A expectativa dos fabricantes de bombas é de incremento das vendas para esses segmentos em 2007, além de um aquecimento dos pedidos das siderúrgicas. “Esses setores contam com projetos de investimentos bem definidos, aparentemente irreversíveis e devem gerar encomendas de bombas durante os próximos dois anos”, diz Luiz Maggioni, gerente de vendas para a área industrial da Flowserve.

  Mas fora desses segmentos econômicos, as perspectivas não são tão animadoras. As encomendas da indústria química, no momento, são bastante limitadas. Assim como estão lentos os investimentos em setores que, tradicionalmente, são grandes consumidores de bombas industriais, como saneamento básico, abastecimento público de água e indústria naval. Na agricultura, o ano foi de retração nas encomendas.

 Os efeitos do câmbio - A estagnação no crescimento das encomendas na indústria de bombas no biênio 2005/2006 veio em um momento de grande pressão sobre as margens de lucro, motivada por dois fatores distintos: aumento de custos, principalmente devido à elevação mundial do preço do aço, e a perda de competitividade internacional, em conseqüência da valorização do real. Alguns fabricantes relatam trabalhar com margens de lucro inferiores a 5%, o que não permite planos de investimentos em ampliação de capacidade produtiva.

 O mercado de bombas é subdividido em dois segmentos principais: o de bombas produzidas em série, as seriadas, e o de bombas sob encomenda, ou “engenheiradas”, como gostam de falar os profissionais do setor.

 O presidente da CSBM, Wagner Vilela Cipola, atua no segmento de bombas seriadas, por meio da Thebe Bombas, indústria paulista especializada nos mercados de construção civil e irrigação. Ele relata que a valorização cambial praticamente inviabilizou a competitividade dos fabricantes brasileiros de bombas seriadas no exterior.

 Cipola relata que, em seu auge, a exportação de bombas seriadas chegou a 35% da produção. Mas essa fonte de receitas praticamente secou. “Hoje as exportações de bombas seriadas tendem a zerar”, diz o executivo. Segundo Cipola, as bombas nacionais chegam ao exterior com um preço médio 40% superior aos produtos asiáticos, principalmente chineses.

 Na opinião do executivo, essa diferença poderia ser significativamente menor se não fosse  a alta carga tributária brasileira e a forte valorização do real, de 30% nos últimos dois anos, segundo o departamento de economia da Fiesp. “Nossos produtos são melhores que os asiáticos, mas a competitividade do País é menor”, afirma Cipola.

O que mais preocupa os fabricantes de bombas seriadas, porém, é a possibilidade de ter de competir com os produtos chineses no mercado interno. Por enquanto, as importações nesse segmento de negócios não superam 5% do mercado local. Cipola acredita que o fato das empresas brasileiras possuírem uma boa rede de distribuição e assistência técnica espalhada em todo o território nacional ainda limita as importações. Mas essa vantagem, que por ora beneficia o produto nacional, pode também vir a servir o produtor estrangeiro. Há indícios de que fabricantes locais estudam substituir parte de sua produção por importados, passando a atuar como representantes comerciais.

O câmbio também afeta o desempenho dos fabricantes de bombas “engenheiradas”, consumidas principalmente pelo setor industrial. Em 2006, o segmento de bombas sob encomenda foi responsável praticamente sozinho pela margem de 15% das exportações registradas pelo setor. Mas esse desempenho poderia ser bem melhor.

 

 
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