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Feipur 2006
Segmento quer 'Zerar' VOCs dos
poliuretanos |
Texto de Rose de Moraes
e fotos de Cuca Jorge
Conforto
e durabilidade continuam abrindo mercados para os poliuretanos. Mas quem
partilha das inovações nesse campo sabe que, além das propriedades
físico-químicas e da melhor performance, os poliuretanos estão no alvo
de pesquisas instituindo novas bases às formulações e às reações
químicas de poliadiação entre polióis e isocianatos, com o propósito de
reduzir a níveis bem próximos de zero as emissões de compostos orgânicos
voláteis (VOC).
“Várias aplicações maduras estão sendo revistas e alteradas em função
das exigências atuais da Europa que se espalham pelo mundo todo”,
afirmou Todd Green, gerente de desenvolvimento de mercado de polímeros
automotivos da Basf Corporation, dos Estados Unidos.
| Como conferencista convidado
da 2ª. Feipur, feira e congresso internacional dos poliuretanos,
realizados em paralelo à Feiplar Composites, feira e congresso
internacional dos plásticos reforçados, de 7 a 9 de novembro, em São
Paulo-SP, Green apresentou uma das palestras mais interessantes e
concorridas de toda a programação, destacando os poliuretanos na
indústria automotiva, vanguarda de inovações em matérias-primas e
processos, com poder de influenciar inúmeras outras aplicações. No
decorrer da conferência de Green, ele ressaltou que nos últimos cinco
anos as montadoras têm investido em novos desenvolvimentos priorizando
o maior conforto dos motoristas e passageiros, reduzindo vibrações,
ruídos e preocupando-se mais com a eficiência dos isolamentos
acústicos. |
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| Green: características do PU favorecem as inovações |
No mesmo período, a Basf acelerou a busca de alternativas para
reduzir a presença de orgânicos na química dos poliuretanos, e
desenvolveu novas tecnologias de baixa emissão voltadas à fabricação de
componentes acústicos, bem como novas tecnologias para cargas,
propagando também o maior uso de elastômeros de PU em spray.
“Os poliuretanos apresentam vantagens competitivas em comparação com
outros materiais porque suas características de fabricação permitem o
controle das emissões e sua redução a níveis muito baixos”, afirmou
Green.
As novas gerações de polióis em base poliéter apresentam baixa emissão
de VOC e a catálise das espumas pode ocorrer de forma completamente
restrita.
Citando os parâmetros do acordo de cooperação tecnológica firmado entre
a Basf e a Mercedes-Benz, ele informou que as emissões a partir dos
componentes fabricados para o interior dos veículos não devem
ultrapassar os 100 p.p.m., contra níveis anteriores de 600 p.p.m. até
800 p.p.m. “Para todas as plataformas de fabricação de painéis
automotivos, vamos oferecer novas tecnologias e novas combinações de
matérias-primas e sistemas de poliuretanos, prevendo níveis reduzidos de
emissões”, afirmou Green.
As novas tecnologias de poliuretanos, no caso, assentam-se, por exemplo,
em base aromática, e não mais alifática, tornando-se mais competitivas
do que as tecnologias em PVC. Para a fabricação de painéis automotivos,
as vantagens são amplas. Além das emissões reduzidas, os poliuretanos
propiciarão maior leveza, maior resistência, melhor acabamento,
inclusive nas áreas destinadas aos air-bags, permitindo o emprego de
texturas e cores nos revestimentos, sem aumentar custos.
Os poliuretanos conquistaram mercados sofisticados, principalmente em
forrações e revestimentos de painéis, mas os volumes de consumo tendem a
aumentar bem mais nos próximos anos em decorrência dos novos
desenvolvimentos e dos custos mais atraentes. Os volumes de PU
empregados no interior dos automóveis crescem anualmente em níveis
superiores aos alcançados na produção de veículos, mas deverão crescer
ainda mais, acentuando-se, por exemplo, no mercado das pick-ups,
produzidas com fileiras de assentos em PU.
Segundo estimativas feitas por Green, cada veículo do tipo passeio já
estaria consumindo hoje, no mundo, entre 14 kg e 16 kg, em média, de PU.
Nos Estados Unidos, esses volumes já estariam por volta de 17 kg, em
média, por veículo. Na Ásia, entre 10 kg e 12 kg e, no Brasil, entre 12
kg e 13 kg. Das 400 mil toneladas/ano empregadas no mundo todo na
fabricação de componentes em PU para o interior dos veículos, boa parte
é utilizada na fabricação de bancos automotivos. As demais aplicações
envolveriam revestimentos de painéis, volantes, tetos, encapsulamento de
vidros, tapetes, componentes utilizados nos compartimentos dos motores e
elementos de decoração.
Abrindo horizontes – Primeira indústria de artefatos brasileira a
fabricar tapetes em poliuretano (PU) para caminhões, tratores e
utilitários, exibidos na Feipur, a TKM, de Diadema, do grupo Paranoá,
acredita ter feito o investimento certo, na hora certa. Ao sair em busca
de novos e mais lucrativos negócios, influenciada pelas tendências que
se acentuam na Europa de substituir matérias-primas, como borrachas de
SBR, por PU, em aplicações críticas, a empresa deu a largada e colhe
boas vendas, com fornecimentos já assegurados para a Scania Caminhões,
de São Bernardo do Campo-SP, e AGCO Tratores, do Rio Grande do Sul, bem
como para fabricantes de empilhadeiras, como Hyster e Yale, de São
Paulo.
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