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Essa deficiência se agrava com a extrema burocracia necessária para manter
uma prestadora de serviços. Além da papelada convencional pedida para se
abrir uma empresa, as companhias do ramo precisam de licenças para
manipular determinados produtos químicos concedidas pela Polícia Federal,
Ministério do Exército, companhias estaduais responsáveis pela preservação
da qualidade do ar e Ibama. “Seria muito mais fácil se as exigências
ficassem concentradas apenas em um órgão regulamentador”, avalia Barbieri.
José Luis Varela, diretor do Grupo G.P., um dos maiores do gênero no país,
proprietário de três unidades operacionais voltadas para o tratamento de
superfícies e com cerca de 210 colaboradores, também acredita que o perfil
do mercado deve sofrer transformações. Mas não tem certeza que isso venha
a ocorrer em curto prazo. Ele lembra que muitas empresas trabalham em
regime informal, não pagam os impostos devidos e competem de forma desleal
com as que cumprem as obrigações legais.
Para Varela, o problema vai além da economia que as empresas informais
conseguem ao não adotarem processos que preservem o meio ambiente. Ele
lembra que a atividade exige muitos cuidados com a segurança dos
funcionários, que significam peso importante na composição de custos. “As
empresas informais não tomam tais cuidados, em muitos casos sequer
registram os empregados e economizam muito com isso”, acusa.
Quem não trabalha de acordo com as exigências da lei não têm estrutura
necessária para atender representantes de setores que cobram qualidade,
mas encontram mercado junto a clientes menos exigentes. “Nem todos os
clientes exigem processos sofisticados, muitos trabalham em cima do preço
dos serviços. Nesse nicho, as informais criam competição predatória e
prejudicam quem trabalha seguindo a lei”, diz o diretor da G.P..
O comportamento da clientela também é criticado por Varela. “Eles querem
que utilizemos processos sofisticados, mas não pagam a mais por isso”,
desabafa. Para ele, esse aspecto é tão crítico que no próximo ano sua
empresa poderá abrir mão de alguns trabalhos. “Estamos avaliando alguns
casos e, se não entrarmos em acordo com os clientes, teremos que deixar de
atendê-los. Não podemos pagar para trabalhar”, explica.
O dirigente ressalta que pode se dar a esse luxo, o que não ocorre com
todos os prestadores de serviços. Ele lembra que a tecnologia avançada do
Grupo G.P. encontra mercado junto a empresas onde a qualidade dos serviços
é considerada imprescindível, caso das fabricantes de equipamentos para
plantas petroquímicas e da indústria aeronáutica. “Os trabalhos que
realizamos para esses nichos de mercado exigem muitos cuidados. No caso da
indústria aeronáutica, por exemplo, todas as peças, por menores que sejam,
são inspecionadas uma a uma. Esse esforço, no entanto, compensa, pois
esses trabalhos são melhor remunerados e nos ajudam a sobreviver”, resume.
Um fato tem aliviado as agruras das prestadoras de serviços. As empresas
de grande porte que trabalham de forma vertical e mantêm instalações
próprias para galvanizar peças componentes de seus produtos ainda
respondem por parcela significativa do mercado de galvanoplastia. A
prática, no entanto, tem encolhido. Muitas são as companhias que estão
terceirizando tais operações.
Serviços diversificados – A galvanoplastia é definida como o
tratamento utilizado para tratar superfícies de metais e plásticos, de
forma a evitar corrosão e/ou conferir aspecto decorativo às peças. A
atividade representa um mercado muito diversificado, procurado por
indústrias dos mais variados segmentos econômicos, entre as quais se
encontram a automobilística, de eletroeletrônicos, eletrodomésticos de
linha branca, construção civil, moveleira e petroquímica, entre outras.
Por representar um serviço intermediário, seu desempenho depende muito de
como a economia se comporta. “Se os nossos clientes vão bem, vamos juntos.
Se não, ficamos estagnados”, explica Barbieri.
Além dos prestadores de serviços, a operação conta com fornecedoras de
quatro tipos de produtos: sais, anodos metálicos, processos químicos e
equipamentos. Os sais e anodos são considerados commodities e fornecidos
por grandes corporações ligadas à indústria química. Os demais produtos
são comercializados por grupos especializados.
Na área de processos químicos ocorrem as maiores evoluções da tecnologia.
“A grande preocupação dos pesquisadores ligados a esse setor se concentra
na substituição de produtos agressivos ao meio ambiente”, resume Zehbour
Panossian, doutora em ciências e chefe do agrupamento de corrosão da
divisão de metalurgia do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de
São Paulo (IPT).
A especialista informa que no mundo inteiro estão sendo feitos estudos os
mais variados para tornar as operações ligadas à galvanoplastia menos
tóxicas.
Em resumo, esses processos químicos podem ser divididos em dois grandes
segmentos. Um deles é o do pré-tratamento de superfícies, que prevê a
limpeza e preparação das peças. Essa etapa utiliza em larga escala
processos à base de fostato. Nesse nicho, produtos dotados com componentes
nanotecnológicos, mais eficientes e menos agressivos ao meio ambiente,
devem ganhar espaço nos próximos anos.
O segundo mercado prevê a eletrodeposição de camadas anticorrosivas e/ou
decorativas de cromo, níquel, prata e ouro. Nessa operação ainda são muito
utilizados métodos que utilizam produtos venenosos. Um problema que vem
merecendo muitos estudos é o da substituição de banhos com base em
cianetos. Outro fator de preocupação é a utilização do cromo hexavalente,
que nos últimos tempos já vem sendo substituído pelo cromo trivalente, bem
menos tóxico.
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Cuca Jorge |
Ao todo, menos de dez empresas participam do mercado brasileiro de
fornecedores de processos químicos. Todas são multinacionais com fábricas
no Brasil. Esse fato faz com que a pesquisa e o desenvolvimento de
tecnologia nacional seja inexpressivo. As evoluções são pesquisadas nos
países onde estão localizadas as matrizes dessas empresas e os produtos
mais evoluídos são importados.
Isso afeta a utilização dos processos químicos menos tóxicos por aqui. “Os
produtos mais sofisticados têm matérias-primas importadas e apresentam
custos mais elevados. As prestadoras de serviços estão descapitalizadas e
resistem em adquiri-los”, resume Airi Zanini, presidente da Associação
Brasileira de Tratamentos de Superfície e diretor técnico da Anion
MacDermid, uma das participantes desse mercado. |
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| Zanini destaca processos com o cromo trivalente
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Zehbour lamenta a pequena preocupação das empresas nacionais que em algum
momento participam desse mercado em se dedicar à pesquisa e ao
desenvolvimento de novas tecnologias. “O número de estudos do gênero no
Brasil é quase nulo”, adverte. No âmbito do IPT, por exemplo, a exceção
fica por conta de um acordo recente feito entre o instituto e a Atotech,
empresa de origem francesa fornecedora de processos químicos e de
equipamentos para galvanoplastia. A Atotech está financiando um bolsista
que pesquisa a possibilidade de se eliminar o cianeto do banho de cobre
alcalino utilizado para revestir o zamak. “Resolvemos fazer esse
investimento seguindo uma prática normalmente adotada pela empresa no
exterior. Da mesma forma que os avanços obtidos no exterior são trazidos
para o Brasil, o resultado dos estudos feitos aqui podem ser levados para
outros países no futuro”, conta Milton Moraes Silveira, diretor-executivo
da Atotech.
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