AUTOMAÇÃO

Yokogawa reúne usuários e mostra planos

Fiel à política de intensificar o relacionamento com clientes, a Yokogawa promoveu, pela segunda vez, o encontro de seus profissionais com usuários de equipamentos e sistemas de automação industrial. Realizado nos dias 24 e 25 de outubro, em São Paulo, o encontro misturou apresentação da companhia com o relato das experiências de clientes destacados, como a Petrobrás, Rhodia, Nitriflex, Gerdau e Açominas.

Pela companhia de origem japonesa, o principal palestrante foi Akira Nagashima, vice-presidente executivo da Yokogawa Electric Corporation, a matriz, da qual também responde pela área de pesquisa e desenvolvimento. O executivo falou sobre as iniciativas inovadoras para o mercado de automação industrial com vistas a 2015, pilar para atingir a meta de liderar esse segmento em âmbito mundial. A companhia desenvolve seus produtos tendo por base os conceitos de confiabilidade, suprimento garantido a longo prazo e interoperabilidade, buscando antecipar-se às necessidades do mercado sem desvalorizar os ativos instalados.

Nagashima enquadra os desafios em três linhas: globalização, inovação e harmonização. Do ponto de vista globalizante, a empresa criou uma companhia para atuação mundial, exceto para o Japão, Coréia, China e Taiwan. “Verificamos que estávamos muito ligados à cultura empresarial japonesa e precisamos ampliar nossa participação em outros mercados”, comentou. O Japão absorve 50% das vendas de todas as divisões da Yokogawa, mas apenas 12% do faturamento de instrumentação industrial. Segundo o executivo, as previsões da companhia apontam para uma reversão no quadro em 2010, quando o resto do mundo absorverá 70% das vendas totais, ficando apenas 30% no país de origem. “O Japão não vai encolher, os outros países crescerão mais”, explicou.

Com sede em Cingapura, a nova subsidiária será a responsável por adotar uma estratégia de crescimento mais agressiva no mundo todo, com base no conceito One Global Yokogawa, pelo qual as culturas regionais são respeitadas, mas os padrões básicos da companhia devem ser atendidos. Cada posição da companhia deverá alinhar seus procedimentos de recursos humanos, sistemas de informação, comunicações, administração financeira e condutas éticas aos mínimos exigidos. “No caso brasileiro, por exemplo, precisamos ter uma estrutura tributária diferenciada para atender aos rigores e peculiaridades do cipoal legislativo nacional”, comentou o presidente da Yokogawa América do Sul, Nélson Ninin.

Uma curiosidade: a alta direção da Yokogawa adotou como língua oficial da companhia para todas as suas reuniões e comunicados o idioma inglês. “O presidente da companhia exigiu que todos os principais executivos e líderes de áreas tenham conhecimentos suficientes dessa língua até 2008”, disse Nagashima. Foram transferidos para Cingapura os técnicos e executivos que já dominam o idioma, a fim de comandar as operações internacionais. A empresa verificou que Coréia, China e Taiwan podem ser atendidas pela matriz, no Japão, sem maiores dificuldades de comunicação. “O conhecimento do idioma estrangeiro está sendo valorizado para promoções internas”, revelou.

Inovação em altaA meta de liderar o segmento de automação industrial – hoje é a segunda no ranking mundial, liderado pela ABB – deve ser alcançada até 2010, sempre com base no crescimento orgânico de negócios. Isso não elimina eventuais aquisições, feitas para complemento de portfólio e não para agregar fatias de mercado. Dessa forma, a área de pesquisa e desenvolvimento ganha mais relevância. Nagashima destaca quatro fatores principais de evolução: as pessoas (criadores) que atuam nessa atividade, o apoio da alta gerência, nível de excelência na produção e contar com engenheiros visionários como clientes, estes capazes de absorver e incentivar novidades tecnológicas.

A estratégia corporativa para inovação ressalta o pioneirismo, fortalecido pela observação atenta do mercado, buscando antecipar as necessidades dos usuários. Também o refinamento contínuo da tecnologia é considerado grande gerador de diferenciais contra os concorrentes. Três tecnologias transversais (servem a várias aplicações diferentes) são apontadas como bases para 2015: medição e manipulação de microquantidades de insumos, sistemas de computação para modelagens de produtos e processos, e medição e manipulação óptica.

Entre as iniciativas promissoras, o executivo apontou a tecnologia sem fios (wireless) para interligações no campo, sofisticação capaz de alterar a arquitetura de sistemas de automação, desencadeando modificações na linha de produtos. A interface IPV6 para dispositivos de campo serve para unidades de controle de baixa capacidade, ampliando seu potencial com baixo custo.

