DESMINERALIZAÇÃO DE ÁGUA

Demanda em alta reestrutura o mercado e abre caminho para a membrana nacional 

Marcelo Furtado


 

Com a atenção mundial cada vez mais voltada para o mercado da água, os segmentos especializados nas diversas tecnologias de tratamento passam por um momento de extremo dinamismo, o que significa uma frenética onda de fusões e aquisições, de disputas tecnológicas e de crescimento comercial. Esse cenário vale para retratar, por exemplo, o segmento de desmineralização de água, constituído por fornecedores de sistemas com membranas e resinas de troca iônica, que têm como objetivo abastecer com água de alta qualidade clientes industriais e de potabilização.

A movimentação deste setor é nítida e vem sendo puxada principalmente pelo mercado de membranas, com destaque pelas de osmose reversa, que removem os sais da água, mas também pelas de micro e ultrafiltração, empregadas no pré-tratamento da desmineralização e outras purificações de água, para remoção de contaminantes orgânicos e microrganismos. Há estimativas de que o consumo mundial de membranas cresce em média 15% ao ano, nos últimos quinze anos, obrigando os principais produtores a aumentar com freqüência suas capacidades.

Mais recentemente, aliás, há sinais de uma demanda ainda mais explosiva para daqui a cinco anos, quando poderá haver escassez do produto, principalmente por causa do grande aumento de uso em sistemas de dessalinização de água do mar para a produção de água potável. Além de apropriadas tecnicamente para o serviço, a crescente automação e a praticidade de operação dessas unidades favorecem o uso em sistemas de abastecimento. Atentas a essa tendência, as principais fabricantes incrementam suas produções, como a Dow Química, que duplicou neste ano sua unidade de membranas de osmose reversa FilmTec em Edina, nos Estados Unidos, e a japonesa Hydranautics, que aumentou recentemente em 40% a capacidade de sua principal fábrica, em Shiga, no Japão (a empresa ainda possui unidades na China, Estados Unidos e Itália).

Na condição de coadjuvante desse mercado global, sem fabricante próprio e apenas consumindo membranas importadas, o Brasil pode até correr risco de desabastecimento no futuro ou, na melhor e mais provável das hipóteses, amargar altas consideráveis no preço. Nesse sentido, iniciativas para evitar ou minimizar o cenário preocupante se tornam de suma importância. E é o que sem dúvida representa uma pesquisa da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que se encontra em estágio final de desenvolvimento da primeira membrana de osmose reversa (ou inversa, como preferem os pesquisadores da Coppe) genuinamente brasileira e de grande viabilidade comercial.

Marcelo Furtado

Borges: em 2007 membranas brasileiras estarão prontas

A pesquisa é fruto de uma tese de doutorado defendida pelo pesquisador Roberto Bentes e desde 2005 conta com o apoio financeiro e técnico da Petrobrás, por meio de seu centro de pesquisas (Cenpes), para até o fim de 2007 gerar patente registrada pelas duas instituições. Sob orientação do professor Cristiano Borges, coordenador do laboratório de processo de separação por membranas da Coppe, o desenvolvimento, além de diminuir a dependência do Brasil de um produto cada vez mais estratégico, tem vários trunfos.
 

 
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