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Biocidas
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Sofisticação de tintas e avanços da construção civil animam produtores |
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Marcelo Fairbanks |
Empresas
ligadas à proteção das tintas contra ataques de bactérias, fungos e algas
podem alimentar boas expectativas para o futuro. A construção civil
começará a apresentar em 2007 os primeiros frutos dos incentivos oficiais
concedidos nos últimos anos, com reflexos esperados na venda de tintas
decorativas imobiliárias, segmento de mercado que mais consome biocidas.
Além disso, nichos de mercado mais exigentes em controle microbiológico,
como tintas hospitalares, tendem a ocupar espaço significativo nas vendas
setoriais, exigindo tecnologia avançada e mais valiosa.
Alcançar esse futuro róseo exige superar a fase atual de elevada
competição e de oferta de produtos de baixo valor, quadro depressor da
rentabilidade dos fornecedores de biocidas para a indústria de tintas. A
instituição de normas oficiais restritivas, nos moldes da diretriz
européia (BPD, de Biocide Products Directive), criaria halos de inibição
de concorrência e favoreceria alguns detentores de patentes. Ao mesmo
tempo, poderia desagradar fabricantes de tintas e seus consumidores,
forçados a pagar mais caro pelos produtos finais.
Essa percepção do benefício obtido com o uso adequado dos biocidas ainda é
tênue no Brasil. A opinião geral dos fornecedores desse tipo de insumo
aponta para a hegemonia da preocupação com custos, ainda que ínfimos
quando comparados ao peso das resinas e do dióxido de titânio. Fabricantes
de tintas também argumentam que alguns de seus insumos (slurries, resinas
e pigmentos dispersos) já carregam um residual de preservantes,
suficientes para manter íntegras as tintas nas latas fechadas, ou, pelo
menos, abater a dose de biocidas a aplicar. Do ponto de vista técnico,
essas afirmações não se sustentam, mesmo considerando o fato de as tintas
serem comercializadas com grande velocidade nos pontos-de-venda, adeptos
de políticas de estoques mínimos e gerenciados no sistema Fifo (first in,
first out).
Como a proteção na lata (in can) é mais corriqueira e ainda enfrenta esses
conceitos, imagine-se a situação dos produtos destinados a proteger a
tinta aplicada, na forma de filme seco. Nesses casos, a idéia é prevenir o
ataque de fungos, que se alimentam dos constituintes hidrocarbônicos da
tinta, e também a proliferação de algas, estas apenas apoiadas no filme.
Ambos deterioram o aspecto visual das superfícies protegidas. Embora o
Brasil seja um país predominantemente tropical e úmido, condições
favoráveis ao desenvolvimento desses microrganismos, a incorporação de
biocidas específicos é atributo quase exclusivo das linhas premium.
Os fornecedores desses aditivos químicos alertam para a fraude corriqueira
praticada por alguns fabricantes de tintas que estampam em suas embalagens
a informação “antimofo” sem ter o cuidado de adicionar os biocidas
específicos. Os consumidores parecem não se importar. É costume brasileiro
pintar as residências antes de cada Natal, para bem impressionar as
visitas, tornando a durabilidade da película um aspecto pouco valorizado.
A maior aplicação de programas de qualidade mínima, como o criado pela
Abrafati, além da normalização oficial de tintas tendem a tornar a
durabilidade um quesito exigível legalmente, induzindo a maior aplicação
de insumos. Isso, porém, não quebrará o paradigma atual de commoditização
do segmento dos biocidas. Alguns fornecedores esperam que as normas em
evolução na Europa e Estados Unidos venham a apresentar efeitos indiretos
sobre o mercado nacional. Isso se dará pela adoção de padrões globais de
segurança e meio ambiente adotados por algumas companhias internacionais,
nas quais a vedação do uso de um insumo na matriz repercute em todas as
suas filiais.
As tintas imobiliárias se destacaram na eliminação de pigmentos com metais
pesados (por si mesmos biocidas) e dos solventes orgânicos de efeito
inibidor aos microrganismos. As primeiras formulações de base aquosa
usavam também espessantes celulósicos, ainda mais apetitosos para as
bactérias, progressivamente substituídos pelos produtos sintéticos,
denominados associativos. Por isso, a linha imobiliária se destacou como
consumidora de biocidas. As tintas industriais e os esmaltes começam a
adotar o conceito de base aquosa, abrindo caminho para a venda desses
preservantes, agora para itens muitas vezes especificados em normas
técnicas, com exigência de desempenho mais apurada.
Proteção na lata – As tintas imobiliárias geralmente saem das
fábricas em embalagens capazes de conter um galão (americano, de 3,6
litros) ou submúltiplos, ou nas conhecidas latas de 18 litros. Em todos os
casos, é necessário garantir que o produto chegue às mãos dos consumidores
em perfeitas condições de uso. Por serem constituídas em sua maioria por
resinas em solução aquosa, as tintas são materiais adequados à nutrição de
bactérias de várias origens, desde a água usada na preparação, até esporos
carregados por ingredientes. Ao proliferarem, esses microrganismos devoram
parte dos constituintes das tintas, liberando gases, alguns com cheiro
desagradável (sulfídrico), ou em volume suficiente para estufar as
embalagens, evidenciando o apodrecimento. A tinta degradada perde suas
propriedades técnicas, tornando-se imprestável para uso.
Atentos ao problema, elevado ao máximo pelas altas temperaturas do País,
os fabricantes de tintas há anos adotaram biocidas para garantir a
preservação. Atualmente, há poucos relatos de lotes devolvidos à origem
por esse motivo. No entanto, não são raros os casos de a tinta apodrecer
bem pouco tempo após a abertura das embalagens, desaconselhando a guarda
de restos para retoques posteriores.
A proteção in can é domínio quase absoluto das formulações de
isotiazolinonas (a dupla cloro-metil e metil, a chamada CMIT/MIT) com
formaldeído ou produtos liberadores de formol. Trata-se do melhor
custo/benefício nas condições atuais de mercado.
Pioneira nas isotiazolinonas, a Rohm and Haas dominou por anos o mercado
de proteção in can, com a linha Kathon, tendo a seu lado os privilégios de
patente. A caducidade desta, ocorrida em meados dos anos 90, abriu caminho
para concorrentes e fez com que a empresa perdesse posições no ranking
setorial.
| Em 2000, com a compra
da suíça Acima, a companhia passou a dispor de tecnologia de
formulações e de estabilização de biocidas. Com isso, reformulou sua
atuação e voltou a tomar espaços de mercado. “Antes vendíamos as
isotiazolinonas diretamente para os fabricantes de tintas, agora
contamos com portfólio amplo com garantia de suprimento e expertise
para resolver problemas usando formulações biocidas”, explicou Marcelo
F. Junho, gerente de mercado de preservação, higiene e biocidas para a
América Latina da Rohm and Haas.A empresa opera fábricas de princípios
ativos em vários países, com os quais supre a fábrica de formulações
da Jacareí-SP, onde tem à disposição reatores para estabilização de
produtos e até para realizar algumas sínteses, se necessário e
economicamente viável. |
Cuca Jorge |
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| Junho prepara dois substitutos do formol para o mercado local |
“A maior parte dos ingredientes é importada”, admite. Os custos ainda
são o principal fator de seleção no mercado nacional. Ele comenta que a
indústria de tintas sofre pressões há dez anos para manter seus preços
comprimidos e atender clientes de menor poder aquisitivo, fatia de mercado
que se tornou preponderante depois do Plano Real, iniciado em 1992.
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