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Bahia começa a usar o gás de Manati

Em 16 de janeiro, dois anos e um mês depois da solda inaugural que marcou o começo da instalação do gasoduto de 125 quilômetros entre o campo de Manati, no litoral sul da Bahia, e o município de S. Francisco do Conde, na Grande Salvador, o gás procedente deste campo de águas rasas, primeiro campo off shore de produção exclusiva de gás em nossas águas, chega ao mercado com a promessa de conter 30 bilhões de m³ de gás.

A chegada deverá atenuar, pelo menos pelos próximos dois anos, tensões e receios vividos no ambiente industrial em razão do declínio na produção on shore da Bacia do Recôncavo, o que provocou a redução no suprimento de quase cem fábricas da região e entorno, que dependem de gás. A diminuição no suprimento é a causa da acirrada contenda judicial entre a unidade produtora de insumos básicos do 2o Pólo Petroquímico, a Braskem, e a concessionária estadual Bahiagás.

Na Bahia, o uso de gás na indústria é pioneiro e tão tradicional quanto comer acarajé, característica decorrente do fato de os baianos terem este suprimento à disposição desde a década dos anos 50, quando os primeiros poços foram abertos na Bacia do Recôncavo. Para aproveitar o gás, foram criados a Usina Siderúrgica da Bahia, atual Siderúrgica Gerdau, que o utiliza para reduzir minério de ferro, e o Conjunto Petroquímico da Bahia, hoje uma das fábricas de amônia e uréia da Petrobrás (Fafen). Naquele tempo, o gás não era uma commodity – era um subproduto, geralmente indesejável, queimado na boca dos poços para não contaminar a atmosfera.
Meio século depois, a participação do gás na matriz industrial da Bahia continua a mais elevada entre os Estados, apesar da redução de 38% para 33%, causada pela queda de produção na Bacia do Recôncavo, entre os meses de dezembro de 2003 e 2005. Nesse tempo, a produção caiu de 5,5 milhões de m³/dia para 4,7 milhões, saídos de 1.993 poços – 293 produtores apenas de gás e o restante de óleo e gás associados. Alguns poços, que produzem há mais de cinqüenta anos, estão sendo raspados mediante injeções de água, CO2 e outros gases que restauram a pressão, para forçar a saída do óleo residual, os últimos barris. Paralelamente à queda na produção, o volume de gás que a Bahiagás recebe da Petrobrás caiu de 4,0 milhões de m³/dia para 3,3 milhões, por causa do racionamento.
Nessa fase pré-operacional chegam à estação de tratamento em São Francisco do Conde cerca de 2 milhões de m³/dia procedentes dos poços MNT.1 e MNT.2, dois dos sete poços previstos para Manati. O terceiro, o MNT.3, já está preparado para operar. Os MNT.4, 5 e 6 estarão operando até maio, quando a vazão máxima, 6 milhões de m³/dia, será alcançada. Corresponderá então a um acréscimo de aproximadamente 22% na oferta nacional de gás (27,5 milhões de m³/dia); 60% na oferta do Nordeste (10 milhões de m³/dia) e a 130% da histórica produção da Bahia, procedente da Bacia do Recôncavo (4,7 milhões de m³/dia).
 

O gerente do Ativo de Produção Bahia Mar da Petrobrás, Luiz Robério Silva Ramos, informa que o MNT.7 será perfurado posteriormente, sem prejuízo na produção de 6 milhões de m³/dia.A composição do gás de Manati apresenta apenas 3,8% de etano, menos da metade do contido no gás da Bacia do Recôncavo, teor insuficiente para que possa ser usado como matéria-prima para eteno, a olefina mais valorizada da cadeia petroquímica.

Divulgação

O campo de Manati: 30 bilhões de m3 de gás natural

Se o novo gás contivesse mais etano, pelo menos o mesmo teor presente no gás da Bacia do Recôncavo (8,99%), essa fração, também conhecida como C2, poderia ser extraída conjuntamente do gás de ambas as bacias e conduzida para um cogitado terceiro cracker, na Braskem. Logo que o campo de Manati foi descoberto, em 2000, surgiu essa expectativa entre empresários, consultores e engenheiros.

Expectativa - O campo de Manati está contido em um dos blocos da Baía de Camamu, o BCAM 40, a cerca de dez quilômetros da praia, sob lâmina d’água de apenas 35 a 40 metros – a mais rasa em exploração na Plataforma Continental, onde quase sempre as descobertas ocorrem em águas profundas (acima de 400 metros) ou ultraprofundas (até 3 mil metros ou mais). Os reservatórios produtores de gás estão a uma profundidade média de 1.400 metros.
 

 
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