GASES

 Siderurgia puxa o consumo de
oxigênio e argônio, e desencadeia
investimentos dos fornecedores


Marcelo Fairbanks

Lanças de oxigênio  aumentam qualidade do aço

O agitado mercado de gases industriais assiste a uma onda de investimentos em capacidades produtivas, comprovando o desejo dos clientes em aprimorar a qualidade de seus produtos pela aplicação de tecnologias avançadas. O setor siderúrgico e o metalmecânico puxam a fila, absorvendo maiores quantidades de oxigênio e argônio, este em absoluta escassez mundial, com preços elevados. Não fazem feio os volumes absorvidos na produção de celulose e papel, além da atividade petroleira, ambas em crescimento no País.

Entre os projetos de unidades de variados portes e conceitos (criogênicas ou não, dedicadas ou multiusuário) flutua o espectro do apagão elétrico, que pode confirmar-se em 2009 ou 2010. A produção dos gases do ar (nitrogênio, oxigênio e argônio) é consumidora voraz de eletricidade, de longe o maior componente de custos. A possibilidade de suprimento restrito provoca calafrios no setor.

“Nossas projeções apontam para um déficit de energia em 2010 e já estamos trabalhando para evitar impactos significativos nos custos, mas ainda não podemos garantir os resultados”, afirmou Álvaro Ferreira, diretor de negócios da White Martins (Praxair), líder nacional do setor. “As fábricas novas são mais eficientes em consumo de eletricidade, que compramos no sistema interligado, mas há risco de faltar energia em 2009”, comentou José Fernando Rodrigues, diretor de negócios e presidente da Aga/Linde no Brasil. “Esperamos que o suprimento de eletricidade seja mantido”, disse Renato Montagnini, gerente-comercial para a América Latina da Air Products Brasil. “Em caso de escassez, reduziremos a produção em São Paulo e aumentaremos a do Sul, como fizemos em 2001.”

Gases do ar crescem – A efetivação de vários projetos industriais animou as produtoras de gases a investir. A Aga/Linde iniciou a construção de unidade criogênica em Santa Cruz-RJ para 1.200 toneladas/dia de nitrogênio, oxigênio e argônio. Essa fábrica substituirá a unidade existente, construída há mais de vinte anos, para 800 t/dia. “A localização é estratégica e nos permitirá atender à unidade próxima da Gerdau, além de outros negócios na região”, explicou Rodrigues. O investimento está orçado em R$ 150 milhões, com previsão de entrar em operação em 2009.

No início de setembro o grupo Linde comprou a concorrente British Oxigen Company (BOC), formando um gigante com vendas mundiais de doze bilhões de euros por ano. A consolidação acelerou o processo de mudança de identidade da companhia no Brasil, que deverá ser reconhecida pela denominação internacional Linde Gas. No País, o nome Aga era bem mais conhecido do mercado dos gases, onde atua há 91 anos, até porque a empresa alemã deixou de operar no território nos anos 80. Curiosamente, a unidade de Santa Cruz era remanescente dos investimentos da Linde naquela época.

“Nossos planos incluem dobrar o tamanho da operação no Brasil em cinco anos, no máximo”, disse Rodrigues, demonstrando o apetite para investir. A BOC contribuirá com uma instalação para oxigênio em Vitória-ES, que atende à siderúrgica CST (Arcelor) e outra para gás carbônico, em Cubatão-SP. Para o diretor, a fábrica de Vitória aumentará a flexibilidade para atender o mercado. “Não há superposição geográfica entre a Linde Gas e a BOC na América Latina”, afirmou.
 

 
  <<< Anterior