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O que acontece mundo afora - Baseado em estudo feito pela Lux Research e que leva em consideração fatores como números de patentes, publicações, investimentos em pesquisa e desenvolvimento feito por empresas, presença de capital de risco e outros, o expositor dividiu os países investidores em nanotecnologia em quatro grupos. No primeiro, apontado como dominante, onde aparecem países com elevado grau de investimento em ciência e na transformação do conhecimento científico em produtos comerciais, surgem Estados Unidos, Japão, Alemanha e Coréia do Sul. No grupo batizado de Torre de Marfim, composto por países com elevado grau de investimento em ciência, mas reduzida capacidade de utilizar esses conhecimentos para desenvolver produtos, se encontram Inglaterra e França. O terceiro grupo, onde aparecem países que estão se especializando no desenvolvimento de produtos “nano” para determinados nichos de mercado, se situam Taiwan, Israel e Cingapura. No último, definido como de atores menores, surgem China, Rússia, Austrália, Canadá e Índia. O perfil dos investimentos que vêm sendo realizados leva a prever alterações nesse quadro nos próximos anos. Taiwan e China aparecem como países onde o desenvolvimento da nanotecnologia deve dar salto significativo. Na avaliação do palestrante, o Brasil aparece no grupo de atores menores, com destaque ainda reduzido. O CEO da Lux Research acredita que o País tem potencial para sair desse estágio e entrar para o grupo dos “nichos” se houver crescimento nos investimentos nos próximos anos. Hébert divide em quatro os tipos de produtos “nano”. O primeiro é o dos que são conhecidos do público. Entre eles, o dirigente destaca a tinta utilizada na pintura dos modelos mais sofisticados da Mercedes-Benz, resistente a riscos e que, ao sofrer arranhões de até um milímetro de espessura, se regeneram sem necessidade de qualquer reparo. Outros produtos desta categoria destacados por ele são os refrigeradores da Samsung, que utilizam plásticos enriquecidos com nanopartículas de prata em suas peças interiores. Esses plásticos evitam a proliferação de bactérias. Um segundo grupo apontado é o de produtos pouco comentados entre os consumidores. Como exemplo, o executivo destaca o aditivo Oxonica, utilizado na Grã-Bretanha, criado para melhorar a reação química dos combustíveis automotivos. Ele vem sendo utilizado nos oito mil ônibus da frota de Londres e está proporcionando uma economia anual de 1,9 milhões de barris de diesel por ano para o setor de transporte da capital inglesa. O terceiro grupo é o formado por produtos que proporcionam mudança significativa de desempenho em relação aos similares convencionais. Hébert exemplifica citando um isolante térmico lançado pela norte-americana Aspen. Fornecido em aerogel, ao ser aplicado em um tecido leve, por exemplo, ele permite grande proteção ao fogo. É um produto indicado para roupas usadas em ambientes muito quentes ou para invernos rigorosos. Também tem outras aplicações, como o revestimento de tanques de combustíveis. O último grupo é o dos produtos que trazem avanços à medicina. Um exemplo é o da empresa alemã Magforce, que desenvolve medicamentos “nano” para o combate ao câncer. Um desses produtos tem sido testado em pacientes terminais. Eles recebem uma dose de nanopartículas que se concentram na região afetada pela doença. Essas nanopartículas são identificadas pelos equipamentos de radioterapia, que eliminam os tumores de forma muito mais precisa e com menor sofrimento para os enfermos. “Muitos pacientes que iam morrer em semanas estão ganhando uma sobrevida de um ou dois anos”, informa. Cenário nacional – Desde o início do século, o governo federal tem apoiado a pesquisa e o desenvolvimento da nanociência no Brasil. As verbas oficiais destinadas aos estudos relativos ao tema evoluíram de R$ 54 milhões, aplicados no período de 2001 a 2004, para R$ 71 milhões previstos para o biênio 2005 e 2006. As pesquisas realizadas têm se focado em nanobiotecnologia, no desenvolvimento de sensores e de variados materiais com propriedades diferenciadas. Em 2001, foram criadas quatro redes de pesquisas, cujo objetivo era