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Hoje a Rohm and Haas conta com uma linha especial de resinas catiônicas
e aniônicas, denominadas Amberjet UP, fornecidas já regeneradas com ácido
e soda com alto grau de pureza (PA, de Pró-Análise). “Quando saturam, as
resinas são inteiramente trocadas para evitar impureza”, explica o
gerente.
Empregadas nos sistemas de UPW na dessalinização primária e secundária e
mais comumente como polimento para reduzir a fuga de sódio e sílica do
duplo passo de osmose reversa, as resinas de troca iônica dos outros
produtores também já são específicas para a aplicação. A outra grande
fabricante, a Lanxess, possui uma linha completa para uso em água
ultrapura. Aliás, de acordo com o chefe de vendas, Klaus Axthelm, na
unidade fabril em Leverkusen, na Alemanha (originária da época da Bayer),
há até uma sala limpa, com todos os requisitos de esterilidade, para
produzir as resinas.
Segundo Klaus, esses cuidados são necessários para garantir aquilo que a
empresa concluiu ser primordial no emprego da tecnologia de troca iônica
na produção de água ultrapura: a purificação da própria resina. “A nossa
linha é tratada e purificada para não liberar lentamente nenhum subproduto
originário da sua composição estirênica e acrílica”, comenta. Atingir a
meta de remoção dos sais, segundo diz, qualquer resina consegue, mas nem
todas garantem que elementos como trimetilamina, boro, lítio, cálcio,
entre outros, não sejam liberados com risco de contaminação da água. “A
nossa resina foi testada por um laboratório independente”, diz. Klaus
afirma já comercializar dessas resinas no Brasil, para um cliente que
prefere não revelar o nome. Segundo diz, o sistema pode ser regenerado com
ácido e soda PA, mas há casos em que as empresas exigem muita pureza e
optam por trocá-lo após a saturação.
A Purolite também tem uma linha voltada para água ultrapura para
semicondutores e outras aplicações como produção de água para injetáveis.
Trata-se da linha de resinas PicoPure, também fornecidas já regeneradas
como as da Rohm and Haas e com alto grau de pureza. Segundo o
gerente-geral da Purolite no Brasil, Fábio Sousa, são grades de gel
polimerizadas com estireno-divinil-benzeno, o que garante resistência à
fragmentação e alta durabilidade. O uso mais comum dessas resinas são em
leitos mistos para polimento de desmineralizadores do circuito de
recirculação da água ultrapura. Uma outra aplicação bem difundida é para
produção de UPW na indústria farmacêutica.
Por enquanto, a PicoPure foi vendida no Brasil apenas para uso em
laboratórios, para produção de água para análise. Mas Fábio Sousa acredita
no desenvolvimento do mercado eletroeletrônico no Brasil, sobretudo na
produção de displays de tela plana e outros sistemas para TV digital.
“Estamos acompanhando esse mercado com entusiasmo e acho que no futuro
teremos negócios na área”, diz. Já muito vendidas na Ásia, a linha
PicoPure tem uma peculiaridade: não pode ficar muito tempo em estoque.
“Ela é muito controlada, para evitar contaminações”, afirma.
Grau farmacêutico – Enquanto não se cria o novo mercado em
semicondutores no Brasil, a demanda para água ultrapura continua
concentrada nas aplicações farmacêuticas. Neste caso, as aplicações são
subdivididas em dois campos: a chamada água PW (purified water), empregada
na produção de medicamentos orais, comprimidos, fitoterápicos e géis, e a
água para injetáveis, a WFI (water for injectables). Logicamente a última
tem padrões maiores de exigência, pois entra em contato direto com o
sangue das pessoas.
No Brasil, por não contar com legislação própria para essas aplicações, a
indústria e a própria vigilância sanitária na fiscalização utilizam os
parâmetros das farmacopéias norte-americana (USP) e européia (Ph Eur) para
basear o tratamento dessas águas. As preocupações de ambas não chegam a
ser tão rigorosas na questão da salinidade, como no mercado de
semicondutores, mas o mesmo não se pode dizer na questão microbiológica,
por motivos óbvios de evitar contaminações perigosas ao ser humano.
Para o padrão USP, por
exemplo, a água purificada precisa ter condutividade menor do que 1,3
mS/cm, enquanto a européia estipula o limite de apenas 4,3 mS/cm. Para
a WFI, os americanos exigem o mesmo e os europeus aumentam o rigor
para 1,1 mS/cm. Já na questão bacteriológica, a água purificada, para
as duas normas, deve ter o limite de 100 cfu/ml (unidades de formação
de colônia), e a WFI precisa atender ao rígido padrão de 10 cfu/ml.
Para chegar a esses limites, os fabricantes de sistemas projetam
unidades específicas, com acabamento vedado em aço inox 316, e algumas
delas possuem até equipamentos de prateleira.Um exemplo é a Veolia
Water Systems, que conta com três linhas modulares para água
purificada. |
Cuca Jorge |
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Faus: sanitização a quente
em UPW para fármacos |
A série Orion, a mais sofisticada, utiliza pré-tratamento com
filtro e abrandador, osmose reversa e eletrodeionização (EDI). O maior
trunfo do sistema, segundo o gerente de vendas da Veolia, Francisco Faus,
é a sanitização a quente de todos os equipamentos, no chamado anel do
sistema, etapa de desinfecção exigida nos equipamentos do processo e
normalmente feita com insumos químicos. “Utilizamos água para recircular a
85ºC nos intervalos da produção”, diz Faus. Os módulos Orion são para
vazões de 500 a 6.000 l/h. Um deles já foi vendido no Brasil para a Novo
Nordisk, de Montes Claros-MG, produzir água para fabricar insulina.
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A linha intermediária é a Quattro, com controle mais simples e
sanitização química (ácido peracético e peróxido de hidrogênio). Também se
baseia em osmose reversa e na eletrodeionização, esta última, fornecida
pela americana Ionpure, consiste em um sistema com câmaras poliméricas
catiônicas e aniônicas que, sob voltagem elétrica, realizam a troca iônica
ao mesmo tempo em que são regeneradas continuamente. Este equipamento
atende a vazões de 500 a 3 mil litros por hora. O terceiro sistema, o mais
simples de todos, é o SDI Pharma, ainda baseado em leito misto de troca
iônica e integrado com UV para redução de TOC, com capacidade para mil a 3
mil l/h. Trata-se de um sistema disponível para locação, sem necessidade
de regeneração pelo cliente, uma vez que a Veolia possui unidade para
realizar este serviço em Cotia-SP. “Apenas trocamos os cilindros de
resinas quando as dos clientes estão para saturar”, explica o gerente.
Estas outras modalidades de fornecimento devem fazer mais parte dos planos
da Veolia. A idéia é ofertar um pacote difundido pela matriz francesa da
empresa denominado All in Pack. Nele, a Veolia fornece o equipamento em
regime de leasing financeiro, com manutenção agregada. “O cliente paga por
mês, pelo equipamento, consumíveis e assistência técnica”, diz Faus. A
modalidade é voltada principalmente para os sistemas mais caros, o Orion e
o Quattro. Bom ressaltar que os skids são fabricados na unidade da Veolia
na Argentina. |
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