Escassez global de resina mantém preços elevados

Domingos Zaparolli

Os fabricantes de tintas que utilizam resinas epóxi em suas formulações, produtores de e-coat, de tintas em pó, tintas navais e tintas industriais anticorrosivas, têm recebido de seus fornecedores um recado nada animador: o preço do epóxi está subindo e continuará em alta nos próximos meses.

O quilo do epóxi, que há um ano era comercializado por US$ 2,50, hoje é vendido no Brasil a US$ 3,60. Mas os contratos internacionais já começam a ser negociados na faixa dos US$ 4,00 o quilo, valor que aos poucos vai sendo repassado ao mercado local. “Em três meses, esse deve ser o patamar de preços no Brasil. Mas a expectativa é de que o encarecimento da resina continue no mercado internacional e, portanto, aqui também”, diz Jorge Yoriyasu, gerente de marketing da distribuidora Carbono Química.

O movimento de alta nos preços da resina epóxi ocorre no mesmo momento em que os preços do petróleo caem. Entre o dia 14 de julho, quando atingiu sua maior cotação, e o final de setembro, o preço do barril de petróleo caiu de US$ 78,40 para aproximadamente US$ 62,70. Ao contrário do esperado, o recuo do preço do petróleo não trouxe alívio aos consumidores de epóxi. “O custo de produção não determina preço. O que determina é a relação oferta/procura. A demanda internacional por epóxi é alta e a capacidade de oferta limitada”, diz João Batista Jensen, gerente de marketing da divisão de epóxi da Dow Brasil.
Segundo Jensen, a demanda global de resinas epóxi cresce em média 5% ao ano desde 2002.
Cuca Jorge
Yoriyasu: as tintas protetoras não ficam sem epóxi

A expectativa para 2006 é de um consumo entre 7% e 9% maior que o de 2005. Os principais responsáveis por esse aumento estão na Ásia: China, Índia e Taiwan. E a indústria eletrônica – e não o mercado de tintas – é quem mais contribui para esse crescimento.

O mercado global de resinas básicas líquidas de epóxi é estimado em aproximadamente 1,2 milhão de toneladas/ano. Os dois principais segmentos econômicos consumidores são a indústria de tintas e a indústria eletrônica, que utiliza o insumo em placas de circuitos impressos. Cada um desses segmentos responde, globalmente, por 40% do consumo.
As resinas epóxi também são largamente utilizadas na construção civil, principalmente em pisos e revestimentos, e pela indústria de latas de bebidas. Como lembra Paulo Intelizano, gerente de negócios da Huntsman, o aumento da demanda de epóxi também se dá por novos hábitos de consumo, como a substituição da embalagem de vidro pela lata, no caso da cerveja, ou na substituição de metal por fibras de carbono e vidro com aplicação de epóxi. “Na verdade, são várias as pressões de demanda do epóxi”, diz Intelizano.

O mesmo não ocorre com a oferta da resina. A indústria mundial de epóxi líquida trabalha ocupando 90% de sua capacidade instalada. Esse dado já é sinal de um quase esgotamento. Mas o problema maior está na oferta de matéria-prima para essa indústria. “Está em falta”, diz Jensen.

Cuca Jorge São dois os insumos básicos para a produção do epóxi. A epicloridrina, obtida com cloro e propano, e o bisfenol-A, derivado do fenol. Duas plantas produtoras de epicloridrina, uma na Europa e outra na Ásia, interromperam sua produção recentemente por problemas ambientais. O preço do insumo disparou.
Jensen: ter produção local ajuda a ser competitivo

A tonelada, que era comercializada por US$ 1,6 mil em janeiro, está sendo vendida por US$ 2,5 mil e a previsão é que chegue a US$ 2,6 mil em breve. A pressão por aumento de preços em relação ao bisfenol-A deve se intensificar no próximo ano. As resinas epóxi são responsáveis por 30% do consumo mundial de bisfenol-A. Os 70% restantes são destinados para a indústria de policarbonato, na qual o insumo é comercializado com grau de pureza maior, e obtém um melhor valor de mercado.
 

 
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