Nem só aromas e ingredientes nutricionais, altamente palatáveis e benéficos à saúde, alimentam as indústrias. As texturas também continuam no foco dos investimentos, a exemplo dos novos amidos texturizantes e modificados de mandioca, desenvolvidos pela National Starch, para aplicações em bebidas e molhos.

A partir dessa temporada, as indústrias também poderão formular bebidas com maiores teores de proteínas lácteas e de soja, pois o novo sistema estabilizante desenvolvido pela National Starch, à base de amido de mandioca, revelou ser capaz de estabilizar até 3% de proteínas de soja ou lácteas em misturas com sucos de frutas, enquanto as formulações existentes praticamente só aceitam até 0,6%, segundo Andréa de Carvalho Lunardini, gerente de negócios e desenvolvimento de produtos da National Starch Food Innovation.

Outra grande vantagem oferecida pelo novo sistema estabilizante é eliminar a decantação, favorecendo o uso de embalagens transparentes.

Mais ferro nos alimentos – A fortificação de ingredientes, como farinhas para pães, tão necessária ao consumo das grandes massas populacionais, também bate à porta das indústrias.
Três vezes mais ricos em ferro, com níveis de concentração de 98%, do que os sulfetos de ferro, cujos níveis não ultrapassam 33%, os pós de ferro de alta pureza e alta absorção fabricados pela sueca Höganäs bem que poderiam solucionar sérias deficiências nutricionais das populações mais carentes.

Produzidos na matriz e nos Estados Unidos por processo metalúrgico de redução, esses pós food grade apresentam, segundo ressaltou Shirlei Milane de Mello, engenheira da Höganäs Brasil, maior biodisponibilidade em comparação com o ferro produzido pelo tradicional processo eletrolítico. Seus níveis de absorção em humanos chegam a 80%, enquanto a ingestão de outros pós de ferro só leva à absorção de 60% até 67%.

Adoçar sem calorias – Nativa do Brasil e Paraguai, a stévia encontra hoje grande consumo no Japão, Coréia, China, Índia, Taiwan, Estados Unidos e Rússia, mas poucos países, como Japão, Coréia e Malásia, detêm a tecnologia para seu tratamento enzimático, capaz de afastar o sabor residual amargo e metálico, impedindo seu consumo em larga escala, como a Stevian Biotechnology Corporation, da Malásia, um dos muitos expositores que vieram especialmente da Ásia para participar da FISA 2006.

“Adoçante natural com baixos níveis calóricos, 150 vezes mais doce que o açúcar refinado, a stévia é rica em fitonutrientes, minerais, vitaminas, proteínas e fibras, mas só o tratamento enzimático afasta o sabor residual resultante de sua industrialização”, afirmou Lolita Chocron Medina, gerente de negócios da Stevian Biotechnology Corp.

Segundo calcula Michael Ooi, chefe da unidade de negócios da Stevian Biotechnology Corp;
em vez de comprar e ter de estocar 150 quilos de açúcar, a indústria só precisa de um quilo de stévia para propiciar o mesmo efeito adoçante nos seus produtos, reduzindo custos de produção

Cuca Jorge

Lolita e Ooi: enzimas tiram o amargo da Stévia industrial

e logísticos, além de oferecer benefícios à saúde, como baixar as taxas de glicemia, reduzir gorduras e diminuir a incidência de cáries.
  
Gelatina para chocolate light
– Se a ordem mundial é reduzir gorduras, nada melhor que o redutor de gorduras em chocolates lançado pela Gelita South America, subsidiária do grupo Gelita, sediado na Alemanha e considerado líder mundial na fabricação de gelatinas, responsável por cerca de 30% de toda a gelatina consumida no mundo, com quatro fábricas instaladas no Brasil.

A nova solução (Instant Gel Schoko) é uma gelatina especial, desenvolvida por técnicos brasileiros, para substituir parte da manteiga de cacau na produção de chocolates, reduzindo os teores de gordura e tornando-os lights.

Cuca Jorge

Compressor série Z põe ar limpo no processo

“O chocolate produzido com Instant Gel Schoko possui características sensoriais similares às do produto com teor de gordura padrão, com o diferencial de ter menos gordura, podendo ainda ser classificado como rico em proteína”, explicou Cláudia Yamana, vice-presidente de marketing e vendas da Gelita South America.

Com produções em Cotia-SP, Mo-coca-SP, Maringá-PR e Estância Velha-RS, a Gelita South America produz 20 mil toneladas de gelatina por ano, destinando mais de 80% desse volume para as exportações,  oferecendo gelatinas para também reduzir gordura em margarinas, recheios para biscoitos e snacks.

Uma celulose amorfa, à base das películas (cascas) que recobrem os grãos de milho, isenta de valor calórico, e desenvolvida para substituir gorduras hidrogenadas ou manteigas em pães, bolos, biscoitos, molhos, maioneses, iogurtes, embutidos, também já se encontra à disposição das indústrias.

Lançada há pouco mais de três anos nos Estados Unidos pela Fibergel, onde já é acessível ao varejo, com o nome comercial de Ztrim, foi pela primeira vez apresentada às indústrias de alimentos locais pela Vogler Ingredients, importadora e distribuidora, sediada em São Bernardo do Campo-SP.

Outro lançamento apresentado pela Vogler foi Chocoseed. Trata-se de cristal Beta, desenvolvido pela Fuji Oil, no Japão, para conferir brilho no processo de fabricação e temperagem de chocolates, ou seja, na etapa de resfriamento controlado, tendo por objetivo induzir a formação do cristal Beta.

Quem visitou o estande da Vogler ainda pôde conferir vários produtos desenvolvidos pela Eastman. Um deles foi o Sustane Saib Food Grade Kosher (FG), agente de densidade para bebidas cítricas, que também atua como estabilizante de emulsões, evitando a separação dos óleos cítricos.

Produzido com a esterificação do açúcar natural (sucrose), é um destilado de alta pureza, com baixo odor e baixo teor residual. Outra novidade destacada ao público foi Saib Et 10, blend do Sustane FG em 10% de etanol, para ser empregado em emulsões de bebidas, como agente de densidade.

 Frutas ao suco – A combinação de sucos com as mais diversas polpas de frutas – morango, pêssego, uva, abacaxi, amora, banana, cereja, coco, damasco, framboesa, goiaba, kiwi, laranja, limão, manga, mamão, maracujá, maçã etc – num só ingrediente oferece novas opções nutricionais e maior variedade de sabores a muitos produtos.

A inovação, batizada Nutropi, e desenvolvida pela Nutrimental, pode ser adicionada a cereais matinais, barras de cereais, chocolates, biscoitos, cookies, bolos, sorvetes e panetones.
 

 
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