Silicones, em fase de de reorganização, ampliam desempenho e controle de espuma nos revestimentos
Ilustração de Martinez  

  Marcelo Fairbanks

O mercado mundial de silicones está em reorganização. Com tecnologia dominada por poucos participantes, que se enfrentam acirradamente em todo o mundo, esse mercado foi sacudido pela venda desse negócio da Rhodia para a China National Bluestar no final de outubro, por cerca de 400 milhões de euros. Em 4 de dezembro, foi constituída a Momentive Performance Materials, a partir dos negócios da GE Advanced Materials, unidade vendida por US$ 3,8 bilhões para a gestora de fundos de investimentos Apollo Management. O negócio incluiu as antigas joint ventures GE Bayer Silicones e GE Toshiba Silicones. A Momentive atuará em silicones, cerâmicas e quartzo.

Os líderes mundiais em silicones são as alemãs Wacker e Degussa (que ficou com a Tego em 2001 durante a fusão de negócios com o grupo SKW) e as americanas Dow Corning e GE (agora Momentive), além da japonesa Shin Etsu. A participação relativa de cada uma é controvertida, pois esses derivados de silício encontram usos variados, da construção civil às próteses mamárias, passando por aditivos e resinas para tintas e até usos medicinais, com valores de faturamento por volume muito diferentes entre si. A Rhodia seria a sexta força, posição considerada pouco atraente pelo board, que se decidiu pela venda, retendo as operações com sílicas. Com a aquisição, a Bluestar se habilita a figurar entre os maiores players, contando com produção totalmente integrada. Fora os já mencionados, há vários outros nomes, normalmente ligados a nichos específicos de mercado ou com participação geográfica limitada, considerados excelentes oportunidades para fusões e aquisições.

O mercado mundial de silicones em 2005 foi estimado em US$ 9 bilhões pela Bowry Consulting, em estudo datado de fevereiro de 2006, citado pela Wacker. No Brasil, a Abiquim estimou as vendas de silicones em US$ 200 milhões no mesmo ano. A divisão Wacker Silicones obteve vendas de 1,12 bilhão de euros em 2005, equivalentes a 39% das vendas externas da companhia. Em resposta às solicitações de Química e Derivados, a companhia de origem alemã considerou que os movimentos de aquisições feitos no setor devem aperfeiçoar as condições de mercado e promover o crescimento global desse negócio.

Os maiores consumidores de silicones são os produtos agroquímicos, nos quais atua como agente de espalhamento das formulações, seguidos muito de perto pelas aplicações como desmoldantes e aditivos na indústria do poliuretano. “Somadas, essas duas áreas representam perto de 70% do faturamento mundial de silicones”, avaliou o coordenador de negócios da divisão Tego Coatings e Ink Additives da Degussa Brasil, Renato Stoicov. Um percentual entre 15% e 20% de vendas é ocupado por grande número de pequenos usos dos silicones, incluindo próteses, cosméticos e outros.

As vendas para tintas, tanto como resina, quanto como aditivos, somam entre 20% e 25% do faturamento de silicones, segundo informou. “Essa participação está longe do potencial de negócios, ou seja, há muito espaço para crescer”, comentou. Isso só não acontece com maior rapidez porque os silicones ainda são considerados insumos caros, em especial no Brasil. Stoicov prevê uma evolução dos silicones em paralelo com o paulatino incremento de qualidade das tintas.

Ele admite que o concorrido mercado de tintas imobiliárias tenha mais dificuldades para adotar os produtos de silicone. Mas nas tintas gráficas de alto desempenho, a receptividade é bem maior. “Como eles buscam mais produtividade, aceitam os melhores aditivos”, comentou. A linha Tego é oferecida ao Brasil desde 1997, com incremento constante nas vendas. Segundo Stoicov, os produtos são todos importados, embora parte da linha já tenha sido fabricada em Guarulhos-SP.

 
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