concorrentes. O pioneirismo foi estendido à prestação de serviços de
análises microbiológicas de insumos, produtos e processos, chegando ao
monitoramento total das instalações. “Esse foi um grande diferencial, mas
hoje é padrão de mercado. Nós, os fornecedores, ficamos só com os custos e
com a responsabilidade”, lamentou. Para ele, as formulações biocidas do
Brasil são as de menor preço de venda em todo o mundo, com reflexos
imediatos na remuneração. Contribuiu para isso, também, a queda de preços
das moléculas ativas, como a CMIT/MIT, que despencou de US$ 20/kg em 1981,
para US$ 6 a 7/kg atualmente.
Analisando a situação atual, Rohr recomenda observar o preço do
formaldeído que está em elevação por conta da alta do metanol, usado para
sua síntese. Ele explicou que a CMIT/MIT ataca as membranas celulares das
bactérias, expondo seu núcleo, que tem pH ácido. Os liberadores, como os
semi-acetais, perdem a estabilidade em meio ácido e liberam formol,
destruindo as proteínas nucleares, matando as bactérias.
| “Não há liberação de
formol livre para o ar, tudo o que é liberado é consumido para
inativar as proteínas”, explicou Rohr. A Miracema coloca dois
diferentes semi-acetais nos formulações in can, com isotiazolinonas.
Um age rapidamente, como descrito, enquanto o outro tem vida útil bem
mais longa e ajuda a proteger a área vazia das latas, o chamado
headspace. |
Cuca Jorge |
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Pereira Leite:produção nacional
de biocidas é competitiva mundialmente |
“A CMIT é eficiente para matar bactérias nas linhas de produção, mas
desaparece nas latas em um período de dois a três meses; doses maiores
representam desperdício”, afirmou. A Miracema iniciou sua atuação com
microbicidas para tintas com produtos fornecidos e licenciados pela alemã
Bode, dona da marca Bodoxin, há mais de cinqüenta anos atuante na Europa.
Nacionalização de insumos – A popularização das isotiazolinonas
e seu uso crescente em tintas e outros segmentos, como domissanitários e
cosméticos, estimulou a brasileira Ipel Itibanyl a investir para contar
com capacidade própria para 2,8 mil t/ano de biocidas em Jarinu-SP. A
linha multipropósito pode sintetizar a CMIT/MIT, a MIT e a
n-octilisotiazolinona (OIT), além de outros ativos, incluindo guanidinas,
liberadores de formol como as triazinas e oxidazodolinas. A fábrica entrou
em operação em meados de 2003.
“A despeito da superoferta das isotiazolinonas no mercado mundial, nós
conseguimos ser competitivos até com produtos chineses”, afirmou Luiz
Wilson Pereira Leite, diretor de marketing e novos negócios da Ipel,
desmentindo boatos de interrupção da produção. O processo produtivo
adotado é peculiar e está em fase de patenteamento pela própria empresa. A
produtividade elevada ajuda a exportar ingredientes até para a Malásia e
Vietnã.
Pereira Leite explicou que o ingresso na fabricação permitiu diferenciar
produtos, tanto em graus de concentração, diferentes dos 14% usuais para a
CMIT/MIT, quanto em pureza (faz grau cosmético), além de dominar as
técnicas de estabilização. “Geralmente, para dar estabilidade à CMIT/MIT
são incorporados sais de cobre ou magnésio, mas também podemos usar sais
monovalentes ou teores reduzidos de sais, conforme a necessidade dos
clientes”, explicou. A fábrica também permitiu à Ipel suprimento garantido
de quantidade e qualidade para apoiar sua política de desenvolvimento de
negócios que a coloca nas primeiras posições entre os fornecedores de
biocidas para tintas.
A repetição da fórmula consagrada de formaldeído associado às
isotiazolinonas na proteção na lata é criticada por Pereira Leite por
inibir o desenvolvimento de alternativas mais avançadas. “Lançamos a linha
verde de ativos biocidas sem nenhuma restrição de uso em qualquer lugar do
mundo, mas só a vendemos fora do Brasil”, lamentou.
O foco no preço e o
predomínio de tintas econômicas reverteu a tendência de usar produtos
nobres nas tintas, provocando um retorno ao passado, aos ativos mais
antigos e em dosagens muito baixas.
