PETROQUÍMICA 

Ipiranga busca propeno para montar outra faábrica de PP

A Ipiranga Petroquímica tenta fechar com a Petrobrás um novo contrato para compra de propeno (cerca de 180 mil toneladas/ano) com o objetivo de construir nova planta de polipropileno, orçada em mais de US$ 220 milhões. Se as conversações chegarem a bom termo, a nova unidade do Pólo Petroquímico de Triunfo-RS deverá entrar em operação por volta de 2010. Com isso, a IPQ passaria a contar com capacidade instalada de 330 mil t/ano de PP.

Atualmente, além das linhas de PEAD, a empresa mantém uma fábrica de PP, com tecnologia Spheripol, capaz de processar 150 mil t/ano de propeno. A IPQ poderá obter a partir de janeiro de 2007 mais 40 mil toneladas da olefina diretamente da Refap S/A, em Canoas-RS, para operar à plena carga.

 “As negociações estão evoluindo. Em breve teremos novidades para o mercado”, antecipou o novo diretor-superintendente da IPQ, Alfredo Tellechea. Ele substituiu Paulo Roberto Magalhães em 30 de setembro, aposentado compulsoriamente em obediência ao estatuto corporativo. No seu entendimento, as ampliações da capacidade produtiva da IPQ a médio prazo se justificam, porque quando o País começar a crescer acima de 4 pontos percentuais, o consumo de resinas deverá aumentar em, no mínimo, 11% ao ano. A divulgação do mais importante projeto da IPQ para os próximos anos foi anunciada em 9 de novembro, durante a divulgação do balanço do Grupo Ipiranga referente ao terceiro trimestre de 2006. A IPQ obteve receita bruta acumulada no ano de R$ 1,8 bilhão, crescimento de 3,8% em comparação com os nove primeiros meses de 2005.

No mesmo intervalo de tempo, o lucro líquido chegou a R$ 214,4 milhões e o EBITDA atingiu R$ 358,6 milhões. “O lucro líquido trimestral cresceu 20,2%, para R$ 61,2 milhões”, acrescentou Tellechea. O EBITDA consolidado foi de R$ 124,8 milhões, com crescimento de 15,2% perante o mesmo trimestre de 2005. A receita bruta no trimestre foi de R$ 649,8 milhões, 12,3% superior à registrada no mesmo período de 2005. De acordo com o diretor-superintendente, o trimestre foi marcado pela recomposição de preços dos produtos no mercado interno e pela queda nos preços do petróleo e derivados no final do período.

O volume total de vendas de resinas termoplásticas de janeiro a setembro cresceu 5,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento foi de 12,1% no mercado interno, enquanto a IPQ exportou US$ 178 milhões. Na análise da diretoria da Ipiranga Petroquímica esses números desenham um cenário positivo para os próximos meses.

No entanto, os números da IPQ são uma fração dos resultados do grupo Ipiranga. O balanço geral da holding controlada pelas Empresas Petróleo Ipiranga registra uma receita bruta consolidada de R$ 23,2 bilhões no acumulado do ano, 13% acima do mesmo período de 2005. O lucro líquido consolidado nos nove meses foi de R$ 397 milhões. No terceiro trimestre, a receita bruta foi de R$ 8,1 bilhões, correspondentes a 12% de aumento na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro líquido consolidado ficou em R$ 136,2 milhões.

Conforme o diretor-superintendente das EPI, Leocádio Antunes Filho, a atividade de distribuição, por meio da Ipiranga Petróleo (Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga – CBPI) e da Ipiranga Distribuidora (Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga – DPPI), cresceu 2,1% no período de janeiro a setembro, enquanto o mercado aumentou 0,4%, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo.

A CBPI, de atuação nacional, obteve receita bruta de R$ 16,5 bilhões no acumulado de janeiro a setembro, um aumento de 15,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido alcançou R$ 232,5. As vendas de gasolina, álcool e diesel cresceram 2,6% no acumulado do ano, enquanto a elevação registrada pela ANP foi de apenas 0,4%.

A DPPI, responsável pelos negócios de atacado no Rio Grande do Sul e oeste catarinense, enfrentou dificuldades por conta da estagnação da economia. Apesar disso, sua receita bruta foi de R$ 2,7 bilhões, 11% maior em comparação ao mesmo período de 2005. Leocádio atribui a recuperação devido ao repasse do aumento da matéria-prima aos produtos finais, pois em volume de vendas o sul do País registrou queda no consumo de derivados de petróleo.  

Refinando naftaA Refinaria Ipiranga, na cidade de Rio Grande, esteve paralisada durante todo o terceiro trimestre, devido à defasagem entre preços de petróleo e preços de produtos derivados. Por meio de conversações entre a diretoria da companhia com o governo do Rio Grande do Sul, em 4 de setembro foi assinado um protocolo de intenções entre as partes, como alternativa para melhorar a arrecadação do Estado com base na produção de nafta petroquímica pela Ipiranga (ver QD-454).

Em 14 de outubro, com a chegada da primeira carga de condensado de petróleo, o reator foi ativado e produziu 30 mil metros cúbicos de matéria-prima básica petroquímica. Desses, 5 mil já foram enviados à Copesul e outros 20 mil aguardam a chegada de um navio recentemente fretado. Mais uma carga de condensado já encomendada deverá ofertar outros 45 mil m³ de nafta para a Copesul nos próximos meses, totalizando 75 mil m³.

Apesar dos problemas, a refinaria registrou resultado positivo no último semestre, por conta da participação societária nas empresas do grupo. O lucro líquido ficou em R$ 127,4 milhões de reais, sendo R$ 131,1 milhões provenientes de suas participações societárias e R$ 3,6 milhões do prejuízo de sua operação de refino. No período de janeiro a setembro de 2006, a refinaria obteve receita bruta de R$ 537,1 milhões, 16,7% maior que o mesmo período em 2005.                         Fernando C. de Castro

 
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