Além disso, a empresa pretende intensificar a produção de microplantas industriais, a fim de produzir insumos in situ para os clientes. Com sistema de controle na tecnologia MEMS, essas unidades serão dedicadas, operando como geradores especializados. É o caso de geradores de flúor que já estão sendo vendidos no exterior, compostos de um microrreator e periféricos, com automação total.

Esse conceito de unidades dedicadas também será útil para aplicações com produtos em escala nanométrica. “Temos tecnologia para lidar com esse grau de partículas, porém é mais fácil para nós desenvolver unidades completas do que simplesmente adaptar sistemas para fábricas existentes”, considerou. Lidar com partículas tão pequenas pode exigir em alguns casos o desenvolvimento de sistemas ópticos especializados, ainda não disponíveis. “Verificamos algumas necessidades em escala laboratorial e estamos trabalhando nelas”, afirmou.

No campo da operação de sistemas digitais, o executivo salientou as práticas de simulação, com as quais é possível antecipar problemas operacionais e resolvê-los antecipadamente.

Na área de produtos para saúde, a companhia desenvolve um sistema de análises de DNA (ácido desoxirribonucléico) para uso clínico ou para cuidados pessoais, com alta precisão, velocidade analítica e faixa dinâmica, combinados com baixo custo e dimensões. “Trata-se de um negócio totalmente novo, que deve se efetivar a partir de 2010”, afirmou. Essa área, não atuante no Brasil, já produz tomógrafos para a GE.

Avanços mais palpáveis foram obtidos em fotônicos, especialmente em comutadores ópticos capazes de fazer mudanças em dois nanosegundos.

Política de inovação Nagashima explicu como a companhia gerencia as atividades de pesquisa e desenvolvimento. Com base em planos qüinqüenais, os trabalhos são conduzidos com acompanhamento mensal de evolução. A cada seis meses, todas as áreas se reúnem para acompanhar a execução orçamentária. O cuidado é importante, pois são investidos anualmente nesses trabalhos 8% do faturamento mundial de US$ 3,3 bilhões.

Cada segmento de negócios possui um piso orçamentário, estabelecido de acordo com a sua lucratividade. A área automotiva, por exemplo, tem mínimo de 15% do seu lucro reservado para P&D. Áreas consideradas estratégicas, como life sciences, não dependem de lucratividade prévia para montar seus orçamentos. Outras, como as linhas de testes e medição, usualmente demandam o dobro de seu piso calculado sobre o lucro anual para manter o ritmo de inovação. “Algumas áreas entendem P&D como investimento de risco e de longo prazo”, comentou Nagashima. Dos 8% dedicados à inovação, 0,5% são direcionados para inovação total (alto risco). O presidente da Yokogawa determinou a elevação desse percentual para 1% nos próximos anos, segundo Nagashima.

O planejamento é feito por etapas, desde a primeira idéia do projeto. Cada etapa é avaliada antes de liberar recursos para seu progresso. Cabe ao board de diretores definir as prioridades e o ritmo dos desenvolvimentos. Mesmo assim, o executivo afirma que alguns projetos acabam descontinuados, quando se verifica que o custo final ficará além do que o mercado se mostra disposto a pagar por ele.

Quando o board decide investir em algum projeto, ele pode ou não ser encampado por alguma das unidades de negócio da companhia. Caso não seja, ele se desenvolve por iniciativa exclusiva da direção. Em todos os casos, os resultados dos trabalhos são compartilhados com todas as áreas de negócios, permitindo criar outras novidades. Cabe a Nagashima coordenar todas as atividades. “Projetos pequenos e específicos são feitos pelas áreas de engenharia de cada divisão, com base em seus orçamentos”, comentou.

Além da grande equipe de especialistas da própria Yokogawa, a companhia mantém estreito relacionamento com universidades e institutos de pesquisa no Japão e em Cingapura. Nagashima ressalta que o relacionamento é feito diretamente com alguns pesquisadores mais acessíveis e sempre para projetos específicos, voltados para a geração de tecnologia. Quanto a investimentos em pesquisa pura, ele é direto na resposta: “Já pagamos impostos para isso.”

Ele comentou a existência de grande massa crítica no Japão para estimular avanços tecnológicos. A Sociedade de Engenheiros de Instrumentação e Controle (Sice), com sede em Tóquio, congrega cerca de sete mil especialistas que promovem intensa troca de expe-
riências e desafios. A Sice atualmente é presidida por Nagashima.n       M. Fa

 

 

 
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