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PESQUISAS
Universidade gaúcha
mostra
teses de interesse industrial
Por iniciativa do
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (PPGEQ) e da Associação Brasileira de Engenharia
Química, os dias 17, 18 e 19 de outubro foram dedicados ao Oktober Fórum
em Porto Alegre. O objetivo do evento se relacionou com a divulgação das
pesquisas de mestrado e doutorado com possibilidades de aplicação em
escala industrial nos próximos anos e algumas já empregadas. Ao todo foram
25 trabalhos acadêmicos apresentados entre os quais se destacaram dois
vinculados ao uso de reações com enzimas para melhorar a obtenção de
biocombustíveis.
Do laboratório de biotecnologia da UFRGS em parceria com o Departamento de
Engenharia Química, saiu o estudo denominado “Seleção de microrganismos
produtores de lipases e avaliação da utilização de glicerol como fonte de
carbono para uso na síntese de biodiesel”.
A autora Giandra Volpato afirma que as lipases fazem parte de um grupo de
enzimas de natureza catalítica da hidrólise. “E síntese de acilgliceróis
de cadeia longa na interface água-óleo”, reforça Giandra. As lipases são
encontradas na natureza e podem ser obtidas em fontes animais, vegetais e
microbianas. Para ela, essas enzimas em condições microbianas são mais
atrativas porque oferecem múltiplas aplicações industriais, pois são
bioquimicamente muito mais estáveis.
Portanto, destaca a pesquisadora, as lipases caem como uma luva na síntese
para produção industrial de biodiesel, a qual em condições normais ocorre
por metanólise de óleos vegetais, em catálise alcalina: “Esse processo
gera um material residual de difícil tratamento. Por outro lado, uma vez
que a metanólise enzimática não gera resíduos, a produção de biodiesel por
lipase é fortemente desejável, sendo que o subproduto, glicerol, pode ser
facilmente recuperado”, assegura Giandra. “Assim, um estudo da utilização
do glicerol como fonte de carbono para produção de lipase se torna muito
interessante”, reafirma.
Em seu estudo ela selecionou microrganismos produtores de lipase e
produziu ensaios com glicerol como fonte de carbono. Ocorreram testes
qualitativos de formação de halo em ágar-tributirina, para seleção de
microrganismos produtores das enzimas. Na análise entraram duas bactérias
isoladas de efluente industrial, e oitenta e sete bactérias isoladas de um
ambiente da Amazônia.
Os ensaios definiram as atividades lipolíticas dos microrganismos
selecionados utilizando ensaio por espectrometria, em substrato
p-nitrofenilpalmitato (pNNP). Foram testados meios de cultivo variando a
concentração de glicerol, a fonte de nitrogênio e de sais.
Da mesma forma numa proposta semelhante denominada “Síntese de ésteres
alquílicos (biodiesel) por transesterificação enzimática utilizando óleos
vegetais”, Rafael Costa Rodrigues, Marco Antônio Záchia Ayub e Keiko Wada
verificaram o processo de obtenção do biodiesel convencional obtido por
alcoólise de óleos vegetais, ou resíduos de óleos, usando catalisadores
alcalinos.
Eles defendem que o glicerol, contendo o álcali, precisa ser tratado como
um material residual. Como os resíduos de óleos contêm pequenas
quantidades de água e de ácidos graxos livres, a reação gera sais
alcalinos de ácidos graxos (sabões). Por outro lado, uma vez que a
alcoólise enzimática não gera material residual, a produção de biodiesel
por lipases é fortemente desejável.
“Neste caso, o glicerol pode ser facilmente recuperado sem um
processamento complexo, e também os ácidos graxos contidos nos resíduos de
óleos e gorduras podem ser completamente convertidos a alquil ésteres. Com
isso, a pesquisa dos três colegas confirmou a lipase como uma alternativa
interessante à obtenção de biodiesel em vez das reações por alcoólise por
metanol como ocorre pela tecnologia convencional”, esclarecem os
estudiosos.
Já Luciane S. Ferreira, Marco A. Muller e Jorge O. Trierweiler, do Grupo
de Instrumentação, Modelagem, Simulação, Controle e Otimização de
Processos, no estudo intitulado “A formação de nanopartículas
poliméricas”, entraram no campo da nova tecnologia dos objetos na escala
bilionésima do metro. Com a convicção de que “a nanotecnologia está em
pleno desenvolvimento” e com liberação controlada para fármacos, o grupo
de trabalho decidiu criar um modelo fenomenológico dedicado à formação de
nanopartículas.
Eles anunciaram que irão montar dois modelos independentes. No primeiro,
querem produzir o crescimento de apenas uma partícula, considerando
diferentes condições de contorno, de tal forma que será possível descrever
todas as possíveis partículas crescendo no reator. “A seguir, a
distribuição de fases (orgânica e aquosa) dentro do reator será modelada
por meio de fluido dinâmica computacional. Isso permitirá definir quais
são as melhores condições para se obter uma distribuição homogênea no
reator de tal forma que seja possível alcançar uma faixa estreita de
distribuição de tamanho de partículas.”
Na próxima etapa da pesquisa as variáveis manipuladas serão vinculadas com
as características do reator (geometria, tipo de impelidor, chicanas),
variáveis de processo (temperatura, pH, concentração de sais) e tipo de
processo (batelada e batelada alimentada). Posteriormente, ambos os
modelos serão integrados para obter o modelo completo e testado numa
planta piloto, ainda em fase de projeto.
“Degradação fotocatalítica de fenol em um reator labirinto” foi o ensaio
apresentado por Fernanda Silva, Marla Lansarin e Celso Moro. Eles
apontaram as concentrações de fenol por meio do método colorimétrico
baseado na reação com a 4-aminoantipirina em espectrometria de feixe duplo
Varian modelo Carry 300, no comprimento de onda de 500nm, com pH de
7,9+0,1. |
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