PETROQUÍMICA

Refinaria Ipiranga produz

nafta para o pólo gaúcho

Inativa desde o final de maio, a Refinaria de Petróleo Ipiranga (RPI), em Rio Grande, deverá retomar a operação por volta de 20 de outubro. A empresa terá como carro-chefe de seus negócios um volume de 25 mil toneladas por mês de nafta, ou 30 mil metros cúbicos. Um protocolo de intenções firmado em 4 de setembro com o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, permitirá a retomada gradativa das atividades.

Segundo a diretora-superintendente da RPI, Elizabeth Surreaux Tellechea, a produção de gasolina será igualmente reativada numa proporção de 11 mil litros por mês e a de diesel a 22 mil litros/mês, como derivados do condensado de petróleo. Pelo acordo assinado no Palácio Piratini, o Estado faz uma compensação de custos ao conceder à refinaria crédito presumido de 50% do ICMS sobre a alíquota de 17% incidente na nafta petroquímica. De acordo com o protocolo, a matéria-prima será destinada à Copesul no Pólo Petroquímico de Triunfo.

A decisão é vantajosa para os dois lados. A receita do ICMS no Rio Grande do Sul com a nafta originária de outros Estados é de 5%. Os outros 12% ficam com o Estado de origem. O crédito presumido acertado pelo governo gaúcho estabelece um recolhimento de ICMS pela Ipiranga de 8,5%. “Esse adicional de 3,5% de imposto representará de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões por mês em favor do Estado. Para a refinaria, o benefício terá valor semelhante”, explicou Elizabeth.

“Obtivemos a sensibilidade do governador, e a ministra-chefe da Casa Civil [Dilma Rousseff] conversou com a Petrobrás, que deixará de trazer para o Estado a parte que começaremos a produzir.” Divulgação
 
Elizabeth: gasolina também voltará a ser produzida

Ela antecipou que se os preços da gasolina e do diesel forem corrigidos, a refinaria poderá aumentar novamente a produção de combustíveis. “Já chegamos a produzir 40 mil litros de gasolina e, se ocorrer a atualização dos preços e o aumento das margens, poderemos oferecer mais combustível. Como esses produtos têm mais valor agregado, o termo do acordo prevê a redução da isenção dos créditos presumidos para a gasolina e o diesel, caso retornemos aos patamares anteriores”, esclareceu Elizabeth.

Desde 2004, a Refinaria de Petróleo Ipiranga teve um prejuízo acumulado de R$ 100 milhões provocado pela defasagem entre os preços de importação de petróleo e as vendas dos derivados no mercado interno. A alta dos preços do petróleo e a política da Petrobrás de segurar os preços dos derivados no mercado interno motivaram a suspensão das atividades da refinaria da Ipiranga por três ocasiões nos últimos dois anos.

“O problema da empresa não é de gestão e sim de mercado”, aponta Elizabeth. Nesse aspecto, ela considera no momento os negócios com a nafta mais interessantes, porque a matéria-prima básica da indústria petroquímica, ao contrário dos combustíveis, vem sendo reajustada na carona da alta do petróleo. Com isso será possível equilibrar as receitas e as despesas da Refinaria Ipiranga.

A última etapa para a entrada da Refinaria de Petróleo Ipiranga na cadeia petroquímica depende da finalização dos contratos para a compra do condensado de petróleo, cuja operação é realizada com acompanhamento da Petrobrás. A matéria-prima poderá vir de refinarias da Petrobrás ou da Nigéria. Depois de processada, a nafta da Ipiranga irá de Rio Grande para Triunfo por navegação de cabotagem entre a Lagoa dos Patos, o Lago do Guaíba e a bacia dos rios Caí e Jacuí, podendo ser utilizada para isso a frota da Copesul, com pequenos navios de casco duplo para transporte de produtos perigosos em águas fluviais.

“A decisão é um presente também para os nossos funcionários”, comentou Elizabeth. Para funcionar, a RPI mantém 300 empregados, incluindo pessoal terceirizado, os quais permanecem com os contratos de trabalho em vigor mesmo diante das paradas. Conforme a diretora-superintendente, o protocolo tem o apoio da Petrobrás e será válido por seis meses, com opções para renovação ou suspensão.

Como a chegada do condensado de petróleo depende ainda da compra e do transporte, a superintendente prevê o recomeço da operação mais para o fim de outubro. Em 7 de setembro, a refinaria da Ipiranga em Rio Grande completou 69 anos de atividade. Trata-se da primeira planta industrial montada no País para produzir gasolina e demais derivados de petróleo em escala.

Os 30 mil metros cúbicos/mês de nafta da Ipiranga reduzirão em 20% as importações por parte da Copesul, a central de matérias-primas do Pólo Petroquímico de Triunfo-RS, adquirida em outros Estados ou no exterior. “A substituição representa uma economia de R$ 200 milhões por ano”, informou o secretário substituto da Fazenda, Júlio Cézar Grazziotin, após a reunião na sede do governo gaúcho. Para ele, o ideal é que a produção da nafta se consolide na Ipiranga, porque a refinaria da Petrobrás em Canoas não demonstra interesse em aumentar a oferta dessa
fração.n  Fernando C. de Castro  

 

 
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