|
Mas ao redor do estande da Lyonnaise des Eaux várias
outras subsidiárias da Suez tinham interessantes tecnologias e serviços
para ser divulgados, com foco não só na área pública mas principalmente na
industrial. Sob o braço da tradicional Degrémont, empresa de engenharia de
equipamentos e sistemas para água, efluentes e de tratamento de lodo,
atuante em mais de 70 países (inclusive no Brasil, há quase 50 anos), com
4 mil funcionários e faturamento anual de 960 milhões de euros, a
exposição destacava técnicas de filtração por membranas e de desinfecção
por ozônio e ultravioleta.
Em membranas, a subsidiária Aquasource demonstrava sua
linha de ultrafiltração por fibra oca (hollow fiber). Segundo
Cécilia Bede, a coordenadora comercial da empresa, cuja sede é em
Toulouse, no sul da França, trata-se de dois tipos de membranas: uma de
triacetato, voltada para potabilização de água, e outra em polissulfona,
especialmente projetada para aplicações mais rústicas, como reúso de água,
e que exigem resistência a altas temperaturas.
| A de polissulfona resiste a
temperaturas de até 60ºC e opera com pH de 2 a 12, enquanto a de acetato
de celulose até 35ºC e com pH de 3,5 a 8,5. As duas linhas são disponíveis
em módulos com faixa de superfície de ultrafiltração de 7 a 140 m2. |
 |
| Cécilia: membrana de ultrafiltração tratá água em Moscou
|
Com uso cada vez mais difundido, tendo em vista sua
capacidade de reter partículas indesejáveis da água, como bactérias e
vírus, sem reter os sais dissolvidos, as membranas de ultrafiltração vem
ganhando uso em grandes sistemas públicos. A Aquasource, por exemplo,
comemorava na feira o recente fornecimento de uma estação de tratamento de
água potável para Moscou, na Rússia, em operação conjunta com a Degrémont,
para tratar 275 mil m3/dia de água para 1 milhão de pessoas. O
mercado internacional, aliás, é o forte da empresa, que trabalha
independente da Degrémont, mas logicamente em várias obras aproveita o
fato de ser do mesmo grupo. Para Cécilia Bede, cerca de 60% das vendas são
externas.
| No Brasil, ainda não houve
fornecimentos, apesar de a Degrémont
atuar forte no País.A Aquasource foi fundada em 1984 e antes disso era o
laboratório de pesquisa de membranas da Lyonnaise des Eaux. Por ter esta
origem científica, a empresa, no entender de Cécilia, cria soluções
engenheiradas para os clientes. |
 |
| Skid de membranas Aquasource: tecnologia da Suez |
Uma delas transformou a empresa na única
do mercado a oferecer um módulo de ultrafiltração de 125 m2 de
superfície, ideal para grandes unidades, com necessidades superiores a 10
mil m3/dia de água. Também em 2003 foi desenvolvida uma nova
membrana de polissulfona hidrofílica, voltada para reciclagem de efluentes
e tratamento de água pesada. Além das soluções sob projeto, a empresa
conta com vários modelos de unidades de prateleira: skids, para
tratar de 200 a 3.300 m3/dia, e módulos fechados, para 50 a 260
m3/dia, ou em tamanhos menores, para a faixa de 3 a 20 m3/dia.
A empresa também fornece seus módulos para a Degrémont montar skids
específicos, denominado Ultrazur, que contemplam estação completa com
pré-filtragem e retrolavagem embutidos.
Outra subsidiária da Degrémont, a Ozonia também chamou a
atenção com a demonstração de sua linha de equipamentos para desinfecção
por geração de ozônio e por radiação ultravioleta. No caso do ozônio, com
linha de geradores que atuam em uma faixa que vai de 1 grama até 460
gramas por hora, a atuação é bastante ampla na indústria, mas há uma
ênfase cada vez maior de usar o gás oxidante em potabilização de água e em
tratamento de efluentes. De acordo com o diretor de vendas da Ozonia,
Alain Delcominette, o uso tem se intensificado principalmente com as
crescentes restrições ao cloro, que na água, em contato com contaminantes
orgânicos, formam os trihalometanos (THMs), substâncias carcinogênicas.
No entendimento do diretor da Ozonia, os geradores têm
alta eficácia na desinfecção, mas não protegem a água na distribuição, ou
seja, não permanecem residualmente de maneira a criar uma barreira contra
possíveis contaminações. Mas, segundo ele, o uso tem sido difundido como
um modo de diminuir a dosagem do cloro. “Com a desinfecção mais forte do
ozônio, com alto poder oxidante, em um ponto principal do tratamento, a
dosagem necessária de cloro cai muito, de tal forma a diminuir a
possibilidade de formação dos THMs”, diz.
Segundo Delcominette, no Brasil a Ozonia tem vendido
direto pela subsidiária dos Estados Unidos. “Temos acompanhado bem a
demanda no Brasil, não só em saneamento como em branqueamento de celulose,
em substituição ao cloro, e em outras aplicações pontuais na indústria
cosmética”, afirma. Conforme explica, no primeiro caso, no saneamento, a
própria companhia paulista (Sabesp) cogitou usar o oxidante na sua Estação
de Tratamento de Água do Alto da Boa Vista. Em celulose, o diretor afirma
já ter conseguido vender geradores de ozônio para a VCP de Jacareí-SP e
Luiz Antonio-SP. Mas a atuação nesta aplicação só não é maior, segundo
ele, por causa da penetração de outro tipo de branqueador no Brasil, o
dióxido de cloro. Em específico, por causa da forte atuação da EKA
Chemicals, com unidades produtivas brasileiras, inclusive uma cativa para
a Veracel, em Eunápolis-BA.
|