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Ocorre, como diz Jensen, que em 2007 está previsto um aumento de produção, com capacidades novas, de policarbonato, o que deve restringir a oferta de bisfenol-A para a produção de epóxi.
Nova fábrica na China – “Esses fatores indicam que a oferta de resinas epóxi continuará restrita em 2007 e os preços devem continuar pressionados”, diz Jensen. Mesmo com a oferta restrita não são muitos os indícios de aumento de produção. O problema, lembra Intelizano, é que a produção da epicloridrina e a do bisfenol geram riscos ambientais. “A indústria química está preocupada com passivos ambientais. E isso restringe a decisão de investimentos em novas plantas”, diz Paulo Intelizano.
De fato, são poucos os movimentos de ampliação de oferta. A coreana Kudko anunciou recentemente uma nova planta de resinas epóxi na China. E a saudita Jana informou que pretende construir uma nova unidade de produção de epicloridrina. “Em dois ou três anos, o mercado de epóxi pode se tornar mais equilibrado”, explica Jensen.
O principal investimento em ampliação da capacidade produtiva está sendo realizado pela Dow Chemical, uma das três produtoras integradas (que atuam em todas as etapas do processo) de resinas epóxi no mundo. As outras são: Hexion e Nanya.
Em agosto último, a Dow anunciou um investimento de US$ 200 milhões em duas novas unidades na China. A Dow planeja construir, até 2010, uma fábrica de escala mundial com capacidade de produzir 100.000 MTPA (milhões de toneladas por ano) de resinas epóxi líquidas em Zhangjiagang, província de Jiangsu. E uma outra unidade, em local ainda não definido, com capacidade para 150.000 MTPA de epicloridrina.A empresa também pretende ampliar a capacidade de sua fábrica de resinas epóxi convertidas (sólidas) em Zhangjiagang de seus atuais 41.000 MTPA para 75.000 MTPA.
O destaque entre os investimentos da Dow na China fica por conta da tecnologia que será adotada para a produção de epicloridrina. A unidade chinesa será a primeira a produzir epicloridrina utilizando glicerina, uma tecnologia desenvolvida pela Dow. A grande vantagem da glicerina é ser um produto biorrenovável. A glicerina para a produção de epicloridrina será gerada como um subproduto do biodiesel. “A epicloridrina de glicerina apresenta a mesma qualidade da tradicional, preço competitivo e menor agressão ambiental”, comenta João Jensen.
Proteção anticorrosiva – O vaivém dos preços da resina epóxi ocupa um papel de destaque entre as preocupações dos produtores de tintas por um fator de primeira grandeza: a resina epóxi, atualmente, é insubstituível nas aplicações de tinta destinadas a oferecer proteção anticorrosiva.
Nas tintas, as resinas são as responsáveis pela formação do filme de proteção. A resina epóxi, ao contrário das resinas poliéster e acrílicas, não é adequada para aplicações decorativas. É uma resina de difícil aplicação, com secagem rápida, e que não oferece boa resistência à ação ultravioleta.
Mas é a resina com melhor performance em resistência à abrasão e a intempéries. É também uma resina versátil, sua estrutura química permite um grande número de usos e aplicações, como em tintas líquidas, em pó, ou em altos sólidos.
Esse conjunto de qualidades fez a resina epóxi ser adotada como majoritária em diversos segmentos. É a resina do e-coat, ou seja, a pintura por eletrodeposição cataforética, usada como pintura de fundo, com o objetivo de aumentar a resistência à corrosão dos veículos.
A resina epóxi também é adotada pelos produtores de tintas industriais, as chamadas tintas de manutenção, e pelos produtores de tintas navais. Além de ser utilizada em larga escala por produtores de tintas em pó, sistema empregado pela indústria de eletrodomésticos, móveis metálicos e tubos industriais.
“A resina epóxi hoje é imprescindível para quem atua no mercado de tintas para aplicações com a finalidade de proteção. Não há uma alternativa eficiente e economicamente viável para esse objetivo”, diz Jorge Yoriyasu.
A estimativa dos fornecedores é de que o mercado brasileiro de epóxi movimente aproximadamente 30 mil toneladas em resinas líquidas por ano. A indústria de tintas é responsável por cerca de 70% desse consumo. Na América Latina, o mercado total é de 55 mil toneladas/ano.
O mercado brasileiro de resinas epóxi é atendido basicamente por quatro empresas. Duas são exclusivamente importadoras: a Carbono, que comercializa no Brasil o epóxi da Nanya, de Taiwan e a ASR, que importa da coreana Kudko.
A Huntsman, por sua vez, importa resinas epóxi líquidas e, no Brasil, realiza o trabalho de transformação em resinas convertidas. A resina epóxi convertida é uma resina líquida agregada a um volume maior de bisfenol-A, o que aumenta seu peso molecular, tornando-a mais sólida.
Cada tipo de tinta se utiliza de um estágio diferente de sólido. As tintas voltadas para o e-coat e para o segmento de tintas industriais consomem principalmente resinas epóxi em estágio líquido. A indústria de tintas em pó consome resinas com maior teor de sólidos. “A Huntsman tem o maior portfólio de produtos do mercado”, afirma Paulo Intelizano.
| Cuca Jorge |
Outra estratégia da empresa, diz o executivo, é oferecer o chamado lado B do epóxi, os agentes de cura. Esses agentes, necessários para a reação química do epóxi, são vendidos separadamente. E na maioria das vezes por fornecedores diferentes.A Dow, que divide com a Huntsman 90% do mercado brasileiro, é a única empresa que produz resina de epóxi líquida localmente, em uma planta instalada no Guarujá, no litoral paulista. |
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| Intelizano: vantagem estratégica nos agentes de cura |
E também fornece resinas convertidas. “O fato de sermos mundialmente um produtor integrado de epóxi e termos produção local nos dá uma grande vantagem competitiva. Não somos tão volúveis aos altos e baixos do mercado internacional”, diz João Jensen.
Segundo o executivo, a Dow, que também atua no mercado de tintas fornecendo solventes e aditivos, estuda adotar uma nova estratégia de atuação no mercado, aproveitando-se da sinergia entre os três produtos. “Vamos vender não apenas produtos, mas soluções técnicas integradas”, afirma Jensen. Ele informa que a Dow trabalha com o objetivo de aperfeiçoar tecnologicamente as resinas epóxi. “Uma meta é o desenvolvimento do epóxi com resistência ultravioleta”, diz o gerente de marketing.
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