Dos laboratórios para as prateleiras
Todos os dias chegam ao mercado produtos dotados com componentes
nanoparticulados
Os estudos dos materiais em escala nanométrica não estão apenas na esfera da ciência. Inúmeras são as pesquisas, realizadas nos quatro cantos do planeta, voltadas para o desenvolvimento de aplicações práticas que em algum momento envolvem a presença desses elementos. Essas pesquisas abrangem quase todos os segmentos industriais e vêm resultando, nos últimos anos, no lançamento diário dos mais variados produtos, com grandes vantagens de desempenho quando comparados com similares produzidos sem o suporte da nanotecnologia. Em resumo, essa foi a principal conclusão que se pode tirar das palestras apresentadas durante a Nanotec 2006, II Congresso Internacional de Nanotecnologia, realizada entre os dias 6 a 8 de novembro no ITM Expo, em São Paulo. Estiveram presentes convidados internacionais e os principais nomes do Brasil especializados no tema. Entre eles, um pensamento único se destacou. Investir em pesquisa e desenvolvimento de produtos nanotecnológicos não significa mais seguir a moda, e sim se manter competitivo no campo da indústria. A palestra de abertura teve como atração o empresário norte-americano Peter Hébert, CEO da Lux Research, empresa criada nos Estados Unidos no final da década passada e apontada como a primeira do mundo com foco no mercado de nanotecnologia. Em sua apresentação, Hébert fez um painel sobre a crescente influência da nanotecnologia no mercado global. Ele estimou que, em 2014, o mercado mundial de vendas de produtos com algum componente “nano” em sua estrutura deve atingir a casa dos US$ 2,3 trilhões. O número é mais do que duas vezes maior que a estimativa apresentada na edição do ano passado da Nanotec, que era de US$ 1 trilhão no ano de 2020. E esses valores são constantemente revisados para cima. Para o dirigente da Lux Research, o aumento constante de faturamento com a venda de produtos é fruto de elevados investimentos feitos tanto na esfera pública quanto pelas empresas. Em 2005, estima-se que os recursos aplicados em pesquisa e desenvolvimento da nanociência e nanotecnologia por governos, universidades e empresas foram de aproximadamente US$ 45 bilhões. Parte significativa desses dólares sai dos cofres de gigantes multinacionais – Basf, Microsoft, Philips, Procter & Gamble, Samsung, entre dezenas de outras. Mas também se deve destacar o esforço feito por empresas com os mais variados perfis, entre as quais micro e pequenas companhias que nascem com a obtenção de determinada tecnologia e que em pouco tempo crescem com a ajuda de grupos de investidores ou da abertura de capital nas bolsas. Hébert fez uma comparação curiosa. Lembrou que o diâmetro de uma bola de futebol está para o diâmetro do Planeta Terra assim como um nanômetro está para o diâmetro da bola de futebol. Quando estão em partículas de tal dimensão, as matérias apresentam propriedades distintas, que podem ser aproveitadas em aplicações no passado inimagináveis. As nanopartículas são muito difíceis de ser manuseadas, apesar desse feito não ser novo. Na antiguidade, várias aplicações demonstram que o homem já havia conseguido realizar essa proeza. O exemplo mais antigo pode ser encontrado no Copo de Lycurgos, taça de vidro feita durante o Império Romano e que se encontra exposta no Museu Britânico. A taça contém nanopartículas de ouro que lhe proporcionam diferentes tonalidades de cor quando exposta em ambientes dotados com iluminações distintas. Os cientistas não sabem como os romanos conseguiram obter as nanopartículas em tempos tão remotos.
Ele exemplificou, lembrando que milhões de dólares têm sido investidos nas últimas décadas no desenvolvimento de microscópios com impressionante capacidade de ampliação. Estima-se que a venda de instrumentos com capacidade de medição nanotecnológica deva atingir a casa dos US$ 20 bilhões em 2014.
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