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A estratégia imita o ocorrido há alguns anos na China e na Índia,
países que construíram centros estatais similares de design, prototipagem
e fabricação de chips, para desenvolver a infra-estrutura e os recursos
humanos necessários para a implantação de um complexo industrial
eletroeletrônico. O resultado foi mais do que satisfatório: a China atraiu
os maiores produtores mundiais e exporta hoje mais do que US$ 200 bilhões
em bens de tecnologia e a Índia também recebeu investimentos bilionários.
| E, se depender do andamento
da obra, a primeira da América Latina, o plano federal não é uma
bravata. O projeto está realmente em execução, o que já inclui a
preparação da unidade de água ultrapura, cuja concorrência
internacional foi vencida no início de fevereiro pela filial da
norte-americana GE Water and Process Technologies. |
Cuca Jorge |
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Piaia: GE vendeu unidade para
fábrica nacional de semicondutores |
De acordo com o líder do grupo de soluções em equipamentos da GE,
Rolando Piaia Jr., foi uma disputa de um ano e meio entre grupos globais
especializados, com e sem filiais no Brasil. “É um contrato de alta
especificação, que precisa atender aos padrões de água em níveis de ppt”,
explicou Piaia.
O sistema da GE para o Ceitec, embora coberto de sigilo, engloba um pacote
de tecnologias em módulos que, segundo o executivo, representa o
estado-da-arte da água ultrapura. Mesmo sem afirmar qual é a seqüência do
sistema, Piaia revela que fazem parte da planta um duplo passo de osmose
reversa, a eletrodeionização (EDI) para polimento, colunas de troca
iônica, membranas de ultrafiltração, membrana de remoção de gases (GTM, no
caso para remover gás carbônico dissolvido) e equipamentos de radiação por
ultravioleta (UV). E isso com válvulas e tubulações em PVDF, considerado
um plástico de baixa condutividade, com sistemas termossoldados, para
evitar retenção de micropartículas nas interferências das soldas.
Além disso, segundo Piaia, o sistema incluirá um novo conceito de osmose
reversa, patentetado pela GE com o nome de Hero (High Efficiency Reverse
Osmosis). Pela primeira vez no Brasil, trata-se de um processo que permite
a membranas especialmente selecionadas pela GE operarem a pH médio
alcalino, de 10 a 10,5. Isso faz as membranas não correrem riscos comuns à
tecnologia, como o surgimento de biofouling (filme microbiológico que
incrusta as paredes das membranas), pois nesse pH não há proliferação de
microrganismos. Materiais orgânicos também se mantêm dissolvidos e sólidos
ficam suspensos, não aderindo na membrana.
Essa possibilidade de operar com pH alto aumenta a recuperação da água da
média normal de 70% da osmose reversa para 90% a 98% no primeiro passo e,
de 85% a 90% no segundo. Para Piaia, a tecnologia só é possível graças ao
pré-tratametno extremamente eficiente. Começa, no caso do fornecdio para o
Ceitec, com um leito de resina catiônica fraca, para remoção de dureza da
água. Após isso, a regeneração com ácido clorídrico acidula a água,
gerando gás carbônico dissolvido.
Aí será necessário incluir uma unidade do equipamento GTM (gas transfer
membrane), tecnologia que utiliza membranas capilares de PP para remover
os gases dissolvidos. Esse processo garantirá uma água sem alcalinidade e
quase sem o CO2 (abaixo de 10 ppm). Dessa forma, explica o executivo,
torna-se muito fácil aumentar a alcalinidade, bastando um pouco de soda
cáustica.
Toda a tecnologia GE em UPW, herança do portfólio de empresas adquiridas
nos últimos anos (Glagg e Ionics), garantirá para a fábrica brasileira de
semicondutores uma vazão de recirculação de 45 m3/h e de 39 m3/h no
sistema de reposição. Com o tratamento feito com a água de abastecimento
público de Porto Alegre, o sistema vai assegurar um grau de pureza
extremado, o que significa os seguintes valores típicos: resistividade
maior ou igual a 18,2 megaohm.com, sílica dissolvida e TOC menores do que
1 ppb, sílica total menor do que 3 ppb, além de cloretos e sulfatos abaixo
de 20 ppt, e sódio, cálcio e magnésio inferiores a 5 ppt. Encomendada à
matriz americana, a unidade entrará em operação no segundo semestre e foi
totalmente adquirida pelo Ceitec (a GE também conta com outras modalidades
de fornecimento, como o BOT, por exemplo).
De olho nos negócios – Caso vinguem os planos governamentais para
fomentar o mercado de alta tecnologia, vários fornecedores locais do campo
da água poderão aumentar suas vendas, uma vez que a demanda do UPW é
dependente de uma grande gama de insumos e equipamentos.
Não é impossível
imaginar que empresas até então com experiência em sistemas de água
ultrapura apenas no campo farmacêutico tentem enveredar pelo novo
filão de negócios, com exigências similares.
Como também é crível prever filiais de grupos estrangeiros incluindo em
seus portfólios locais tecnologias que suas matrizes já vendem em
profusão, em todo o mundo, para atender ao mercado de semicondutores. |
Divulgação |
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Unidade GTM vai remover o gás carbônico
dissolvido em Porto Alegre |
Um exemplo ilustrativo dessa possibilidade ocorre com as produtoras de
resinas de troca iônica, empresas como Rohm and Haas, Lanxess, Purolite e
Dow, que possuem grades específicos para o setor, largamente
comercializados no Exterior. Para uma delas, aliás, a hipótese de internar
essas resinas seria um retorno a um mercado que já chegou a existir,
respeitadas as diferenças de época, no Brasil da década de 80. Isso porque
nesse período vigorava a famigerada Lei da Reserva da Informática, o que
fez empresas fabricarem computadores no Brasil, casos da IBM, da Texas
Instruments, da SID Microeletrônica e da Itautec. “Todas elas contavam com
unidades UPW para semicondutores e nós vendíamos sistemas de resinas
específicos”, recorda o gerente de desenvolvimento de mercado da Rohm and
Haas, Osmar da Cunha.
Esta fase só durou até a abertura comercial do início da década de 90,
quando a liberação total de importação de equipamentos de informática
praticamente desativou a precária indústria nacional. Aliás, ter havido
esse mercado não significa que o retorno das vendas será simples para os
fornecedores. Na verdade, muita coisa mudou desde então, não apenas na
revolução digital que ocorreu ao longo dos anos, mas também no tratamento
da água. Para começar, as unidades existentes no Brasil não contavam com
unidades de osmose reversa, apenas com colunas de troca iônica para a
desmineralização, e hoje praticamente todos os sistemas UPW se utilizam de
estações de duplo passo com as membranas. E, por fim, as resinas também
eram diferentes.
“Na época, usávamos no leito misto de polimento a tecnologia Ambersep, que
dispunha de uma camada intermediária de resina inerte, entre as camadas
catiônicas e aniônicas, para não permitir a mistura de ácido e soda das
camadas catiônica e aniônica”, lembra Cunha. |
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