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A vazão dos sete poços será conduzida para uma única plataforma fixa,
desabitada, controlada por sinais de rádio pela estação de tratamento em
São Francisco do Conde. Entre junho e setembro de 2006, lembra Luiz
Robério, condições adversas do mar, com ondas de mais de 2,5 m,
interromperam a instalação dessa plataforma de aproximadamente 1.000 t,
retardando em três meses o começo da produção. O gasoduto entre a plataforma e a estação, ressalta o executivo, inclui alternadamente trechos na terra e no mar, metade destes atravessando a Baía de Todos os Santos. Para minimizar impactos ambientais, em cinco pontos do trajeto por terra foram feitos furos direcionais para contornar, por baixo, áreas de manguezais e leitos de rios. No segundo semestre de 2006, a expectativa do gás contido em Manati evoluiu do patamar de 24 bilhões de metros cúbicos para 30 bilhões. Essa evolução é explicada pelo fato de a espessura (já medida nos três poços) das camadas contínuas, que contêm gás (colunas), ser maior do que a prevista inicialmente. A coluna do poço MNT.1, que tem 330 metros, é considerada excepcional, ressalta Luiz Robério. São raras as que apresentam, continuamente, espessuras superiores a 300 m. Os técnicos da Petrobrás estimam que após a perfuração dos outros três poços haverá uma revisão na curva de produção, planejada inicialmente para produzir 6 milhões de m³/dia nos três primeiros anos, quando então a vazão declinaria para 4 milhões de m³/dia, pelo menos por mais cinco anos, seguindo-se o declínio natural. Os 6 bilhões de m³ acrescidos à previsão inicial da reserva deverão aumentar esses tempos de produção, mas não haverá acréscimo na vazão de 6 milhões de m³/dia, em razão de ser este o limite operacional da estação de tratamento. Com o gás de Manati, chegará à estação de tratamento uma corrente de condensado (60° API), à razão de 30 metros cúbicos por cada 1 milhão de metros cúbicos de gás – 180 m³/dia, o equivalente a 1.130 barris/dia, quando a produção do gás chegar a 6 milhões de m³. Separar gás e condensado e desidratar o gás são as principais atividades na estação. Os 580 milhões de dólares que estão sendo investidos no aproveitamento do gás de Manati procedem do consórcio formado pela Petrobrás (35%) – a operadora do sistema; Queiroz Galvão (55%); e pela norueguesa Norsk Energy, que adquiriu os 10% da participação que foram da Petroserv e se estabeleceu na Bahia com a razão social Rio de Contas. Em 2007, além de começar a produzir gás e secundariamente o condensado, o consórcio realizará atividades de pesquisa e prospecção no BCAM 40, em busca de mais gás e óleo. Braskem - No ano passado, a Petrobrás e a Bahiagás acertaram que a vazão dos três poços já desenvolvidos em Manati, cerca de 3 milhões de m³/dia, será partilhada meio a meio. Isso possibilitou à Petrobrás atender aos déficits nos processos internos da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) e nas suas unidades produtoras de amônia e uréia, as fábricas da Fafen, instaladas em Laranjeiras-SE e Camaçari-BA. Possibilitou também a suspensão da transferência dos 500 mil m³/dia das reservas sergipanas, que complementavam a oferta na Grande Salvador. Quanto à Bahiagás, poderá restaurar o suprimento nas indústrias submetidas ao racionamento e negociar com a Braskem o fim da demanda judicial. Desde agosto do ano passado, o acordo de suprimento Petrobrás-Bahiagás está vencido. A empresa que mais se sente prejudicada pela escassez de gás é justamente a Braskem, que o usa principalmente na co-geração e assistiu seu suprimento cair de 1,2 milhões de m³/dia para 350 mil, volume este correspondente aos processos em que não se pode substituir gás por óleo diesel, fuel oil ou óleos residuais de processo. A Braskem reagiu. Está exigindo na justiça a integral restauração do suprimento e uma compensação por lucros cessantes. Na petição inicial, a empresa alega que o uso do óleo é mais oneroso (afirma gastar de seis a sete dólares por milhão de BTU de óleo combustível, com o gás natural gastaria 4 dólares). Alega também que o gás é mais limpo. Contra a defesa da Bahiagás, que se declarou desobrigada de assegurar o suprimento em situação de forte escassez porque não havia um contrato formal entre as partes, a Braskem confirmou que comprava sem contrato formal, como preferia, mas a circunstância de este suprimento ter ocorrido continuamente teria estabelecido um contrato tácito. Nas duas primeiras instâncias, a Braskem ganhou o direito de voltar a receber o mesmo gás, mas não a desejada compensação por perdas e danos anteriores às