a troca de informações sobre estudos realizados por inúmeros institutos especializados e universidades. Cada uma dessas redes era responsável pelo desenvolvimento de estudos em assuntos específicos. Em 2003, foi criado o Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia. O número de redes de pesquisa foi ampliado para dez no ano passado. Também foram feitos investimentos para desenvolver laboratórios de apoio à pesquisa, como o Laboratório Nacional de Luz Sincrotron. Em entrevista concedida à Química & Derivados durante visita que realizou na Nanotec 2006, Luiz Antonio Rodrigues Elias, secretário de desenvolvimento tecnológico e de inovação do Ministério de Ciência e Tecnologia, explicou que o interesse do governo é de, no próximo biênio, no mínimo manter a verba aplicada nos anos de 2005/6. “A verba é pequena quando comparada com a investida nos países avançados, mas é significativa em relação à de outros países do Hemisfério Sul, em especial da América Latina. Temos de levar em conta as dificuldades econômicas que impedem o Brasil de investir quantias maiores”, explica. Elias demonstra a preocupação do governo em fazer com que pesquisas realizadas no mundo acadêmico resultem no lançamento de produtos. Para combater o problema ele anuncia um projeto de subvenção de R$ 300 milhões, lançado há pouco tempo pelo governo e que tem como objetivo transformar em realidade alguns projetos de tecnologia propostos por empresas. Essa verba será dividida entre as melhores propostas feitas pelas concorrentes. “Ao todo, já se inscreveram 1,7 mil projetos”, informa. A nanotecnologia receberá boa fatia deste montante. “Pelo menos R$ 30 milhões serão destinados a trabalhos que envolvem a área”, garante o secretário. O projeto do governo federal, apesar de contar com aspectos positivos, sofre reparos de especialistas. Fernando Galembeck, professor titular do Instituto de Química da Unicamp e membro da Academia Brasileira de Ciências, é um dos críticos do programa. O acadêmico faz um resumo do atual cenário mundial. “O desenvolvimento da nanotecnologia está acontecendo perto de nós, a cada momento surgem produtos em todos os setores da economia”, adverte Galembeck. Para ele, esse fenômeno acelera a obsolescência de produtos e processos. “Não se trata de uma onda, se trata de sobrevivência coletiva”, ressalta. Diante desse quadro, Galembeck lamenta a insuficiência de recursos e a falta de resultados mais expressivos da política adotada pelo governo federal. O professor também critica a falta de lastro dos investimentos em nanotecnologia feitos pelo governo do Estado de São Paulo, o mais rico da Federação. Para ele, o Brasil deveria concentrar os recursos disponíveis nas áreas que apresentam maior competitividade ou supremacia. “No Brasil, não percebemos o quanto somos capazes quando temos condições. Somos o único país do mundo que detém tecnologia de combustíveis renováveis, mas isso se deve a trinta anos de esforço voltado à pesquisa e desenvolvimento”, diz. Uma outra possibilidade, na opinião de Galembeck, seria desenvolver a nanotecnologia nas áreas em que o Brasil enfrenta sérios problemas. Para ele, o País poderia, por exemplo, pesquisar soluções para doenças tropicais, problemas habitacionais, de transporte, de tratamento de efluentes. “O produto químico que mais importamos é o fertilizante cloreto de potássio, que custa ao País US$ 1 bilhão por ano. Podíamos pesquisar uma alternativa”, sugere. Os reparos feitos por especialistas ao modelo de desenvolvimento da nanotecnologia no Brasil não se resumem aos setores públicos. Empresas nacionais dos mais diversos setores também são criticadas pela falta de interesse em investir no lançamento de produtos nanotecnológicos. Petrus Santa Cruz, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco, apresentou um dado revelador sobre tal desinteresse. Nos Estados Unidos, a indústria é responsável por 70% das verbas dirigidas à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos.
Um dos principais entraves dessa falta de recursos
privados se encontra no distanciamento existente por aqui entre empresas e
universidades. A opinião é unânime. |
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