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TUBOS
Grupo catarinense inaugura fábrica
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A maior empresa do Planalto Norte de Santa Catarina, instalada na
bucólica São Bento do Sul, está ampliando suas atividades. O Grupo Tuper,
até então composto por quatro unidades, inaugurou sua quinta fábrica,
destinada à produção de tubos especiais tratados térmica e quimicamente,
e tubos trefilados. Após concluir o investimento de R$ 30 milhões, o
grupo se torna apto a fabricar tubos de maior valor agregado e
aprofundar sua atuação como fornecedor para consumidores mais exigentes.
A Tuper surgiu como fabricante de sistemas de exaustão automotivos –
escapamentos da marca Sicap – para o mercado de reposição, segmento que
lidera no País com fatia de 25% de participação.
Quase dez anos depois
passou a fabricar tubos de aço sem costura, pela necessidade de novos
fornecedores da matéria-prima para sua fábrica de escapamentos,
constituindo, mais tarde, a unidade de telhas e perfis de aço para a
construção civil e a joint venture Eberspächer Tuper, fornecedora de
catalisadores e escapamentos silenciosos para montadoras.
Com a maior parte de suas linhas voltada para a produção de tubos
commodities (mercado disputado por mais de setenta competidores no
Brasil), a empresa precisava terceirizar serviços, como a trefilação e
os tratamentos térmicos, para fornecer produtos para clientes do setor
automotivo, mais especializados e com superiores demandas técnicas. |
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Bollmann pode produzir tubos
API, mas prefere ir com cautela |
Os
tubos com costura produzidos em formadoras possuem tensões elevadas e
grãos com tamanho inadequado na região da costura, onde se dá a solda, o
que torna esses pontos frágeis e sujeitos à fadiga. Se o produto é
utilizado em carros ou motos, em peças expostas a grandes esforços
mecânicos, as montadoras exigem pós-processamentos para aliviar essas
tensões residuais oriundas da solda.
A recém-inaugurada Tuper Tubos Especiais foi concebida para realizar os
serviços antes terceirizados e permitir vantagens competitivas no
mercado trefilador, de modo a ampliar a participação da empresa no
fornecimento para sistemistas, montadoras de automóveis, e indústrias
sucroalcooleiras (na área de caldeiraria). A fábrica é equipada com
forno de tratamento térmico a gás, carregamento automático e capacidade
para 2 t/h (processo de normalização a 920º C) ou 3 t/h (recozimento a
720º C), que pode ser utilizado tanto para homogeneizar a estrutura dos
tubos e evitar fadiga, quanto para prepará-los para a etapa de
deformação a frio (trefilação).
Além disso, foram instalados 13 tanques
com banhos químicos (14, se incluída a estufa de secagem a gás),
incluindo processos de desengraxe alcalino para remoção de óleo e
sujidades, decapagem com ácido sulfúrico, fosfatização e lavagens com
sabões neutralizantes ou reativos e água. Os resíduos dessas etapas são
direcionados a uma estação de tratamento de efluentes. A Tuper Tubos
Especiais também recebeu duas máquinas de trefilação com força de tração
para puxar até 50 toneladas e três tubos simultaneamente, além de uma
endireitadeira de rolos, um equipamento de testes por correntes
parasitas (eddy current) instalado em linha e outro para corte. A
capacidade instalada global é de 600 t/mês de tubos trefilados, 3 mil
t/mês para banhos químicos e 1,5 mil t/mês para tratamentos térmicos.
Segundo o diretor-presidente do grupo, Frank Bollmann, o investimento
deverá gerar entre 50 e 60 empregos diretos. Ele espera que a nova
empreitada esteja madura e inserida no mercado nos próximos seis meses,
quando já deverá ocupar entre 70% e 80% de sua capacidade instalada. O
faturamento do grupo, estimado para R$ 350 milhões em 2006, deverá
crescer para R$ 420 milhões, em 2007, com a contribuição da fábrica de
tubos especiais. O consumo previsto de aço pelas empresas Tuper, no
mesmo ano, é de 130 mil t.
Condução e conversão catalítica – Com as novas habilidades que a planta
de tubos especiais acrescentará, o grupo catarinense se habilitou – em
termos de processo – à produção de tubos API, específicos para a
condução de petróleo e gás. A dificuldade principal, no entanto, reside
no ingresso no mercado, vinculado aos processos de certificação e
homologação do produto, que demandariam entre um ano e um ano e meio.
Não obstante a oportunidade de negócio e a capacitação técnica de
manufatura, Frank Bollmann ressalta que a Tuper “não quer abrir demais o
leque e deixar de atender os clientes que tem hoje”.
Um mercado que deve se tornar mais importante para o grupo, entretanto,
é o de conversores catalíticos, atendido em relacionamento exclusivo com
montadoras pela joint venture entre a Tuper e a Eberspächer.
A união foi constituída para disponibilizar no mercado nacional
tecnologias do estado-da-arte desenvolvidas pela parceira alemã e não
oferecidas pela indústria nacional. “Outro motivo é que o nome abre
portas”, explica em português fluente e com algum sotaque o alemão Klaus
Scherer, gerente geral da Eberspächer-Tuper. A empresa possui forte
atuação no segmento de escapamentos para veículos de grande porte, como
caminhões e ônibus, com fatia de 40% do mercado brasileiro. Mas, segundo
Scherer, trata-se de um segmento que ainda utiliza tecnologia muito
simples. A partir de 2009, entra em vigor no País legislação
correspondente à fase quatro (Euro 4) da legislação equivalente
européia, determinando grande redução nas emissões desses veículos. “O
simples escapamento se transformará em uma fábrica de tratamento de
gases”, ilustra o alemão.
Essa alteração do cenário normativo provocará mudanças profundas,
implicando na confecção de todo o sistema de exaustão em aço inoxidável,
na presença de monólitos e de processos de conversão catalítica, como,
aliás, já acontece nos carros. Sozinho, o grupo brasileiro não teria
condição para oferecer esse tipo de tecnologia, pois ela requer
desenvolvimentos básicos que custam alguns milhões de euros. Mas, com a
parceria e tropicalizações, haverá soluções locais. A dependência do
conhecimento estrangeiro da Eberspächer se acentuará, em virtude dessa
maior demanda por know how, mas Scherer destaca que a capacidade de
desenvolvimento local também será ampliada.
Os conversores catalíticos contêm metais como platina, ródio e paládio,
os principais empregados em catalisadores. Sua função é acelerar reações
que convertem gases poluentes, como monóxido de carbono (CO) e óxidos de
nitrogênio e enxofre (NOx e SOx) em produtos “limpos”. Nos conversores
para sistemas a diesel, que serão introduzidos até 2009 no Brasil, a
redução das emissões chegará a 90%, em comparação aos níveis atuais.
Márcio Azevedo
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