“Vamos trazer missões internacionais mensalmente, a começar pela América Latina, para conhecer o projeto”, adianta Bello. Por razões de segredo industrial, acrescenta, os consultores não conseguem entrar nas atuais fábricas de calçados e nem nos curtumes para pesquisar máquinas e processos. Com a necessidade de produzir couros acabados de altíssima qualidade, uma nova família de químicos top de linha deverá ser desenvolvida no País ou importada em maiores volumes. “Certamente, novos corantes, pigmentos, engraxantes e estucos chegarão ao mercado brasileiro”, antecipa Fernando Bello.
Duas empresas do ramo químico disputam uma única vaga como fornecedoras do Brashoes. O investimento no projeto é de US$ 3 milhões e o treinamento das equipes começa em janeiro de 2007. A fábrica conceitual estará operando plenamente até a virada do semestre do próximo ano.

Altos e baixos – A cadeia produtiva do couro refletiu as incertezas da economia nacional no primeiro semestre. As estatísticas da Secex, tabuladas pela Associação das Indústrias de Couro do Rio Grande do Sul (Aicsul), revelam crescimento de 15% nas exportações brasileiras de couros em agosto, na comparação com o mês anterior, o equivalente a US$ 173 milhões. No mesmo período ocorreu um crescimento de 28%. No acumulado do ano, a receita é 29% maior do que o mesmo período em 2005. Em 2006, as exportações já resultaram em faturamento de US$ 1,19 bilhão e a expectativa é de US$ 1,60 bilhão até o final do ano. Com relação ao destino, o novo comprador de destaque é a Indonésia. Saltou de US$ 4,5 milhões de janeiro a agosto de 2005 para US$ 28 milhões nos oito primeiros meses deste ano.

No Rio Grande do Sul, o desempenho do setor é menor. Enquanto o faturamento nacional teve acréscimo de 29% nos oito primeiros meses do ano, as receitas das indústrias do couro gaúchas aumentaram apenas 19%. Quanto ao destino, os destaques das vendas externas do Rio Grande do Sul ficam para o Vietnã, Coréia do Sul e África do Sul, todos com incremento acima dos 100%, neste ano, na comparação com 2005.

Um fator de preocupação do setor são as exportações de wet blue, o couro pré-curtido, de baixo valor agregado. Aproximadamente 14 milhões de couros já deixaram o País em 2006 nesse estágio, registrando crescimento de 33% de janeiro a agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Divulgação/Lanxess
Máqina para acabamento no laboratório da Lanxess, em São Leopoldo

É praticamente o dobro das exportações de couros acabados (de alto valor), que totalizaram 7,2 milhões de peles. Com isso, o ano de 2006 deverá registrar uma queda de 4% no faturamento em dólares na indústria de insumos químicos dirigida à cadeia produtiva do couro. A previsão é do novo gerente da divisão leather da Lanxess, Fábio Bellotti da Fonseca. Ele culpa justamente as facilidades para exportação do couro wet blue, vendido sem qualquer beneficiamento e com baixíssimo valor agregado, o que prejudica os negócios com as dezenas de formulações empregadas nas 20 reações realizadas nas diversas etapas necessárias para atingir o couro 100% acabado.

Na contabilidade de , se  todo  o  couro produzido no Brasil fosse exportado na forma de produto acabado, o mercado de insumos químicos  em  2007 aumentaria em 60%. De outro modo, ele comemora que na virada do semestre, a Lanxess, em particular, conseguiu aumentar suas vendas em dólares na casa dos 50% na comparação com 2005.

Divulgação/Lanxess Fonseca assumiu o posto na Lanxess em substituição a  Tomas  Vallendor, que retornou à Argentina como gerente regional para a América do Sul. Ele aposta no mercado brasileiro e quer expandir as vendas no País, na qualidade de fornecedor completo de soluções inovadoras. “Como o setor coureiro é praticamente exportador, a tendência  é  os  curtumes  importarem  cada  vez  mais insumos químicos, utilizando-se  do sistema de draw back. Possuímos forte vantagem competitiva e ajudamos a indústria curtidora brasileira com lead time de importação baixo, uma vez  que  a  nossa  fábrica  em  Zarate, na Argentina, é a maior e mais completa fábrica para o segmento de couros na América do Sul, fora do Brasil”, assinala Fonseca.
Fonseca: draw back ajuda a importar insumos químicos

A  Lanxess oferece linha completa de  produtos químicos para a indústria do couro, entre os quais constam agentes  de  curtimento  orgânicos e sintéticos, conservantes, auxiliares de tingimento e acabamento, óleos e corantes. É detentora de marcas comerciais de produtos auxiliares de curtimento como o Baymol, Cismollan, Preventol, Baykanol e o Xeroderm.
Responde pela fabricação de substâncias minerais de curtimento e de recurtimento como o Baychrom, Blancorol, Chromosal, além de substâncias  sintéticas orgânicas  de  curtimento  e  recurtimento como o  Tanigan, Retingan, Leukotan, Levotan, Lubritan. Fabrica também os corantes Baygenal, Levaderm, Baycolor, Euderm e Bayderm. O grupo alemão mantém ainda uma linha de soluções poliuretânicas e auxiliares de preparação como o Aquaderm, Euderm, Eukanol, Baysin, Primal, e Acrysol, de solventes e sistemas para processos especiais, notadamente o Baygen e o Levacast.
 

 
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