sentenças. A questão está nos tribunais superiores em Brasília. As empresas supridas em situação de contrato firme, a exemplo da Siderúrgica Gerdau, concordaram com o racionamento e não sofreram cortes tão drásticos. Passaram a receber volumes 10% a 20% menores, com a promessa de que a situação seria prontamente restabelecida, tão logo o prometido gás de Manati chegasse. O recém-empossado presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães, revelou que nessa fase inicial a proposta da Petrobrás é assegurar 4,5 milhões de m³/dia em situação de contrato firme e mais 600 mil m³ mediante contrato passível de interrupção, os chamados contratos interruptíveis. Este volume amplia em 1,8 milhões de m³/dia o gás atualmente distribuído pela Bahiagás, mas é insuficiente para atender à demanda reprimida, estimada pela própria Bahiagás em 2,7 milhões de m³/dia, aí incluído o déficit correspondente ao racionamento. Davidson Magalhães não disse, mas é previsível que nenhum bafo dos outros 3 milhões de m³/dia de Manati seja destinado ao suprimento industrial na Grande Salvador ou fora, a não ser com base em contratos interruptíveis. A interrupção ocorrerá se o governo federal decidir conduzir o restante do gás preferencialmente para o suprimento das termelétricas construídas na Bahia e em outros Estados do Nordeste, no âmbito do esforço para evitar novo apagão elétrico. Só na Bahia são três termelétricas, vinculadas à Chesf, à Termobahia e à própria Petrobrás, que demandariam 4,5 milhões m³/dia. Outra incerteza que causa receio e apreensão nas indústrias baianas dependentes do gás para as operações atuais e as cogitadas ampliações é a revelação, no site da Petrobrás, de que o gás de Manati “inicialmente atenderá ao mercado baiano, mas, à medida que a produção aumentar, o excedente será enviado a outros Estados”, pelos gasodutos Sergipe-Bahia, que para tanto seria revertido, e Bahia-Alagoas. Na transmissão do cargo para Davidson Magalhães, o seu antecessor na Bahiagás, Petrônio Lerche Vieira, considerou que as vantagens comparativas da indústria na Bahia podem ser “profundamente abaladas” se forem implantadas algumas propostas, segundo ele em discussão, sobre preço e direcionamento da oferta. E depois clareou: “O gás de Manati deve ser destinado preferencialmente à indústria local, que já tem capacidade instalada para utilizá-lo, em vez de ser levado para viabilizar a ampliação de outros parques industriais.” Há quem diga que entre esses parques, o que seria suprido preferencialmente seria o do Porto de Suape, em Pernambuco. Os baianos querem que fique no seu Estado gás suficiente para equilibrar o mercado e embalar sonhos industriais, a exemplo do cogitado pólo cerâmico, que processaria as jazidas de caulim no Recôncavo e municípios próximos, como Alagoinhas e Feira de Santana, ambos já alcançados pelos gasodutos da Bahiagás, construídos antecipadamente com tal propósito. Importantes projetos de ampliação no Pólo Petroquímico, como os da Oxiteno (óxido de eteno e derivados) e Suzano Petroquímica (polipropileno) e duas fábricas de pneus recentemente inauguradas – a Continental e a Firestone/Bridgestone – também clamam pelo gás prometido. Outros projetos, como o surgido da parceria entre a metalúrgica Papaiz e um grupo japonês para produzir cilindros automotivos, aguardam que a Bahiagás assegure, mediante protocolo, um contrato firme. Quando alguns desses projetos foram apresentados havia a previsão de que em 2007, como anunciava a Petrobrás, o Gasene, projetado gasoduto de 760 milhões de dólares, 1.279 quilômetros e capacidade de 30 milhões de m³/dia, que a companhia pretende construir entre Cabiúnas-RJ e Catu-BA, já estaria transferindo para o Nordeste o gás que antes da crise com a Bolívia prometia formar excedente no Sudeste. No sul da Bahia, entre outras plantas, tal gás supriria as duas megafábricas de celulose, da Suzano e da Veracel, nos municípios de Mucuri e Eunápolis. El Paso - Mais 1 milhão de m³/dia de gás poderiam estar no tabuleiro do gás caso o grupo texano El Paso conseguisse, como pretendeu, escoar pelo gasoduto Manati-São Francisco o gás que descobriu no Campo de Sardinha (bloco BAS 13), 50 quilômetros ao sul de Manati. O consórcio entretanto pretende preservar a capacidade excedente do gasoduto para o gás a mais que espera encontrar. Para os texanos sobram duas alternativas: puxar o gás para o litoral próximo e lá construir uma termelétrica; ou, então, esperar que o já seguidamente adiado, e ainda não inteiramente licitado Gasene, seja finalmente construído. José Valverde |
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