FEIRA FRANCESA DESFILA

O ESTADO-DA-ARTE

DA TECNOLOGIA

AMBIENTAL

Texto e fotos de Marcelo Furtado

Divulgação

Em meio a um frio ainda não muito rigoroso para o final do outono europeu, talvez um indicativo do aquecimento global, a França foi palco, de 28 de novembro a 1º de dezembro, em Lyon, da 22ª Pollutec, exposição internacional de equipamentos e serviços para o meio ambiente.

Do alto de sua tradição nesse mercado, onde figuram grupos globais de tratamento de água e resíduos e outras centenas de pequenas empresas com tecnologias para as mais variadas demandas, o país conseguiu a façanha de atrair 67 mil visitantes (7.600 estrangeiros) para conhecer uma infinidade de tecnologias antipoluição do ar, da terra e da água, expostas por 2.547 expositores, sendo 1.758 franceses.

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O estande da tradicional Suez foi um dos mais movimentados em Lyon

E isso sem precisar recorrer ao pretexto de experimentar os vinhos regionais Beaujolais e Côte du Rhône, servidos em grande quantidade em quase todos os estandes, dado o alto nível técnico da exposição.

Apesar de cada setor ter sido bem representado por pavilhões exclusivos dentro do imenso centro de exposições Eurexpo (com 109 mil m2), o espaço reservado às empresas especializadas em tratamento de água e efluentes foi o maior e mais concorrido.  O fato de 713 expositores (28% do total) terem sido provenientes desse setor se deveu, em primeiro lugar, às crescentes necessidades da área, sempre sedenta por novas alternativas para racionalização do uso. Nesse sentido, em respeito às grandes tendências mundiais do setor, impressionava principalmente a variedade de estandes mostrando processos e equipamentos de filtração por membranas e processos como os de desinfecção por radiação ultravioleta ou ozônio.

Porém, além da alta demanda, não se pode negar como parte da explicação sobre a supremacia dos pavilhões dedicados à água a especialidade quase genética dos franceses com o universo da l´eau. É difícil desmerecer o conhecimento gaulês com o assunto ao se lembrar que já na metade do século 19 foram criadas empresas como a Compagnie Générale Des Eaux – responsável pela construção em Paris da primeira rede moderna de adução de água e saneamento do mundo e que originou a hoje multinacional Veolia – e a Compagnie Universelle du Canal Maritime de Suez, hoje a também multinacional Suez, concebida no século retrasado para construir o importante canal homônimo que interliga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho.

Como reflexo dessa tradição, e da grande quantidade de tecnologias e serviços que os dois grupos acumularam ao longo de décadas, os estandes da Veolia e da Suez eram os mais chamativos, maiores e movimentados da feira. Com todas suas várias divisões e empresas representadas, não só nos pavilhões da água como nos de tratamento de resíduos e de remediação de solos, tanto a Suez (ou Lyonnaise des Eaux, como a divisão de saneamento da empresa ainda é chamada na França) como a Veolia atraíam a curiosidade dos visitantes e deixavam, por meio de um bem estruturado estratagema de marketing, suas marcas  presentes em praticamente todo o centro de exposições de Lyon.

A exposição das duas empresas se assemelhava: contavam com um estande maior da holding controladora, de caráter mais institucional, envolto por vários outros estandes ou pequenos pôsteres, com técnicos especializados a postos, para divulgar as várias empresas, divisões e tecnologias pertencentes aos grupos. A exibição da Suez, provavelmente por ser o maior grupo, com faturamento anual superior a 40 bilhões de euros (sendo cerca de 15 bi na divisão de meio ambiente, a Suez Environnement, e o restante em energia), se destacava mais, em virtude da quantidade de visitantes e de tecnologias e serviços apresentados.

A subsidiária Lyonnaise des Eaux, responsável por serviços de distribuição de água e saneamento básico na França, em estande agitado com a cessão de muitos brindes, mesmo em participação mais institucional destacou um novo sistema de controle de poluição de águas superficiais utilizadas em banhos recreativos, sobretudo praias litorâneas. Trata-se, segundo a empresa, de uma resposta a uma nova norma européia rigorosa para controle. A tecnologia chama-se MER (método enzimático rápido) e realiza pré-diagnósticos constantes da água antes de ela se contaminar além do permitido, analisando variações em sua cor, nos esgotos tratados e despejados nos corpos d´água, entre outras indicações de poluições difusas.

 
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