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TINTAS
Abrafati se prepara para reduzir
VOCs
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Com o objetivo de promover o diálogo entre os elos da cadeia de tintas,
a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) reuniu
fabricantes, fornecedores e um grupo de consumidores, representados por
associações de classe, no 1º Fórum Abrafati da Indústria de Tintas. O
evento, realizado no dia 30 de novembro, em São Paulo, apresentou
perspectivas para o setor e ressaltou a importância do comprometimento
do empresariado com a proteção ambiental.
Um dos principais temas do evento ficou a cargo do diretor-técnico da
Tintas Coral, Francisco Diniz. Ele discorreu sobre a regulamentação dos
compostos orgânico voláteis (VOC - Volatile Organic Compounds). Os
executivos presentes mostram-se comprometidos com a iminente redução de
VOC nas formulações de tintas e vernizes, independentemente da
regulamentação. Para Diniz, no entanto, não será uma tarefa fácil para
as indústrias promover a substituição de determinados solventes por
água. “Não se sabe ainda qual será o impacto no custo, as empresas terão
de se moldarem”, alertou. A primeira menção sobre a diminuição de
compostos voláteis à atmosfera se deu na Califórnia, em 1966. No caso do
Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer. Diniz ressaltou a
necessidade de padronizar os cálculos de VOC e propôs um trabalho
conjunto entre fornecedores, produtores e consumidores.
Para Kai Uemoto, acadêmica da Escola Politécnica da Universidade de São
Paulo, não se pode responsabilizar mercados isolados, pois o VOC está em
quase todos os produtos químicos, não somente nas tintas. Antonio Rollo,
da Akzo Nobel, concorda e vai além. Segundo ele, mesmo consciente de que
o setor de transporte é o principal gerador de VOC, a indústria química
está interessada no controle e na redução do VOC. Ivonei Vavassori, da
WEG Química, exemplifica esse cenário. Ele contou que a empresa possui
linha de produtos em consonância com a regulamentação européia. “No
Brasil já existe tecnologia disponível”, afirmou. Luis Manuel Mota, da
Sherwin-Williams, concorda. Segundo ele, as indústrias têm lançado
muitos produtos à base de água. “Estamos seguindo as tendências de
perto”, disse.
Para o vice-presidente da Abrafati Paulo Vieira, a transição será
gradual, pois ainda há algumas lacunas, como a baixa capacitação da
mão-de-obra, a ausência de regulamentação e a baixa tecnologia empregada
por alguns segmentos em seus produtos.
Mercado – O presidente do conselho diretivo da Abrafati, Rui Goerck,
apontou projeções otimistas para o setor em 2007. Segundo sua avaliação,
os segmentos de repintura, indústria geral e imobiliária devem crescer,
corroborando com o avanço de 4,4% do mercado de tintas. A Abrafati
sustenta o desenvolvimento do setor em quatro pilares estratégicos:
tecnologia, capacitação profissional, competitividade e proteção
ambiental. Neste último quesito, a entidade destacou o programa de
atuação responsável Coatings Care. A redução da carga tributária também
figurou entre as prioridades da Abrafati, como uma das frentes para
injetar competitividade no setor, assim como a capacitação profissional.
“Eu quero criar a profissão de pintor”, comentou Goerck.
A diretora de economia e estatística da Associação Brasileira da
Indústria Química (Abiquim), Fátima Giovanna Coviello Ferreira, traçou
um panorama das indústrias química e petroquímica. Responsáveis pelo
segundo posto em participação no PIB Industrial – atrás do setor de
alimentos e bebidas – os produ-tos químicos obtiveram faturamento
líquido de cerca de R$ 170 bilhões, no ano passado. Apesar do setor
registrar queda de 3,9% entre 2005 e 2004, quando faturou R$ 176
bilhões, Fátima vislumbra um cenário positivo. Para ela, haverá maior
oferta de gás (Bacia de Santos), o que pode estimular novos projetos
petroquímicos e mais investimentos no segmento de produtos processados
de matérias-primas renováveis, com o uso de biotecnologia e
nanotecnologia.
Especializada na oferta de produtos para a indústria moveleira, a
Montana Química acompanhou a queda de seu faturamento. De acordo com
Aldo Gandolfi, neste ano houve redução de 6,77%, em relação ao 2005. Um
dos motivos seria o fraco desempenho das exportações em Santa Catarina.
Na avaliação dos executivos, no entanto, 2006 também apresentou aspectos
positivos. Para Alexandre Cenacchi, da Renner Sayerlack e
vice-presidente da Abrafati, houve a redução da informalidade, sobretudo
em produtos para a indústria moveleira.
Tendências – Carlos Thurler, da PPG, ressaltou a importância do
alinhamento da cadeia de tintas e da continuidade dos investimentos em
tecnologia. “A nanotecnologia é uma realidade do mercado brasileiro”,
exemplificou. Para Marcelo Suarez, da Coral, no entanto, a indústria
precisa procurar novas oportunidades e lutar contra os altos impostos,
para assim, crescer. De acordo o presidente da Associação Brasileira da
Indústria de Materiais de Construção, Melvyn David Fox, uma das maneiras
do País evoluir é investir na construção civil. Por isso, ele apresentou
a União Nacional da Construção, grupo criado em agosto deste ano, que
congrega 80 entidades do setor. Otimista, Fox aposta na contribuição do
governo.
Essa tese se comprovou com o diretor do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Otávio Bezerra
Prates. “Vejo a disposição governamental de apoiar a construção civil”,
disse. Para ele, no entanto, o caminho tem dois lados, pois os
industriais também precisam ser competentes para apresentar propostas
viáveis”. Ele divulgou que o setor habitacional responde por cerca de
25% dos investimentos computados no PIB Brasileiro e, para este ano,
devem ser aplicados R$ 19 milhões em financia-mento habitacional, o
equivalente a 90% mais do que em 2005. Uma das alternativas para apoiar
o sistema habitacional, para ele, se traduz nas construções modulares.
Os projetos otimizam o processo de construção e permitem a redução de
perdas e custos, entre outros benefícios.
Entre as tendências, o presidente da Anamaco – Associação Nacional dos
Comerciantes de Material de Construção, Cláudio Elias Conz, aponta que
o consumidor, cada vez mais, quer comprar a casa pintada e não a tinta.
O presidente da Associação Brasileira das Reparadoras Independentes de
Veículos, Geraldo Santo Mauro, por sua vez, tirou o foco da venda. “No
nosso mercado, o consumidor compra o serviço”, comentou.
Renata Pachione
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