Há grande diversidade de corantes. O segmento de couro emprega em maior quantidade os corantes ácidos; os reativos são muito usados no setor têxtil, enquanto o de papel utiliza principalmente os básicos e os diretos.

 

A Enia Corantes, sediada em Itupeva-SP, é uma das remanescentes da indústria nacional de corantes.  Com atuação forte nos segmentos têxtil, de couro e de papel, a empresa vê um panorama de estabilização desses mercados em relação a 2005, mas em um patamar sofrível, na opinião do diretor-superintendente Carlos Amarante Rodrigues. Na área têxtil, embora o País ainda seja competitivo em produtos como o jeans, há mercados que sofrem com a concorrência das exportações chinesas, caso do poliéster. Além das importações, a informalidade é outro complicador, pois o seu crescimento requer cuidado na seleção dos parceiros, e não se pode ter acesso a todo o mercado.

 

O setor de couro, outro cliente importante, também é afetado pelo câmbio, além das importações. Trata-se de um segmento exportador, e o mercado interno, embora com bom potencial de consumo, ainda depende de maior renda da população. Carros e móveis com estofamento de couro não são comuns no Brasil, e calçados, a principal aplicação, também encontram no exterior maior demanda.

 

Os produtores nacionais de couro, segundo Rodrigues, já exportaram muito produto acabado, mas há alguns anos se tornou forte a exportação do couro wet blue, processado até estágios antes do tingimento. O crescimento da exportação do couro wet blue é mais veloz que o do produto acabado, mas o blue não utiliza corantes. Na busca por alternativas, um dos segmentos cuja demanda aumenta é o de couro para estofamentos para móveis domésticos e automóveis, que requerem corantes de alta qualidade e maior solidez à luz. A Enia oferece corantes pré-metalizados para esse tipo de aplicação.

 

O Brasil, que se concentrava em tratar couros para calçados, passou a buscar alternativas mesmo dentro desse segmento, buscando nichos mais ligados com a moda, pois grande parte do que é feito na Ásia se volta para aplicações mais comuns. Nos corantes para couro predominam os produtos pretos, devido à tradição da cor nos calçados e vestuário. O sopro de crescimento está mais voltado para o uso de cores, principalmente as castanhas e beges. “Há dez ou quinze anos, a preponderância do preto era bem maior”, atesta o superintendente da Enia. A empresa se especializou nesse tipo de aplicação, pois o corante preto, mais tradicional, é o mais comum e possui muitos fornecedores. As cores exigem um trabalho de aplicação e acerto um pouco mais sofisticado e técnico, proporcionando maior fidelidade do cliente, e as margens do negócio também são melhores.

 

No segmento de papel, a indústria brasileira vai bem, mas no setor dos papéis brancos, que representa a maior fatia do consumo e não emprega corantes, e sim alvejantes ópticos. Nos segmentos “coloridos”, a demanda tem sido sazonal, variando de acordo com o desempenho geral da economia, e não atinge grandes volumes de consumo. Para essas aplicações, a Enia vende na maior parte corantes básicos castanhos, voltados para embalagens de papelão. Também comercializa corantes pretos para a linha de alto-falantes, e algumas cores para papel higiênico, entre outras aplicações.

 

A empresa não deverá crescer em relação ao ano passado, quando o volume de vendas aumentou cerca de 10%. Em 2005, o patamar foi atingido pela abertura de negócios em novos clientes e pelo lançamento de produtos, e não por um aquecimento do mercado brasileiro. Dessa maneira, houve queda de faturamento devido à necessidade de acompanhar preços mais baixos no mercado interno. Rodrigues, no entanto, mantém boa expectativa para 2007.

“Os produtores do segmento de couro estão demonstrando boa estrutura para criar alternativas aos problemas” diz. 

 

Amarante: uso de cores no couro favorece negócios

 

 

 

 

 

 

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