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Água |
Ultrapura |
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Mercado deve crescer
na microeletrônica e já rende negócios em fármacos |
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Marcelo Rijo
Furtado |
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O
conceito de água com alto grau de pureza, para o meio técnico, não tem
nada a ver com potabilidade e muito menos com a refrescância que uma fonte
mineral, por exemplo, pode sugerir. Na verdade, denominar uma água como
ultrapura, sem quase nada para macular os famosos dois átomos de
hidrogênio e um de oxigênio, só é possível com muita tecnologia agregada e
para atender a aplicações de extremas exigências, que não suportam em seus
processos a menor interferência de sais e componentes orgânicos
naturalmente presentes nos melhores e mais protegidos mananciais.
No campo técnico internacional, essa demanda ganhou a denominação de UPW (ultrapure
water) ou, em português claro, de água ultrapura. Trata-se de mercado
especializado, dominado por empresas com grande domínio tecnológico e que
encontra nos poderosos setores farmacêutico, de análise laboratorial e,
principalmente, da microeletrônica seus principais clientes. São nessas
indústrias que existem necessidades de águas com tolerâncias de sais e
metais em níveis de ppt (parte por trilhão) ou de orgânicos totais (TOC)
ou sílica dissolvida menores do que 1 ppb (parte por bilhão).
Mais especificamente ainda, o meio técnico denomina, e normatiza, a UPW
como a água com resistividade (resistência à passagem de corrente
elétrica) maior do que 18,2 megaohm.cm ou, inversamente, com condutividade
menor do que 0,054 microsiemens/cm, ambos parâmetros empregados para medir
eletronicamente o nível de sais na água. Isso significa, para melhor
compreensão, uma água praticamente isenta de condutividade salina. Só para
se ter uma idéia, a água considerada dessalinizada, que passou por
processo de osmose reversa ou troca iônica, atende à baixa especificação
de condutividade de 10 mS/cm. A água industrial mais bem polida, com uso
em caldeiras de alta pressão, precisa respeitar a especificação de até 0,3
mS/cm ou 3,3 megaohm.cm.
Embora as especificações rigorosas sejam necessárias em aplicações
farmacêuticas, em maiores vazões na produção de água para remédios e
injetáveis ou em escalas menores para análises laboratoriais sensíveis, o
mercado em franca expansão, e responsável pela corrida tecnológica do
setor de UPW, é o de microeletrônica. Fica fácil compreender isso ao se
atentar para a verdadeira revolução pela qual passam as indústrias de
telecomunicações e da chamada indústria de TI (tecnologia da informação).
Dependentes de água UPW para a purificação (lavagem) de chips eletrônicos
e outras peças, essas grandes e poderosas corporações, além de crescerem
para atender à popularização de microcomputadores, televisores digitais,
aparelhos de DVD e celulares, da mesma forma evoluem depressa em seus
processos produtivos.
Cérebro dos sistemas e equipamentos eletrônicos, os chips, semicondutores
de silício, são constantemente aperfeiçoados, ganhando cada vez mais
precisão, com peças menores e mais eficientes. Um estudo internacional
denominado “Semiconductor Roadmap” afirma que a distância entre os trilhos
condutores do chip, hoje na faixa dos 35 nanômetros (nm), cairá até 2010
para 23 nm. Isso significa também o surgimento de uma preocupação
obsessiva com a limpeza. Qualquer infinitesimal partícula de sal ou de
contaminantes orgânicos remanescente na água pode provocar passagem de
corrente elétrica e conseqüentes curtos-circuitos entre os trilhos
condutivos do chip, danificando os sofisticados equipamentos. E quanto
menor a distância entre os trilhos, o que se traduz por maior capacidade
de transmitir informações, maior será a necessidade de ultrapurificar a
água.
As demandas na indústria de semicondutores são enormes. Não é para menos:
envolvendo empresas globais do porte da Intel, HP, Samsung ou Texas
Instruments, esse mercado é estimado em quase US$ 300 bilhões. Tal receita
em freqüente expansão deve gerar, segundo levantamento da consultoria
norte-americana McIlvaine Company, negócios anuais superiores a US$ 1,7
bilhão, até 2009, oriundos da venda de sistemas de UPW para purificação de
chips. Trata-se, ainda de acordo com a consultoria, do maior segmento
consumidor dos sistemas de água ultrapura, seguido pelo uso em drogas
injetáveis (WFI) e pelo condicionamento de sistemas supercríticos de
geração de vapor. O mercado total de sistemas de UPW, para a McIlvaine,
deve chegar a US$ 4 bilhões em 2009.
Muito do crescimento do mercado, como não poderia deixar de ser, se
concentra na Ásia, em países como Taiwan, Japão, Coréia do Sul e China.
Nesse sentido, o uso da água ultrapura na produção de displays de telas
planas, principalmente de cristal líquido (LCD), é o que registra as taxas
de crescimento mais rápidas, tendo em vista a proliferação dessas telas
não só em televisores como em notebooks e microcomputadores. Além da Ásia,
a Europa, em específico o Reino Unido, e os Estados Unidos (o Vale do
Silício é o maior exemplo) são grandes consumidores dos sistemas UPW. As
demais regiões do planeta, incluindo a América do Sul, são meras
importadoras desses componentes eletrônicos de alta tecnologia.
No Brasil – Mas o cenário de atraso tecnológico, no caso
brasileiro, pode começar a mudar. Isso porque o País está em fase de
execução de sua primeira fábrica moderna de semicondutores, parte de um
plano do Governo Federal de incluir o Brasil nesse mercado bilionário,
deixando de ser apenas um montador de eletroeletrônicos com peças
importadas. Além de estar criando benefícios fiscais para os interessados
em investir na área, a União, por meio do Ministério da Ciência e
Tecnologia, resolveu dar o pontapé inicial desembolsando R$ 148 milhões no
Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), em Porto
Alegre-RS.
Trata-se de uma fábrica
que começará a produzir ainda no segundo semestre de 2007 dispositivos
semicondutores empregados em equipamentos de telecomunicações, de
processamento de dados, entretenimento, no setor automotivo, na
automação industrial e de uso médico. A idéia principal, além de
permitir já de início o desenvolvimento do chip necessário aos
equipamentos transmissores do sinal digital de televisão
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Divulgação |
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Colunas de trocaiônica para UPW:
especificações rigorosas |
(que deve estrear ainda em 2007), é capacitar tecnicamente o País e
atrair investidores globais.
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