“A longo prazo, o mercado deve preferir tintas com desempenho superior,
como acontece nos países desenvolvidos”, disse. |
Paulo Igarashi |
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| Griebel recomenda comparar os biocidas pelo custo de aplicação |
Na proteção in can, porém, ele admite que não há maiores problemas.
Como as linhas produtivas são higienizadas e os principais insumos recebem
tratamento bactericida, os cuidados se tornaram simples. “A proteção das
latas fechadas é eficiente, mas depois de abertas, não se garante a
durabilidade”, comentou.
“O biocida não faz milagre, a linha de produção precisa ser limpa e a água
de processo também requer cuidados, assim como os slurries e as
dispersões”, afirmou Roberto Griebel, gerente de vendas para a região do
Cone Sul da área de proteção de materiais/biocidas da Lanxess, responsável
pela linha Preventol (criada pela antecessora Bayer). O Preventol D-6 é
formado por CMIT/MIT com um liberador de formol, uma receita de preço
competitivo, exigência atual do mercado. “Preferia oferecer a mistura de
CMIT/MIT com bronopol ou dibromocianobutano (DBDCB)”, comentou Griebel. O
DBDCB puro, a linha Tektamer, é um potente bactericida, aprovado pela FDA
(Food and Drugs Administration, dos EUA), mas é muito caro para ser usado
isoladamente em tintas, só sendo indicado em situações específicas.
As restrições em preparação na Europa podem provocar mudanças no portfólio
da Lanxess. Griebel comentou que o custo elevado dos testes e ensaios
toxicológicos e ambientais vai aposentar vários ativos, estreitando o
“cardápio” de moléculas biocidas da companhia. “Como a aprovação de novas
moléculas é inviável, nos valemos dos desenvolvimentos dos ingredientes
para as linhas de defensivos agrícolas, promovendo ajustes de dosagem,
formulação e formas de apresentação”, explicou.
Aos compradores de biocidas, ele recomenda comparar o custo total de
aplicação de cada produto, em vez de decidir com base apenas nos preços
unitários de cada item. Alguns princípios ativos valiosos são aplicados em
doses até dez vezes menores que as formulações mais baratas, segundo
Griebel.
Mercado disputado – O panorama atual do mercado de biocidas
evidencia grande número de companhias ofertando produtos muito parecidos,
para não dizer iguais, nas chamadas “linhas de combate”, produtos de
preços mais competitivos. Isso gera uma pressão baixista, capaz de tornar
desinteressante o segmento de tintas para alguns fornecedores.
| “O mercado geral de tintas no
Brasil é decepcionante para biocidas, só compensa atender a alguns
nichos mais exigentes”, afirmou Roberto Caforio, gerente de vendas de
performance chemicals da International Specialty Products (ISP). A
empresa ingressou no mundo dos biocidas por meio da aquisição da
Creanova, antes pertencente à Degussa, em 2002. |
Cuca Jorge |
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| Caforio: esforços para oferecer produtos amigáveis ao ambiente |
No Brasil, esses produtos entraram para o portfólio em 2005,
sendo acompanhados de um laboratório microbiológico. A idéia inicial da
ISP era usar as instalações para suporte e complementação de serviços para
os Estados Unidos. “Resolvemos depois intensificar nossa atuação no Brasil
e o segmento de tintas, pelo seu tamanho, foi um dos alvos selecionados”,
considerou. Ao constatar que os compradores locais são orientados a preço,
Caforio preferiu centrar esforços entre os grupos multinacionais que, em
geral, seguem as especificações técnicas dos países de origem. “Além
disso, somos fornecedores globais de alguns fabricantes internacionais de
tintas”, disse. Mesmo assim, outros segmentos, como alimentos e cosméticos
valorizam mais os produtos e serviços oferecidos.
| A esperança do gerente de vendas consiste
na introdução de regulamentos sanitários e ambientais mais rígidos,
capazes de induzir a sofisticação dos insumos. A ISP adotou como lema
o uso de produtos verdes, com apelo ambientalmente correto. |
Cuca Jorge |
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Gonçalves: normatização rígida
pode desencadear fusões e aquisições |
Isso é feito com modificações na apresentação dos biocidas,
desenvolvimento de formulações e outras estratégias, porém com a
eliminação de emissões de produtos orgânicos. “Além disso, estamos
atualizando nosso portfólio, integrando os produtos da Biochema alemã e da
Progiven francesa, por exemplo, que foram adquiridas pela ISP
recentemente”, explicou.
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