O total abrange também investimentos em ampliação de refino (US$ 2,7 bilhões) e instalação de unidades de conversão de resíduos em hidrocarbonetos leves (US$ 3,7 bilhões). Dessa forma, até o prazo final do plano, está prevista a instalação de nova refinaria para 200 mil barris por dia (bpd) no Brasil, além da recuperação da refinaria de Pasadena (EUA), com 70 mil bpd.

O refino é o gargalo atual da indústria de petróleo. A demanda mundial segue aquecida pela China, que respondeu por 28,8% de todo o aumento de consumo de petróleo no mundo entre 1999 e 2003. Como o uso de derivados na atividade de transportes tem se intensificado, beirando 60% da destinação final, a tendência mundial é de aperto no suprimento de óleo diesel e gasolina. Para aumentar a produção desses derivados, os processadores priorizam a aquisição de petróleos leves, cujo processamento seja mais generoso nesses combustíveis. Porém os óleos mais procurados apresentam drástica elevação de preços.

Mesmo no Brasil, a demanda por destilados médios, entre a gasolina e o óleo diesel, incluindo o querosene de aviação, tende a crescer acima da média global dos derivados, estimada em 3,1% a.a. A parcela de diesel e querosene foi de 777 mil bpd durante 2005 e deve chegar a 935 mil bpd em 2011, na previsão da Petrobrás. Ao mesmo tempo, o consumo de óleo combustível deve cair de 108 mil bpd para 97 mil bpd. Uma boa notícia é que a previsão do consumo de diesel inclui o uso de insumos renováveis, nas formas de éster etílico de ácidos graxos (biodiesel) e de H-Bio (óleo vegetal hidrogenado).

Por contar com suprimento garantido de óleos pesados, a estatal direciona esforços para ganhar flexibilidade de processamento. A instalação de grande quantidade de unidades de craqueamento catalítico em leito fluidizado garante oferta maior de gasolina obtida de óleos pesados, enquanto a combinação do coqueamento retardado dos resíduos da destilação a vácuo com posterior hidrotratamento supre a demanda pelo diesel, com vantagem de oferecer coque para siderurgia e para fornos de cimento.

A alternativa de operar refinarias mais complexas tem a contrapartida de aumentar o custo médio de processamento, que gira em torno de US$ 2 por barril, contra US$ 1 por barril em 2002. No entanto, a diferença de preço entre um óleo leve e um pesado vai muito além disso, justificando os investimentos.

A capacidade de refino da estatal chega a 2.117 mil bpd, porém o número inclui refinarias no exterior. O parque nacional soma 1.996 mil bpd de capacidade nominal, mais do que suficiente para atender à demanda nacional de derivados, que foi de 1.776 mil bpd na média de 2005. Porém, é preciso salientar que algumas unidades operam próximas do limite de ocupação, tornando complexas as operações periódicas de parada para manutenção. No dia 15 de setembro, foi a vez de paralisar a maior unidade de craqueamento catalítico fluido (UFCC) do País. Instalada na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos-SP, a unidade ficará 56 dias em manutenção programada. No período, deixarão de ser produzidos oito milhões de litros de gasolina e duas mil toneladas de gás de cozinha (GLP). O planejamento dessa parada começou há dois anos e a região será abastecida por estoques previamente acumulados e com suporte de outras unidades da companhia. Parada semelhante foi empreendida em 2002.

Tendo em vista a necessidade de suprir a demanda nacional de 2.117 mil bpd de derivados projetada para 2011, justifica-se a implantação de nova refinaria. Perto do Porto de Suape, em Pernambuco, a Petrobrás anunciou a construção de uma refinaria que processaria óleos pesados venezuelanos, contando com parceria com a estatal PDVSA. Cerimônia pública realizada em agosto ratificou as intenções da companhia, com ou sem apoio do país vizinho.

Embora tenha frustrado as expectativas da Região Sudeste de contar com nova unidade de refino de grande porte – Guararema-SP chegou a ser apontada como localização ideal –, a estatal confirmou a destinação de mais de US$ 4 bilhões para refinarias paulistas até 2010. A Revap receberá pouco mais de US$ 2 bilhões, enquanto a Replan (Paulínia) ficará com quase US$ 1,3 bilhão, US$ 782 milhões irão para a RPBC (Cubatão), e US$ 294 milhões para a pequena, porém estratégica, Recap (Santo André).

 
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